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| Protagonista Paul Rudd em filme que tem méritos |
Pode-se começar falando de O Homem-Formiga pelo fim. Com uma advertência – quando começarem os créditos, não faça como sempre costuma ocorrer. O público levanta-se e sai correndo das salas. Dessa vez, é bom ficar.
Existem duas cenas adicionais durante os créditos. São elas que, verdadeiramente, fecham a história – ou, na verdade, a reabrem. O Homem-formiga já surge com a promessa de uma continuação. Naturalmente que ela depende da bilheteria, mas você pode apostar que teremos, sim, O Homem-Formiga 2, 3... A publicidade anuncia - Você nunca viu maior herói que esse. E, naturalmente, trata-se de uma brincadeira, porque o ‘descomunal’, o imensurável Homem-Formiga é só isso mesmo, formiguinha no uniforme do Homem de Ferro. A piada do filme é dotar o herói liliputiano de superpoderes.
Mas teve uma produção tumultuada. Edgar Wright acumulava diversas funções - produtor, roteirista, diretor. Por incompatibilidade criativa, a Marvel exonerou-o da última, mas manteve os créditos de roteirista e produtor associado. Para apagar o incêndio, Peyton Reed foi chamado para assumir a direção. Peyton quem? Você sabe. Ele dirigiu comédias familiares como Sim, Senhor, com Jim Carrey e Zooey Deschanel. E assume agora a função de contar a história do Ant Man.
O filme pertence à nova geração dos heróis da Marvel. Esquisito como qualquer guardião da galáxia, é totalmente referencial. O tempo todo fala-se dos Vingadores, da S.H.I.E.L.D e até de filmes como o Titanic, de James Cameron.
Tudo isso compõe, digamos, um quadro. Fornece um charme. Mas a história mesmo é de paternidade. Paul Rudd veste o uniforme do Homem-Formiga, e você sabe (o filme explica) que a capacidade de aumentar e diminuir de tamanho, incorporando poderes, está ligada aos experimentos do cientista Michael Douglas com átomos. Ele desenvolveu um método de alterar a distância entre os átomos e isso leva à variação de tamanho. Ela é perigosa - depende de um uniforme, e de um capacete, que vai neutralizar os efeitos lesivos dessa compressão/elasticidade no cérebro.
‘Violando códigos’
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| Homem de Ferro? Não, Homem-Formiga |
Na abertura do filme, o jovem Michael Douglas descobre que alguns empresários mal-intencionados querem se apossar de sua fórmula. Abandona a empresa e se isola. Corte para os dias atuais.
Scott/Paul Rudd está preso por ter bancado o Robin Hood, violando códigos de segurança de um conglomerado para devolver todo o dinheiro roubado aos pobres.
Justamente essa habilidade de ladrão o leva a ser convocado por Douglas para violar os códigos de segurança da antiga firma (na qual ainda trabalha sua filha, aparentemente associada ao vilão que prossegue com as pesquisas de Douglas, mas precisa do uniforme (do capacete) do seu Homem-Formiga).
Tal é a trama geral – Rudd, transformado em Homem-formiga, precisa roubar algo vital do laboratório do vilão. E o vilão precisa roubar seu uniforme.
Só que o uniforme não explica todos os poderes de Rudd. Ele consegue se comunicar com as formigas, inclusive voadoras, e elas formam um exército a seu serviço.
Formigas não são individualistas.Trabalham em grupo. Por mais que iniciativas individuais sejam necessárias e bem-vindas em momentos pontuais de O Homem-Formiga, a força do filme está no coletivo.
Num mundo cada vez mais individualista, a força da Marvel está na celebração do coletivo – dos Vingadores à união de Rudd, Douglas, Evangeline Lilly (a filha) e as formigas.
O tema, a tragédia do filme, é familiar. Passa pelo desejo de Rudd de se converter, aos olhos da filha pequena, no herói que ela pensa que ele é, e no de Douglas de também recuperar a estima de Lilly.
O Homem-Formiga é grande diversão. Sem a ambição cósmica que anima alguns de seus predecessores.