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Malavolta Jr. |
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Em meio à sujeira, peixes vivos de todos os tamanhos ‘brotaram’ pelo vaso sanitário de um estacionamento localizado no Centro |
O funcionário de um estacionamento localizado na quadra 12 da rua Agenor Meira, no Centro, em Bauru, levou um susto ao usar o banheiro do estabelecimento, na manhã dessa quarta-feira (8). Em meio à sujeira, peixes vivos de todos os tamanhos “brotaram” pelo vaso sanitário do local. Não era um milagre. Segundo a prefeitura, o acidente ocorreu após o rompimento de um dispositivo instalado para evitar a liberação das tilápias durante o despejo da água do lago da Praça das Cerejeiras.
Por mais incrível que pareça, não é a primeira vez que este estacionamento é alvo da “invasão” dos peixes através do vaso sanitário. Conforme o JC já noticiou, no dia 12 de dezembro de 2011, filhotes de tilápia mortos se acumularam na calçada vindos do esgoto que retornou em uma privada do banheiro do estabelecimento. Na época, a explicação mais plausível era de que a origem dos animais seria o lago da Praça das Cerejeiras.
Por volta das 9h de ontem, a situação se repetiu, mas, desta vez, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) confirmou que os peixes saíram do lago da praça que abriga o prédio da prefeitura. De acordo com o diretor da Divisão de Praças e Áreas Verdes do município, Valter dos Santos Junior, servidores da pasta fazem a manutenção do lago uma vez a cada seis meses e, na manhã de ontem, um cano estourou e os peixes caíram na rede de esgoto.
Santos explica ainda que o protocolo é que os peixes sejam retirados do lago e acondicionados em caixas até a conclusão da limpeza do lago. Como ocorre uma grande procriação de peixes no local, alguns são transferidos para a lagoa do Zoológico, que também será o destino dos peixes que sobreviveram ao acidente de ontem. Neste caso, o rompimento do cano ocorreu antes do início da manutenção. Portanto, nem todos os peixes foram retirados do lago a tempo.
Causa
Todavia, o diretor da Divisão de Praças e Áreas Verdes não entendeu a causa do rompimento do cano, que deveria estar ligado a uma galeria pluvial, mas acabou na privada de um estacionamento, que pertence à rede doméstica de esgoto. Diante disso, o JC entrou em contato com a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE), que informou que o lago estaria ligado ao esgoto e ajudou a prefeitura a fazer a limpeza da rede.
Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura esclarece que a água dos dois lagos da Praça das Cerejeiras é despejada no esgoto por se tratar de água suja, fétida e com dejetos dos peixes. “O acidente ocorreu devido ao rompimento do dispositivo instalado para evitar a liberação dos peixes durante a operação de despejo da água do lago”, afirma. Já o diretor da Divisão de Praças e Áreas Verdes reforça que o problema não se repetirá, porque o cano, que era antigo, já foi trocado.
Susto
O funcionário do estabelecimento, que preferiu não ser identificado, se surpreendeu após usar o banheiro do local. O rapaz conta que, assim que acionou a descarga, dois peixes vivos “pularam” pelo vaso sanitário. De início, ele pensou que fosse uma brincadeira que partiu de um colega de trabalho, mas, depois que tilápias de diversos tamanhos começaram a sair aos montes pela privada, o funcionário constatou que não era nada do que estava pensando.
“Levei um susto sem tamanho”, descreve. Quando a reportagem chegou ao estabelecimento, no início da tarde de ontem, a prefeitura fazia os reparos na rede de esgoto e no banheiro do local. Mesmo assim, os resquícios de uma cena inusitada que ocorreu poucas horas antes eram evidentes: alguns peixes mortos estavam presos nos vãos da calçada e, em uma boca de lobo próxima, havia alguns filhotes ainda vivos, nadando em meio à sujeira.
E agora?
Questionada sobre um possível dano ambiental, a assessoria de imprensa da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informa que o órgão não foi comunicado sobre a ocorrência, mas esclarece que casos dessa natureza, por se tratar de um lago ornamental, não são de competência da instituição. “O caso deverá ser tratado no âmbito da Semma, que deverá dar continuidade ao atendimento”, acrescenta.
Já o sargento Alex Ribeiro Radighieri, da Polícia Ambiental de Bauru, também ficou sabendo da ocorrência através do JC. Ele afirmou que enviaria uma equipe até o local para apurar se houve negligência ou maus-tratos aos peixes. Ribeiro revela ainda que não é um caso comum, mas, mesmo assim, o recomendado é acionar a Polícia Ambiental por meio do telefone (14) 3203-2700 ou ir até a base, que fica na avenida Rodrigues Alves, 38-138, na Vila Cardia.