De fato, é uma nação aonde o relógio anda para trás...
Quando você pensa que o mal se foi, que ele passou com o calendário, eis que o que é podre, mau, ruim, injusto, abjeto e neandertal, negativo e grotesco lá está, ressurge, e aqui onde o pasto para a corrupção é bom, com força e vigor. Collor de Mello voltou!
Constrangedora de fato, além de invasiva nos dias atuais, isto sim, é esta ainda existência política de um nefando Collor de Mello no atual cenário nacional, que novamente nos esbofeteia a moral e a vergonha na cara de todos os brasileiros honestos e de memória desta nação, sejam eles da esquerda, ao centro ou a direita de qualquer matiz político que se pretender a sério!
Para quem viu e viveu o movimento que o retirou do poder nos anos 90 (o ‘Fora Collor’), dada a sua megalomania, arrogância e sordidez, sua incúria, é simplesmente insuportável reencontrar hoje nas páginas dos jornais este personagem novamente envolvido em escândalos de corrupção e que ainda sobrevive na política porque nossa Constituição Federal (hiper-rígida e prolixa) é falha, sendo entre tantos outros azares fruto do medo (dos militares que temiam o desmembramento do Brasil em vários países e ali fizeram pressão) e do olhar sobre o passado (medo dos militares por parte dos deputados de esquerda) quando de sua formulação e portanto desprovida da coragem, liberdade e responsabilização individual enérgica como é da destemida, maravilhosa e sucinta constituição dos EUA, cujo o olhar foi o futuro, quando de sua escrita.
A brecha para aproveitadores estava dada e Collor foi só primeiro e “Lulla” é sua segunda expressão. Ali, naqueles anos de 87/88, os constituintes, grande parte composta de ex-exilados políticos de esquerda (comunistas e socialistas), não quiseram o banimento total dos direitos políticos de quem porventura em cargo executivo e legislativo sendo processado, viesse a ser condenado por meter a mão no que é do povo e do Brasil, pois não desejavam se assemelhar ao ‘malvados’ militares que baniam totalmente os direitos políticos individuais quando do regime militar... Taí o resultado! Eleito novamente por Alagoas e com ajuda do PT, a cobra voltou. Eis que o homem que teve seus direitos políticos cassados retornou ao noticiário com o que ele melhor sabe fazer, ou seja, furtar o que é público, e isto cedo ou tarde restará provado no tocante ao possível envolvimento deste tipo no estupro dos cofres da Petrobrás, hoje transformada em ‘Peteobrás’.
Aliás, Collor não existiria novamente sem o prestimoso neo-amigo Lulla da Silva, que convenceu o PT em Alagoas que seria “estratégico” aliar-se a Collor, então candidato ao Senado, após este recobrar seus direitos políticos, óbvio, após fazerem as pazes, pois Lulla não economizava nos palanques em ‘elogios’ à genitora de Collor... Hoje são amigões, como bem declarou Lulla em entrevista alguns anos atrás. O mundo dá voltas mas anda. Mas e aqui? Aqui dá voltas, sim, mas andando para trás e revolta o estômago mais forte com o seu mix de circo e hospício onde se no passado nós éramos governados por um bufão egocêntrico defenestrado do poder por roubar um fiatizinho Elba, hoje por uma rainha louca que saúda mandiocas!
Mas se servir de consolo ao vaidoso e gabola senador alagoano, comparado a alguns petistas de grife, de alta cúpula (outros mais virão), alguns já igualmente condenados pelo mesmo crime de corrupção que custou ao então presidente Collor o poder, o referido senador não passa de um reles “ladrão de galinhas’’...