10 de julho de 2026
Articulistas

Felicidade: quem colocou essa ausência em mim?

Wellington Martins
| Tempo de leitura: 1 min

O filósofo Agostinho de Hipona diz que felicidade é um querer. A vida feliz é um desejo humano do qual ninguém escapa. Nessa busca ou, poderíamos dizer, nesse sofrimento do querer a felicidade, todos somos um, todos estamos unidos. Mas por que o ser humano sofre por essa falta? Por que ele sofre por essa ausência? Obviamente que as outras formas de vida, como os animais ou os vegetais, não se angustiam no desejo ou na busca de algo que se possa chamar de felicidade.

 

A felicidade que nós, seres humanos, queremos é um desejo complexo, racional, mas talvez seja ainda mais íntimo que isso. Agostinho diz que há uma sede de alegria, de prazer e de paz no ser humano. Essa sede só pode ser saciada pelo próprio Ser que a colocou dentro de nós! Por isso, se não buscamos a satisfação de viver nesse Ser, então caímos no caminho oposto ao caminho que realmente pode nos fazer felizes.

Ou seja, por ignorância ou por egoísmo, nós podemos tentar buscar uma felicidade que realize a nossa vida em coisas que, no fundo, nos angustiam cada vez mais. O filósofo, enfim, diz que o amor é a água que pode saciar a nossa ausência de felicidade. O amor é a resposta última para a nossa dúvida essencial diante da vida.


Quanto mais nos afastamos do amor a nós próprios, que somos corpo e alma, mais nos afastamos de uma vida feliz.


Quanto mais lutamos contra o amor às pessoas que vivem ao nosso redor (nossa família, amigos etc.), mais vazios de felicidade nós nos tornamos. Em todo caso, Agostinho afirma: quanto mais tentamos resistir ao amor que vem do Autor da vida, menos felicidade experimentamos nesta vida e, ainda, menos esperança teremos na vida eterna.


O autor é formado em filosofia