09 de julho de 2026
Bairros

Solução definitiva vai demorar 20 anos

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Com uma rede de água cuja tubulação sente os efeitos do tempo, a troca por materiais mais novos e resistentes será lenta. Além disso, o DAE aposta no projeto de setorização como medida a longo prazo, interligando toda a rede de água da cidade, de modo também que se possa isolar uma determinada região e atacar vazamentos, inclusive com o uso de geofones, aparelhos que detectam vazamentos e são usados de madrugada. Atualmente o DAE tem apenas um aparelho, que precisa ser reformado, e pretende futuramente adquirir mais dois.

Quanto ao processo de setorização, apenas o projeto custa mais de R$ 5 milhões, e o desenvolvimento de todas as obras cerca de R$ 170 milhões, com prazo estimado em 20 anos. Com a setorização, será possível detectar com mais rapidez os vazamentos e isolar setores, se necessário.

Em relação aos vazamentos de esgoto, o número é bem menor do que os de água, e até por isso são resolvidos com mais agilidade.

Até lá, o DAE ainda terá que continuar ‘enxugando gelo’, consertando os vazamentos onde eles aparecem, contando - e muito - com a população avisando quais locais precisam de reparo.

O JC percorreu os bairros nas duas regiões mais críticas e observou não só vazamentos, mas a demora em se recuperar a pavimentação após os reparos.


Jardim Bela Vista

No principal bairro da região noroeste, que lidera o ranking de reclamações do DAE, não é difícil encontrar exemplos de vazamentos, ou de reparos que demoram a ser adequadamente fechados pelo departamento. Andando pelas ruas do bairro, a reportagem constatou, na última semana, buracos abertos pela autarquia nas ruas Carlos Gomes, Horácio Alves Cunha e Alto Acre, e que ainda não receberam massa asfáltica.

Um deles, na rua Carlos Gomes, é reincidente, explica a advogada Cezira Helena Viotto, 50 anos, que mora em frente a um buraco aberto recentemente pelo DAE, na quadra 4 da via.

“Ali é toda hora com problema de vazamento. Eles consertam, passa um ou dois meses, o vazamento volta. A gente liga no DAE, eles falam que não adianta fechar o vazamento quando é pequeno. Aí, quando passa dois meses reclamando e o vazamento aumenta, eles vêm e abrem a rua. Depois, são mais umas duas semanas para consertar o asfalto”, relata.

O buraco ficou mais de duas semanas aberto, até que na última semana funcionários da autarquia jogaram pedras para amenizar o problema, mas ainda sem a capa asfáltica. “Era muito barro. No último fim de semana ainda choveu, espirrava lama no muro, entrava barro na garagem, até para colocar o carro na garagem estava complicado, sujava tudo”, lamenta.

Virando a esquina, na rua Silva Jardim, uma das principais vias de acesso da Bela Vista para o Centro, outro vazamento também está atormentando os moradores há tempos.

“Esse outro já tem algumas semanas, assim que vira a esquina, e em uma rua de movimento”, acrescenta a advogada. Este, na Silva Jardim, estava sinalizado com uma placa do DAE, e ainda aguardava por reparo.


Vila Independência

Bairro que está na segunda região com maior índice de reclamações, a Vila Independência registra problemas frequentes, e muitas vezes, nos mesmos lugares. O aposentado Odair Costa, 70 anos, cita que um vazamento que está desperdiçando água potável foi consertado há pouco tempo e já voltou a apresentar problema, na quadra 1 da rua Tamandaré.

“O DAE veio aqui neste ano, e já está vazando de novo. E nessa quadra tem outros, tem um remendo um pouco mais para baixo que só neste ano já vieram consertar três vezes. Virando a esquina, onde eu moro, é rua de terra, e eles também vieram neste ano. Ali até que foi rápido, na ocasião eu disse que estava arriscado ameaçar a minha casa”, explica o morador.

Onde a água está minando, o problema já tem pelo menos três semanas. “Olha, faz uma três semanas que voltou a vazar água ali, e na maioria das vezes demora coisa de um mês pra consertarem o vazamento. Depois, vai mais uma a duas semanas para reparar o asfalto”, comenta. “Mas é algo que tem sido frequente no bairro, sempre tem vazamento”, menciona.


Vila Falcão

Na região da Vila Falcão, o mecânico João Coto, 57 anos, reclama de um vazamento na rua José Gandim, quase na esquina com a Rua Agostinho Torrecilha Sanches, na Vila Giunta. “Já faz uns dois meses que está vazando, fica há uns 20 metros de casa. A sensação que eu tenho é que de uns meses para cá diminuiu a quantidade de vazamentos, mas ainda tem bastante, e demora para o DAE consertar. Se a gente não busca um outro meio, como pedir para algum vereador ajudar, reclamando, aí demora mais ainda”, menciona. “Eles fecham, aí aparece um vazamento mais para baixo”, conclui Coto.

Na calçada

Nas ruas que ainda serão asfaltadas, com verba do PAC Pavimentação, a tubulação de água e esgoto deve ser feita nas calçadas. Isso praticamente dobraria o custo, pois teria de ser construída duas tubulações, uma em cada lado da via. O custo total é estimado em cerca de R$ 9 milhões, contemplando 800 quadras, e vem sendo alvo de debate inclusive na Câmara Municipal.

O vereador Fabiano Mariano (PDT), um dos que mais tem trazido críticas ao DAE semanalmente na tribuna da Câmara, é defensor da proposta. A manutenção seria mais simples, até porque a tubulação poderia ser mais rasa, e não abriria a rua. Até o número de vazamentos deve diminuir, pois haverá menos pressão do que na rua, onde há o trânsito de veículos, resume o parlamentar, que afirma receber entre 40 e 50 reclamações mensais relativas à autarquia.

O presidente do DAE, Giasone Candia, também vê como positiva a estratégia, e lembra que em condomínios fechados, boa parte já adota este sistema. No caso de isso ser extensivo a outras vias da cidade, o reparo das calçadas com eventuais vazamentos também será de competência da autarquia, independentemente do tipo de calçamento cimento ou pedra, por exemplo. “O processo é o mesmo do que é feito na rua, o DAE terá de deixar as calçadas com a mesma condição de antes do reparo”, explica.


Em números

Segundo o DAE, a extensão da rede de água em Bauru é de 1.607.027 metros, ou seja, cerca de 1.600 quilômetros, o equivalente a uma viagem de ida e volta de Bauru até a cidade do Rio de Janeiro, ou uma viagem apenas de ida até Palmas (TO).  Já a extensão total da rede de esgoto é de 1.373.391 metros (mais de 1.300 quilômetros), pouco mais do que a distância entre Bauru e Cuiabá (MT).