| Fotos: Douglas Reis |
| Célio Souza confessou o crime; ao lado, faca utilizada |
Uma suposta traição teria motivado um homem de 42 anos a matar a companheira, de 31, com facadas no pescoço. O caso foi registrado pelo delegado plantonista Frederico José Simão como feminicídio, o segundo de Bauru em apenas nove dias. O primeiro ocorreu no Jardim Petrópolis, contra a aposentada Antonia Fernandes da Silva, morta pelo ex-namorado com cinco tiros – três deles na cabeça.
De acordo com boletim de ocorrência (BO), Marina Pereira dos Santos foi localizada por volta das 5h desse sábado (18) caída sobre a calçada com ferimentos de faca no pescoço, na quadra 1 da rua João Plana, Vila Santa Luzia.
O acusado, Celio Olegário de Souza, 42 anos, foi preso na tarde do mesmo dia e confessou ter cometido o crime motivado por briga em razão de uma suposta traição da companheira.
Um morador do bairro disse à polícia que, durante a madrugada, teria ouvido uma discussão na rua, mas optou por não sair de casa para ver o que estava acontecendo porque. A testemunha dosse que é comum ocorrer brigas no local, bastante frequentado por usuários de drogas.
Quando acordou, o morador se deparou com a vítima e contou que havia muito sangue pelo chão. Ele acionou uma Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros e a mulher foi levada até o Pronto-Socorro Central (PSC), mas não resistiu aos ferimentos.
De acordo com o tenente da PM Gustavo Barbosa, com as características do acusado, uma vez que já havia a suspeita de ser o companheiro da vítima, equipe da 4ª Companhia iniciou diligências e localizou Souza próximo a uma padaria no bairro Bauru 2000, por volta das 13h30 desse sábado.
Questionado, ele confessou o crime e disse que a matou após ter conhecimento de que ela o estaria traindo. “Ele alegou que, durante a discussão, levou dois tapas no rosto. Foi quando pegou a faca e a matou”, contou o tenente Barbosa.
Souza, que segundo a PM não tem passagens pela polícia, foi levado à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde o delegado Frederico registrou o caso como feminicídio. “A nova lei discrimina como feminicídio atos de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. E os dois eram coniventes”, disse.
Se for condenado, Souza pode cumprir pena de 12 a 30 anos.
Mais cedo...
Em um período de apenas cinco horas foram registrado dois assassinados em Bauru. Por volta das 23h30 de sexta-feira, Diogo Nascimento Cassemiro foi encontrado em um barraco de madeira, localizado no Parque Jaraguá.
Próximo do imóvel foram encontradas várias capsulas espalhadas pelo chão. Já o rosto do jovem estava totalmente desfigurado, uma vez que, segundo a polícia, ele foi alvejado por diversos disparos de calibre 38 na cabeça.
As suspeitas são de que a disputa pelo controle de uma “biqueira” teria motivado o crime. Até o fechamento desta edição, contudo, ninguém havia sido preso.
Conforme apurou a reportagem do JCNET no local, Diogo Cassemiro era casado e tinha três filhos menores, de 3 e 2 anos e uma de 10 meses.
Os dois casos, respectivamente, podem ser o 13.º e 14.º homicídios registrados somente neste ano em Bauru, já que ainda não saiu o laudo de um corpo encontrado em decomposição, também no Jaraguá, no dia 26 de junho.
Entenda
O crime de feminicídio passou a ser considerado hediondo após a presidente Dilma Rousseff sancionar, em março deste ano, a lei 8.305/14, que modifica o Código Penal e inclui o crime entre os tipos de homicídio qualificado.
O texto prevê o aumento da pena em um terço se o assassinato acontecer durante a gestação ou nos 3 meses posteriores ao parto; se for contra adolescente menor de 14 anos ou adulto acima de 60 anos ou, ainda, contra pessoa com deficiência. A pena é agravada também quando o crime for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima.