08 de julho de 2026
Geral

Jovens eram alvo de quadrilha presa

Fotos: Polícia Civil
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A Polícia Civil esclareceu cinco roubos praticados por uma quadrilha que assaltava pedestres principalmente no entorno de universidades, modalidade criminosa que vem gerando medo e insegurança entre estudantes de Bauru. O grupo havia sido preso no final de março, conforme o JC noticiou, e foi reconhecido pelas vítimas.

A suspeita, contudo, é de que os acusados tenham cometido um número maior de crimes, que poderão ser solucionados a partir da divulgação das fotos que aparecem nesta página. Lucas Henrique Camargo de Lemos, vulgo Luquinha, 21 anos; Luís Felipe Soares Fernandes, conhecido como Fê, 21 anos; e Lucas Matheus dos Santos Tomaz, vulgo Largatixa, 20 anos seguem encarcerados no Centro de Detenção Provisória (CDP) e dois adolescentes de 15 e 16 anos, em unidades da Fundação Casa.

Após mais de três meses de apurações, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) detectou que os integrantes da quadrilha cometeram os assaltos entre 15 e 21 de março. Os três últimos, inclusive, foram registrados em um intervalo de poucas horas. E foi após esta sequência de crimes que foram presos em flagrante pela Polícia Militar, após perseguição que terminou no estacionamento de uma lanchonete do Jardim Panorama.

Em comum, estava o fato de sempre renderem vítimas jovens no período noturno e delas levarem, além de carteiras e relógios, os aparelhos celulares. Em todos os crimes, também utilizavam uma pistola durante a abordagem e, para a fuga, um Palio prata de rodas pretas, que foram apreendidos.

“E eles se revezavam. Às vezes, dois ficavam no carro e os outros três praticavam o roubo. A preferência sempre foi pelos estudantes, porque são jovens que tendem a ostentar aparelhos eletrônicos de valor elevado, além de se colocarem em situação vulnerável e estarem menos preparados para, eventualmente, prevenir e frustrar o crime”, detalha o delegado Kleber Granja.

Mais expostos
Somente nos primeiros cinco meses deste ano, foram registrados 522 roubos em Bauru e, segundo Granja, estima-se que cerca de 400 tiveram como objetivo a subtração de celulares. O delegado observa que os equipamentos mais modernos podem render de R$ 500,00 a R$ 1,5 mil aos criminosos, que encontram nos jovens vítimas fáceis para o sucesso do assalto.

“Eles estão mais expostos a riscos porque ficam distraídos, navegando na internet enquanto andam nas ruas ou aguardam no ponto de ônibus. Mas precisam começar a ficar mais atentos, porque, infelizmente, a tendência é de este tipo de ocorrência continue acontecendo”, alerta, destacando que os crimes não cessaram com a prisão da quadrilha, em  março.

Para tentar conter os registros, estratégias integradas vêm sendo adotadas pelas polícias Militar, com patrulhamento intensificado nas regiões-alvo, e Civil, com o prosseguimento das investigações. Mas, assim como Granja, o major João da Costa Duarte, coordenador operacional do 4º 4.º BPM-I, reforça a necessidade das pessoas se precaverem.


Relembre o caso

A quadrilha formada por três jovens e dois adolescentes foi presa na madrugada de 21 de março depois de assaltar duas jovens que saíam de um bar localizado nas imediações da avenida Getúlio Vargas. Horas antes, o mesmo grupo havia cometido pelo menos outros dois roubos, um no Jardim Brasil e outro na avenida Nações Unidas.

Nos dois casos, as vítimas, de 23 e 24 anos, tiveram os celulares levados. Quando a Polícia Militar recebeu informações sobre o assalto na Getúlio Vargas, as buscas tiveram início.

O Palio em que estavam foi visto circulando pelo Jardim Panorama e a Força Tática iniciou a perseguição, que terminou no estacionamento de uma lanchonete do bairro. Dentro do carro, foram localizados os produtos do roubo, uma pistola semiautomática calibre 22 e um facão. Desde então, os cinco integrantes permanecem presos.


Assaltos no entorno de universidades geram temor entre estudantes

As histórias são muito semelhantes, assim como o temor que se instala nas vítimas de roubos registrados no entorno das universidades, em regiões até então consideradas tranquilas. Thauan, Gislaine, Gabriel e tantos outros jovens que se depararam tão precocemente com a violência se veem obrigados a mudar hábitos em uma fase da vida que deveria ser leve.

Os três são estudantes universitários e foram rendidos neste ano por assaltantes nas imediações de instituições de ensino superior. A rotina de Thauan Aguiar, 21 anos, foi alterada em fevereiro, quando ele e mais dois amigos foram surpreendidos por quatro jovens no Jardim Panorama.

Ele havia ido a uma lanchonete e retornava para a casa de um dos colegas por volta das 3h, quando os criminosos os cercaram em uma rua erma e anunciaram o assalto. “Eles pediram, de cara o celular. Levaram R$ 100,00 e dois aparelhos nossos. Um dos meus amigos ainda levou um soco no rosto porque eles queriam levar a chave do meu carro e eu não deixei.”

Hoje, o estudante evita andar a pé, mesmo se o deslocamento for de curta distância. A mesma conduta vem sendo adotada por uma mulher de 22 anos, que mora nas imediações de uma universidade de Bauru. Em uma noite de maio, ela e o namorado, que preferiram não se identificar, foram assaltados no trajeto entre a residência em que vivem e a padaria.

Eram três garotos em bicicletas. Um deles estava armado e exigiu que o casal entregasse tudo o que tinha. “Eu não tinha levado nada. Como a carteira do meu namorado só tinha cartões e documentos, acabaram roubando apenas o celular. Ficamos em choque porque já tínhamos feito aquele percurso inúmeras vezes, sem qualquer preocupação”, lamenta a moradora.

Depois do susto, o namorado passou a buscá-la de carro no trabalho, que fica a apenas uma quadra de distância de onde vivem. “Se saio muito tarde, ligo para ele”, completa.

Há cerca de três meses, a estudante Gislaine Carolina Alves Santos, 19 anos, foi roubada por homens bem em frente à instituição de ensino em que estuda.

“Era por volta de 22h, horário de saída e alunos e estava bem movimentado. Cheguei a vê-los se aproximando, mas não deu tempo de nada. Um deles desceu e, quando resisti em entregar minha bolsa, apontou a arma para o meu rosto e me empurrou. Não tive escolha. Perdi todos os meus documentos e só fiquei com o celular porque estava no bolso da minha jaqueta”, relembra.

Gislaine já perdeu as contas de quantos relatos parecidos com o seu já ouviu entre alunos da instituição em que estuda. Gabriel de Oliveira Fatori, 19 anos, também conhece vários casos.

No mês passado, ele foi assaltado depois de descer do ônibus que toma diariamente para ir à faculdade. Com uma faca, dois indivíduos em bicicletas o renderam em uma rua pouco movimentada e levaram um colar e R$ 57,00. O visado aparelho celular só não foi tomado porque estava escondido nas roupas do jovem.

“Minha rotina mudou muito. Hoje, pego dois ônibus para poder parar em frente à portaria da universidade”, afirma.

    Fotos: Polícia Civil
Luís Felipe Fernandes Lucas Camargo de Lemos Lucas Matheus Tomaz