10 de julho de 2026
Bairros

Completando quatro anos, Ecopontos se popularizam em Bauru

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 12 min

João Rosan
Para se ter uma dimensão, o material reciclável recolhido na coleta seletiva, e destinado às cooperativas, equivale a apenas 3% do total diário que vai para o aterro sanitário

A Prefeitura de Bauru inaugurou o primeiro Ecoponto da cidade há exatos quatro anos, em julho de 2011, nas imediações do Viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, que liga a continuação da Avenida Duque de Caxias às vilas Falcão e Independência. Desde então, outros seis Ecopontos foram entregues, e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) ainda pretende inaugurar outros quatro até o final de 2016.

Conceito que já existe em outros países, os chamados Ecopontos são locais para descarte de materiais recicláveis e também de produtos que oferecem risco ambiental, como pilhas, baterias, óleo de cozinha, pneus e pequenas quantidades de entulho. Na cidade de São Paulo, por exemplo, existem dezenas de Ecopontos, e em cidades do interior, como Rio Claro e Bauru, a difusão destes locais tem ocorrido de maneira relativamente rápida, com boa aceitação da população.

 Alex Mita
Lázara Gazzetta: desafio é diminuir a quantidade de lixo que chega ao aterro sanitário

Em Bauru, a expansão começou no final do primeiro mandato do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), e prosseguiu nesta segunda gestão, que termina em dezembro do próximo ano. A Semma, desde fevereiro sob o comando de Lázara Gazzetta (PV), tem o desafio de reduzir ainda mais a quantidade de lixo que chega ao já saturado aterro sanitário do município, e a própria pasta admite que isso passa pela popularização dos Ecopontos e pela ampliação da coleta seletiva, aliada à educação ambiental dos bauruenses.

Parte da população já adere aos Ecopontos, porém muita gente ainda descarta de maneira inadequada o lixo, tanto o orgânico (cuja coleta é feita em 100% da cidade, três vezes por semana) e o reciclável (que além dos Ecopontos, tem mais de 80% da área urbana coberta pela coleta seletiva). Para se ter uma dimensão, o material reciclável recolhido na coleta seletiva, e destinado às cooperativas, equivale a apenas 3% do total diário que vai para o aterro sanitário, ou seja, por dia Bauru coleta apenas nove toneladas de lixo reciclável, contra 300 toneladas de material que vai para o aterro sanitário – na conta, não entram os recicláveis recolhidos nos Ecopontos, que também seguem para as cooperativas. Porém, parte dos resíduos que vão para o aterro poderiam ir para as cooperativas, se mais gente separasse o lixo reciclável.

Destinação

Ao longo dos últimos quatro anos, desde quando implantou o primeiro Ecoponto, a Semma encarou o desafio de divulgar de maneira ampla o sistema de recolhimento de recicláveis e outros tipos de objeto (leia mais abaixo). A pasta publica os endereços no site da prefeitura (https://www.bauru.sp.gov.br), e conta com a divulgação espontânea da mídia local. Nas páginas 2 e 3, um mapa traz os endereços dos sete Ecopontos de Bauru, e também do Ecoverde.

Os Ecopontos ocupam uma área relativamente pequena, e são compostos por um pequeno espaço coberto e um contêiner habitável, onde fica um sanitário e um miniescritório, para uso do funcionário da prefeitura que passa o dia no local. Neste espaço também é feito o controle do material que chega. Os resíduos são depositados conforme o tipo: material reciclável (papel, plástico, metal), entulho, lâmpadas, óleo de cozinha, etc.

Aquilo que não será mais aproveitado acaba indo mesmo para o aterro sanitário. Os recicláveis vão para as cooperativas, enquanto as lâmpadas seguem para a Emdurb, que faz a descontaminação – cada pessoa pode levar até 30 lâmpadas nos Ecopontos. Os pneus são recolhidos por uma associação de São Paulo que recicla o material, enquanto o entulho é levado pela Semma até a Asten, associação responsável pelo setor.

