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Atire a chave do carro pela janela aquele que nunca experimentou uma banguela para “aproveitar aquela descida suave” na estrada ou que não tenha ficado com o pé “descansando” no pedal da embreagem! Pois é! Em um Fusca, um esportivo ou um veículo de luxo, é bom você saber, de uma vez por todas, que essas manias colocam em risco sua segurança - a de terceiros - e, ainda, consomem mais combustível do que se estivesse, por exemplo, engrenado.
Então, essa história de “descer no embalo” para economizar, além de ser uma tremenda bobagem, significa o inverso: consome mais combustível.
O problema é que ainda tem muito teimoso nas ruas achando que banguela economiza. Para o engenheiro, especialista em estrutura mecânica e de motores automotivos Marcos Camerini, essa “é uma das muitas bobagens que ainda persistem no universo imaginário de leigos”.
Ele não perdoa quem teima com essa história: banguela é um equívoco. “O carro desengrenado, ou seja, sem estar com a engrenagem da caixa de câmbio acionada, consome mais para se manter nessa situação. Ponto morto é burrice. Saia dessa porque você está colocando as pessoas e você em risco e ainda consumindo mais combustível do que se usar a marcha do carro”, enfatiza.
Além disso, utilizar o chamado “freio motor” garante segurança. “Nunca use ponto morto. Você perde o freio motor nessa situação. O freio motor permite ao carro permanecer engrenado. Ponto morto, só com o carro parado”, diz.
Mas como tem muito “piloto” sabichão nas ruas, sobretudo entre os homens, o engenheiro lembra da situação mais elementar para quem quer andar com seu veiculo com maior economia de combustível. “O que faz o carro gastar é a aceleração brusca. É o jeito de dirigir. Nunca ‘atole’ o pé, a não ser em uma emergência em ultrapassagem”, esclarece.
Mas e se o motorista quiser manter a velocidade na subida? “Nas subidas, reduza a marcha para manter a velocidade e mantenha o torque (força) para manter a relação entre potência e velocidade”, orienta Camerini.
Nos carros de câmbio automático, deixe que o próprio sistema já está otimizado para funcionar na melhor situação. Apenas lembre-se que carro com câmbio automático ‘gasta’ um pouco a mais que o dotado de câmbio mecânico.
De qualquer forma, Camerini acrescenta que o ato de dirigir exige paciência, controle de ansiedade. Se o sujeito quer sempre passar por quem está à sua frente, é preciso reforçar que o “hábito” quer dizer mais despesa.
“Na estrada ou na cidade, tente sempre manter a velocidade constante. Siga o fluxo na mesma velocidade compatível, sem acelerações bruscas. Esse é o segredo mais elementar e de difícil utilização”, opina o engenheiro.
Assim, saiba, de antemão, que uma série de outras medidas - inclusive de manutenção corretiva e preventiva do veículo - também vão ajudar na conta com combustível.
Evite aceleração brusca e ‘estique’ as marchas
Você não precisa entender de mecânica automotiva para melhorar o desempenho de seu carro. Mas algumas informações básicas vão lhe ajudar.
Por exemplo: o correto é que o motor funcione na rotação ideal para haver melhor aproveitamento do combustível. “Você não precisa gerar 100 cavalos do motor para andar na cidade. Com 30 cavalos você faz isso”, explica Marcos Camerini.
O engenheiro detalha a maneira de dirigir para esta situação. “Não precisa esticar a marcha muito, mas também não se deve mudar marcha logo após a saída, o que é muito comum, senão o carro perde potência. Você tem de usá-la até um pouco acima da marcha lenta na saída”.
Camerini cita que o “que mais acontece é que o cara sai do semáforo e já muda a marcha. Isso é erro grave porque consome mais, mas as pessoas acham que é economia. Está errado”.
Para entender o que acontece, é preciso saber o que ocorre com o motor funcionando em marcha lenta.
“A marcha lenta existe em função do atrito interno do motor. Se você estiver com rotação menor que isso, a potência é menor do que o atrito que acontece no motor. Então o motor morre. Por isso, andar em marcha lenta não resolve nada. Você precisa usar a marcha e esticar a rotação até além da marcha lenta para o carro gerar potência suficiente”, detalha Camerini.
Ou seja, como a área de atrito é muito grande para manter o motor funcionando na marcha lenta, o consumo de combustível nessa faixa é maior do que o consumo a 2.500 rpm. “Por isso é que quem anda na faixa da marcha lenta, ou seja, esticando muito pouco a marcha, está consumindo mais combustível do que quem estica a marcha em rotação acima disso”, reforça. ‘Esticar a marcha’ mantém a situação na melhor relação de funcionamento e consumo.
Outro ponto: motor tem de respirar, entrar ar e combustível para funcionar bem. “E o que acontece é que o motorista nem atravessou a rua e já muda a marcha. O motor precisa lubrificar, respirar, andar, ter movimento de rotação para funcionar melhor. Então, a dica é que você estique a marcha até uns 3.000 giros, e daí acione o câmbio para mudança de marcha manual”.
Mas, embora seja óbvio, vale reforçar. “Esticar a marcha não é ir com a mesma marcha até 6.000 giros no motor (rpm). Isso é só pra campeonato de arrancada. Vai até perto de 3.000 giros e aí troca a marcha. E isso não é pra correr. É pra fazer o carro andar melhor e render mais”, esclarece o engenheiro.
A correta manutenção do carro
Seguir o manual de manutenção do veículo sugerido pelo fabricante evita transtornos. De qualquer forma, pequenos cuidados na rotina do uso do carro também fazem a diferença. E alguns desse cuidados não são levados em conta por muitos usuários.
“É preciso ter filtros de ar e de combustível em dia, limpos, pneus calibrados corretamente pelo menos uma vez por semana e abastecer com combustível de boa procedência”, sugere Marcos Camerini.
Se o carro está com o filtro de ar entupido, é como você andar com um lado da narina fechado. Experimente tapar o nariz com a mão e andar. Marcos Camerini compara que “acontece o mesmo com o motor. Ele não respira, e então o motor não faz a combustão correta. E se a mistura ar e combustível não está na dosagem correta, você precisa enfiar mais o pé no acelerador para o carro andar. Gasta mais e está jogando combustível com isso”, explica.
A orientação é que a cada vez que você trocar o óleo, deve trocar o filtro. Já o filtro de ar troca uma vez sim outra não. Trocar o filtro de óleo alternado é uma atitude que, na ponta do lápis, não gera economia, segundo os consultores.
Outra coisa: não invente na calibragem dos pneus. “Coloque a pressão que está no manual. A fábrica destina um grupo de engenheiros para estudar, calcular, projetar o carro em todos os seus detalhes. E vem um vendedor de acessório, um frentista e muda isso? Não faça isso. Siga o manual sempre!”, adverte o consultor.
Se você acha que isso não faz diferença alguma, ouça o especialista: “A calibragem dos pneus interfere muito no consumo. Ele é feito pra ter arrasto, funciona por atrito. Se você enche demais, diminui o atrito e afeta a suspensão. Mas se você tem o pneu murcho, a borracha fica mole e gruda demais. E vai prejudicar o consumo, porque agarra mais o carro ao chão. Calibrar na pressão correta ajuda na economia de combustível”.
Outra dúvida muito comum: combustível aditivado. “Gasolina aditivada funciona para a limpeza dos componentes do motor, os dutos. É uma limpeza dos dutos, o que significa melhor lubrificação e tudo mais. Gasolina aditivada não é para aumentar potência. É para limpar dutos do motor. E para isso resolve”, opina Camerini.
Porém, cuidado com aditivos para outros componentes. “Aditivo é bobagem. É jogar dinheiro fora. O único que tem sentido é o de radiador, porque diz respeito ao ponto de ebulição da água em relação ao funcionamento do motor. O aditivo do radiador é antioxidante, está ligado ao arrefecimento e lubrificação do sistema”, cita.
Alguns mecânicos podem fazer cara feia. Mas o engenheiro aponta: “Limpeza de bico injetor só se faz se os bicos estiverem sujos. E para saber disso você tem de ter um mecânico sério”.
Outra questão: “Use somente combustível de boa procedência. Gasolina barata, de posto desonesto, gera prejuízos ao motor”. E na hora de encher o tanque, “abasteça até desarmar o gatilho da bomba. Não encha o tanque até a boca. Isso tira o espaço destinado ao ar dentro do tanque e interfere no funcionamento da boia do tanque”, completa.
Dicas de dirigibilidade
Olhe no retrovisor com frequência. Ele não está lá por enfeite. Isso vai fazer você se antecipar no trânsito e manter a velocidade constante.
Se você estiver na marcha correta engatada, não pise no pedal do freio. Isso economiza a pastilha de freio e mantém o carro com o freio motor na situação mais adequada.
Não carregue peso morto no carro. Porta-malas não é depósito. Peso exige maior gasto de combustível para vencer o atrito.
Se você for viajar com carga a mais do que usa, com mais malas ou pessoas, recalibre os pneus.