|
Éder Azevedo |
|
|
|
Dos nove tanques que estavam no aterro ontem, sete já estavam cheios com chorume e serão levados por vencedora de licitação |
Para impedir o transbordamento de chorume da lagoa que armazena o líquido derivado da decomposição do lixo orgânico do aterro sanitário de Bauru, a Emdurb alugou, sem licitação, 10 tanques para armazenar o material, altamente poluente. Firmado desde a semana passada, o contrato, até agora, não foi publicado em Diário Oficial.
A reportagem soube da locação dos reservatórios apenas em visita in loco ao aterro. Ao longo das últimas semanas, o JC tem mantido contato com o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, para acompanhar a evolução do caso do chorume, revelado com exclusividade pela publicação.
Na última terça-feira, por exemplo, o responsável pelo órgão municipal afirmou que o último dos cinco tanques que, como noticiado anteriormente, haviam sido cedidos gratuitamente pela iniciativa privada, estava sendo utilizado para o armazenamento do líquido, até que a empresa Monte Azul, vencedora de processo licitatório, desse início à retirada do chorume para garantir a destinação final do produto.
Ontem, no entanto, funcionários que trabalham no aterro revelaram que os tanques alugados – cada um com capacidade de 40 mil litros – estavam sendo utilizados desde a semana anterior, porque os emprestados haviam sido utilizados.
Na manhã dessa sexta-feira, nove tanques locados estavam ao redor da lagoa de chorume, com sete deles cheios. O décimo chegaria para assegurar a retirada do líquido em volume suficiente durante o final de semana em caso de novas chuvas.
A precipitação acima da média para o período, no início deste mês, foi, aliás, fator preponderante para que a Emdurb recorresse a mais uma alternativa para impedir o transbordamento de chorume.
Presente em visita ao aterro na manhã de ontem, o vereador Fabiano Mariano (PDT) declarou entender a necessidade de locação, mas não a aparente tentativa da administração de “esconder” o contrato.
Improviso
Questionada pelo JC, a Emdurb, por meio de sua assessoria de imprensa, confirma que a locação dos tanques foi realizada por dispensa de licitação, em função do valor do contrato, seguindo regras preconizadas pela Lei de Licitações. A empresa fornecedora é a Euclides Renato Garbuio Ltda. O valor diário do aluguel por cada tanque é de R$ 100,00. Mesmo os que já foram armazenados com chorume permanecerão no aterro – incidindo cobrança - até que a Monte Azul volte a operar e possa esvaziar os reservatórios para destinar o líquido a estações de tratamento de esgoto.
A expectativa é de que a empresa de Araçatuba dê início às atividades na próxima terça-feira, data prevista para a publicação do novo contrato em Diário Oficial.
Histórico
Como publicado pelo JC, no último 3 de julho a Monte Azul venceu processo de licitação para retirar, transportar e destinar o chorume do aterro sanitário de Bauru. A empresa receberá R$ 148,00 por cada mil litros do material.
Até o mês passado, a Emdurb pagava R$ 199,08 pelo mesmo serviço à mesma prestadora. Contudo, o volume previsto em contrato firmado em janeiro, que deveria ser retirado da lagoa do aterro ao longo de todo ano, foi removido em menos de seis meses.
A Emdurb justifica que, por conta dos investimentos na estrutura de drenagem, cresceu substancialmente a quantidade de chorume canalizado.
O fim do contrato justificou a nova licitação. Até a realização do novo certame, contudo, surgiram denúncias acerca do “sobrepreço” praticado pelo poder público municipal em comparação à realidade do mercado regional, forçando a Monte Azul a baixar em 25% o preço que cobrava desde 2012 para executar o serviço.
Em testes, nova técnica ‘solidifica’ chorume do aterro e é oferecida à Prefeitura de Bauru
O alto custo para a destinação do chorume de Bauru – principalmente em função da necessidade de transporte do material para uma estação de tratamento de Botucatu – tem feito a Emdurb procurar alternativas. Ontem, técnicos do órgão acompanharam a demonstração de um produto que, quase instantaneamente, “solidifica” o líquido, transformando-o em uma espécie de pasta, com a consistência próxima a de um cimento.
O produto em pó, que está há apenas um mês e meio do no mercado, é fabricado e comercializado pela empresa EcoAmerica, sediada no município de Três Corações (MG) e está em fase de teste para a aplicabilidade em outros aterros.
Química
A técnica pode ser utilizada em qualquer substância líquida e não altera quimicamente o chorume, mudando apenas seu estado físico, a partir da cristalização e inertização de partículas.
A solidificação em larga escala pode se dar dentro de um caminhão betoneira. Depois do processo, o produto deve ser devolvido ao aterro, onde ajuda a cristalizar outros líquidos percolados, reduzindo, em médio e longo prazo, o volume de chorume canalizado para a lagoa. “Isso gera um ganho futuro porque implicará, consequentemente, em menos gastos”, expôs o representante da EcoAmerica, Bernardo Andrade.
Preço
Cada quilo do produto utilizado para solidificar o chorume custa, em média, R$ 10,00. Para destinar cada 1.000 litros do líquido, a Emdurb teria que desembolsar R$ 100,00; quase metade do que pagava e 33% do que pagará para a Monte Azul levar o material a Botucatu.
A Emdurb cogita ainda comprar um caminhão para realizar diretamente o transbordo e já foi procurada por outras empresas que oferecem serviços de tratamento do chorume in loco.