09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Pobre Língua Portuguesa

Aureo Antonio Ernica
| Tempo de leitura: 2 min

Pessoas que se investem de algum destaque no cenário nacional, vez que outra dão-se o direito de criar aberrações que afrontam o vernáculo. É o caso da mandatária da nação que insiste no ridículo de ser chamada de presidenta, palavra que não existe em nosso idioma. Tão ridículo quanto isso foi a criação da palavra feminicídio, sancionada por dona Dilma, outra afronta à pobre Língua Portuguesa.

     

Procure-se em qualquer dicionário e ver-se-á que nenhuma das duas palavras destacadas acima existem. Sancionada a lei, a imprensa falada, escrita e televisada começa a usá-la, apesar de ser algo estapafúrdio. Rui Barbosa deve revirar-se no túmulo. Se matar uma mulher é feminicídio, por analogia matar um homem teria que ser masculinicídio. Ou estou errado? Se homicídio passa a ser usado apenas para quando se mata um homem, então matar uma mulher deveria ser mulhercídio, ou novamente estou errado? Dever-se-ia ter mais critério e cuidado ao fazer uso de termos que não condizem com a real linguística vigente. Neologismos podem até vir a existir, mas desde que tenham o mínimo de bom senso e coerência.


O ex-ministro Magri criou o imexível, que foi alvo de muito deboche. Hoje o deboche fica por conta do presidenta e agora, para os mais cultos, também para esse infeliz neologismo mulhercídio. Pelo amor de Deus, vamos tomar cuidado com a comunicação. Nossa população já tem um nível de escolaridade que deixa a desejar. Não vamos confundir e desinformar ainda mais. Chega o tanto de palavras que mexeram com a cabeça das nossas crianças há não muitos anos quando a então apresentadora Xuxa desvirtuou tantas palavras, trocando o CH por X, em virtude do próprio codinome. Quantas crianças escrevem errado até hoje essas palavras que ficaram cristalizadas em suas cabecinhas.

Lendo o que nossos jovens escrevem, ficamos pasmos com os tantos erros de grafia que cometem, pois hoje não se escreve mais nas escolas e, com o uso dos computadores, tablets e outros, os erros de português são corrigidos automaticamente pela máquina e quem está escrevendo nem se dá conta. Que tal sermos mais criteriosos e deixar de lado termos que afrontam o nosso idioma. Mataram uma mulher... homicídio, que é o ato de matar alguém, independente do sexo. Outro termo que a mídia grotescamente usa, inclusive os jornais das grandes redes de televisão (não vou citar nomes), é dizer suicidou-se. Hora, o que é suicidar?


Suicidar é matar a si mesmo. Então quando se diz suicidou-se está sendo dito fulano se matou-se. Há que se ter mais cuidado quando se escreve algo que vai atingir o grande público para que não se tornem habituais muitas distorções da Língua Portuguesa. Parafraseando um comentarista que até há pouco tempo aparecia em uma emissora de televisão local - “E tenho dito”.