Ecopontos

Posso Levar
Pequenas quantidades de entulho (até 1m³ a cada 120 dias), madeira, plástico, metal, vidro, papel, papelão, móveis, eletrodomésticos, pilhas, baterias, lâmpadas, óleo de cozinha e pneus.

Não Posso Levar
Grandes quantidades de entulho de construção (mais de 1m³), lixo doméstico, lixo hospitalar ou de serviços de saúde (dentistas, clínicas veterinárias, clínicas estéticas etc) e lixo industrial.

Expansão é objetivo a curto prazo

Próximo Ecoponto será no núcleo Octávio Rasi e outros três estão previstos até o final de 2016 em bairros que serão definidos pela Semma

Malavolta Jr.
Mesmo com Ecopontos, há quem descarte lixo e entulho em lugares inadequados, como a estrada de acesso do Jardim Chapadão

Para os próximos 18 meses, a meta da Semma é levar os Ecopontos a mais regiões da cidade. Bairros como Bela Vista, São Geraldo e Vista Alegre, por exemplo, ainda não tem um Ecoponto. O próximo bairro da cidade a ser contemplado é o Núcleo Octávio Rasi. “Estamos trabalhando para inaugurar um Ecoponto no Octávio Rasi até agosto. É uma área da cidade que está distante dos pontos já existentes. Depois, ainda queremos abrir mais um neste ano, mas o local não está definido, vai depender de estudos aqui na Semma. Bairros como Vista Alegre e São Geraldo estão entre os que podem receber, pois ainda não há Ecoponto perto”, detalha a secretária municipal de Meio Ambiente, Lázara Gazzetta.

Para 2016, a titular da Semma adianta que outros dois Ecopontos estão previstos, o que totalizaria onze ao final do governo de Rodrigo Agostinho. A diminuição do volume de lixo doméstico que é levada ao aterro sanitário está entre as propostas que a prefeitura apresentou à Cetesb, em junho, e ampliar o número de Ecopontos e reestruturar a coleta seletiva, com a aquisição de mais caminhões, é uma das prioridades da pasta, cita Lázara.

Durante as visitas da equipe do JC aos Ecopontos, boa parte dos usuários eram homens adultos, e todos levavam os resíduos de carro, o que reforça a necessidade de mais Ecopontos serem instalados, para atingir uma parcela maior da população – sobretudo aqueles que não possuem veículos automotores – e também a importância da Semma ampliar a coleta seletiva nos bairros onde esta ainda não acontece.

Vandalismo e horários

Apesar de uma redução de registros nos últimos meses, os atos de vandalismo seguem preocupando a Semma. Há cerca de 50 dias, por exemplo, o alambrado do Ecoponto da Sorocabana (embaixo do Viaduto Antônio E. de Toledo) foi roubada. O local já sofreu também com incêndios. Outro problema registrado é que parte da população deixa lixo fora do horário de funcionamento, no entorno dos Ecopontos.

A situação ocorre diariamente, mas agrava-se aos finais de semana, dando muito trabalho aos servidores da Semma que cuidam dos Ecopontos – até lixo orgânico é depositado fora de horário, sendo que para este tipo de resíduo há coleta três vezes por semana em toda a cidade.

Os Ecopontos funcionam de segunda a sábado, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Ampliar este horário é inviável no momento, comenta Lázara Gazzetta. “No futuro é algo que pode sim ser analisado. Mas como demanda custo com horas extras e o país vive um momento de desaceleração econômica e a própria prefeitura está controlando as horas extras, então agora não dá para fazer isso. Porém, os horários em que os Ecopontos já funcionam permitem que boa parte das pessoas possam ir até lá”, conclui.

