10 de julho de 2026
Polícia

Mulher é suspeita de ocultar corpo da própria mãe por quatro meses

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Corpo de Natalina Costa da Cruz estava ocultado em sua própria casa, no Pousada, há vários meses
Divulgação
Descoberto pela Polícia Civil, corpo estava em um colchão com velas e incensos para amenizar o odor; casa estava trancada

Uma história tão macabra quanto inacreditável deixou moradores e autoridades policiais espantados na tarde dessa sexta-feira (17), no bairro Pousada da Esperança, em Bauru. Uma mulher de 56 anos é suspeita de ter escondido o corpo da própria mãe para, possivelmente, continuar recebendo a aposentadoria da mulher, que morreu aos 84 anos.

Por se tratar, contudo, de crime de menor potencial ofensivo, Alzira Costa Cruz seguirá respondendo a inquérito em liberdade. O corpo da idosa, Natalina Costa da Cruz, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

A suspeita é de que o cadáver estivesse ocultado há, pelo menos, quatro meses. Em avançado estado de decomposição, o corpo estava dentro do quarto da vítima, em um colchão no chão, coberto por uma colcha e cercado por talco, cremes perfumados e incenso.

A porta do imóvel, localizado na quadra 4 da rua Vasco Pompermaier, era protegida por grades e estava trancada com cadeado pelo lado de fora. Logo na entrada, assim como nas demais portas da casa, foram dispostos pedaços de plástico e pano, possivelmente na tentativa de impedir a dissipação do odor para fora do imóvel.

Toda a cena digna de filmes de terror só foi descoberta na tarde de ontem, após uma equipe do Programa Saúde da Família (PSF) tentar, pela manhã, uma nova visita à idosa, que era diabética e demandava cuidados médicos. Segundo os profissionais relataram à polícia, o último contato estabelecido com a paciente foi há cerca de cinco meses.

“Em conversa com uma vizinha, a informação de que a senhora não era vista há muito tempo foi reforçada. Esta moradora, então, decidiu chamar a Polícia Militar”, comenta o delegado plantonista Mário Henrique Ramos.

Os militares foram até a casa de Alzira, localizada ao lado da de Natalina. A mulher informou que a mãe estaria morando com outro filho em São Paulo desde abril e que não seria possível estabelecer contato com os parentes. Em diligências, os policiais conseguiram localizar uma irmã da idosa, moradora do Núcleo Gasparini, que revelou não conseguir encontrar a aposentada nas diversas vezes em que foi até sua residência.

“Esta irmã contou que a Alzira nunca autorizava a entrada dela na casa, ora dizendo que a mãe havia saído, ora que estava dormindo”, detalha o delegado. Ainda diante dos PMs, esta familiar telefonou para os parentes em São Paulo, que garantiram que Natalina não os visitava há muitos anos.

Contradições

Na ligação, o filho da idosa acrescentou, ainda, que vinha depositando, periodicamente, dinheiro em uma conta bancária para que Alzira cuidasse da mãe, como forma de complementar o benefício da aposentadoria que Natalina recebia. Diante das contradições, a PM decidiu encaminhar Alzira à Central de Polícia Judiciária (CPJ) para registro de boletim de ocorrência de desaparecimento.

“Como tinham muitas informações desencontradas nos relatos, achei melhor ir até o local”, conta o delegado. Com a anuência da irmã de Natalina, a equipe entrou na casa, acionou um chaveiro para abrir o cadeado e, ao entrar no quarto, descobriu o corpo em decomposição.

“A filha disse que não sabia de nada, que acreditava que a mãe estava em São Paulo, versão que é bastante frágil diante das evidências”, pontua. O boletim de ocorrência foi registrado na CPJ como morte suspeita e ocultação de cadáver.

Investigações

A Polícia Civil ainda trabalha para descobrir se Natalina Costa da Cruz morreu de causas naturais ou se sofreu algum tipo de violência, provocada por lesões ou envenenamento. O resultado do laudo necroscópico deve ficar pronto dentro de 15 dias e o toxicológico, em 45 dias.

As investigações também seguirão em direção à movimentação da conta bancária da idosa, para desvendar se o benefício da aposentada vinha sendo sacado e por quem. “A única certeza que temos é de que a Alzira sabia que a mãe estava morta. Agora, resta saber se a motivação de ocultar o cadáver foi dinheiro, já que ela estava desempregada, e se, inclusive, ela contribuiu para a morte da mulher”, pondera o delegado Mário Henrique Ramos.