08 de julho de 2026
Geral

Nova lei pode tirar até 80% das vans escolares das ruas

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Fotos: Douglas Reis
Carreata em protesto contra as mudanças percorreu as diversas vias da cidade e Ariovaldo explica que terá de tirar metade dos bancos para adaptar sua van

A carreata em protesto contra a padronização nacional dos veículos e obrigatoriedade do uso das cadeirinhas nos coletivos escolares - esta última já regularizada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) -  reuniu cerca de 25 veículos (entre vans e micro-ônibus escolares), na manhã dessa sexta-feira (18), em Bauru.

A proposta tramita entre as comissões da Câmara dos Deputados e não há data prevista para votação dos parlamentares. No entanto, caso seja aprovada a nova lei, pelo menos 80% da frota deixará de existir no município. Como resultado faltará vagas para os alunos e encarecerá o serviço.
A constatação foi apresentada pelo presidente do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região, Vitor Moreira Tallão. De acordo com o sindicalista, a cidade contabiliza cerca de 140 veículos de transporte escolar.

Deste total, quase 80% são vans, justamente o meio de locomoção de estudantes mais vulnerável à proposta do governo federal, uma vez que o projeto vai usar como base o padrão americano, com ônibus maiores e amarelos.

“A média de valor de uma van nova é de R$ 100 mil. Já o micro-ônibus padronizado, de acordo com o que prevê a nova lei, está em torno de R$ 220 mil. Acontece que o governo não oferece linhas de isenção na compra e as linhas de créditos foram suspensas. O que o pessoal vai fazer com as vans? Terão que abandonar o exercício”, lamenta Vitor Talão.

Faltará vagas

O presidente do sindicato observa que faltará transporte para os cinco mil alunos (entre as redes de ensino municipais, estaduais e particulares de Bauru), transportados diariamente por vans e micro-ônibus escolares em atividade na cidade. “A gente calcula que só 20% dos que atuam hoje consigam se adequar. Isso significa que nem metade dos estudantes terão vagas”.

Há três anos, Ariovaldo Quintiliano da Costa, 53 anos, atua como transportador escolar. Ele teme a aprovação da lei, uma vez que não terá condições de se adaptar ao novo padrão sugerido pelo governo. “Terei de abandonar a profissão com a qual sustento minha família”.

Ele garante que transporta em total segurança os passageiros. Porém, se tiver que instalar o bebê conforto, irá perder muitos lugares na van. “A cadeirinha ficaria alta e, com isso, tornaria mais perigoso o transporte. Sem contar que seria necessário tirar metade dos bancos para instalá-las”, explica.  

Estados Unidos

A transportadora escolar Silmara Guarnetti, 44 anos, critica a exigência de um padrão fora da realidade do País. “Querem colocar nas ruas ônibus no estilo norte-americano. Não somos os Estados Unidos. Já estamos em crise e muita gente vai perder o emprego. Um absurdo”, critica Silmara.