Pioneiro

João Rosan
Morador do Bela Vista, Everson Goya entrega lâmpadas ao funcionário da Semma Joaquim Francisco Vieira, no Ecoponto da Sorocabana

O primeiro Ecoponto inaugurado em Bauru, em julho de 2011, chega a receber 60 pessoas por dia, segundo o servidor da Semma responsável pelo local, Joaquim Francisco Vieira. Ele diz ainda que aproximadamente 60 lâmpadas são recolhidas diariamente. Os números diminuem em dias frios ou chuvosos, afirma.

Na região central da cidade, embaixo do Viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, o Ecoponto ‘pioneiro’ acaba atraindo pessoas de várias regiões de Bauru.

O bancário Everson Goya, 38 anos, foi até lá para descartar lâmpadas e entulho. “Fiz uma reforma em casa, contratei uma caçamba, mas depois sobrou um pouco de entulho, aí trouxe aqui. Também tinha algumas lâmpadas que há algum tempo estavam  em casa e já aproveitei para deixar no local correto. Eu sabia que existiam os Ecopontos, mas não tinha o endereço, aí peguei pelo site da prefeitura”, aponta o morador do Jardim Bela Vista.

Movimento

Alex Mita
O aposentado Marcos Antonio Minto e o vendedor João Carlos Zaguis vão com frequência ao Ecoponto do Parque Viaduto

Dos Ecopontos visitados pela reportagem, o do Parque Viaduto era um dos mais movimentados, com descarte de material durante boa parte do tempo. Uma das pessoas que fazia o descarte ali era o aposentado Marcos Antonio Minto, 64 anos, morador do Residencial Shangri-lá. “Tudo que eu não uso em casa trago para cá, é o Ecoponto mais fácil para mim. Na semana passada mesmo trouxe algumas luminárias. Tudo que não dá para ir na coleta reciclável eu deixo aqui. Mas eu ainda não conheço muita gente que faz isso, de trazer no Ecoponto”, relata.

Horários

Os Ecopontos de Bauru ficam abertos de segunda a sábado das 8h às 12h e das 13h às 17h

Quem também estava no Ecoponto do Parque Viaduto era o vendedor João Carlos Zaguis, 48 anos. “Tudo que sobra em casa e não dá para colocar na coleta seletiva eu trago aqui. A coleta seletiva passa uma vez por semana e a gente separa o que pode ser levado, o que não é possível, deixo aqui. Os meus vizinhos eu sei que vários conhecem e também trazem material no Ecoponto”, afirma Zaguis.

De longe

Alex Mita
Silvia Muller mora no Bela Vista e como em seu bairro não tem Ecoponto, ela teve de ir ao Mary Dota

A professora Silvia Muller, 51 anos, mora no Jardim Bela Vista, mas como na região não há Ecoponto, ela acabou recorrendo ao do Mary Dota/Bauru 2000. “É a primeira vez que eu venho trazer material no Ecoponto. No Bela Vista não tem, mas era um lugar que poderia receber, pois tem vários bairros ali”, comenta.

No Ecoponto do Mary Dota, a reportagem constatou lixo e entulho jogados na calçada, e que estavam sendo recolhidos por Cláudio Alves, servidor da Semma que cuida do espaço. Ele lamentava que parte da população ainda jogue o lixo fora do horário de funcionamento dos Ecopontos, situação que, segundo o funcionário, se agrava às segundas-feiras, quando logo pela manhã há maior volume de lixo espalhado.

Ecoverde

Alex Mita
Enquanto Roberval Serrano levou entulho ao Ecoponto do Bauru 16, Juliano César de Souza deixou material reciclável

Em janeiro, a Semma inaugurou a primeira – e por enquanto única - unidade de Ecoverde em Bauru. Trata-se de um local que recebe pequenas quantidades de galhos de árvores, boa parte resultante de podas. Até o fim do ano, a prefeitura estuda instalar mais um Ecoverde, possivelmente na região sul. “Há uma demanda grande dos condomínios, e agora estamos analisando a possibilidade de implantar mais um Ecoverde nesta área. Mas antes, precisamos comprar mais trituradores, estamos licitando. Temos só um, e com essa licitação serão mais quatro, permitindo abrir um novo ponto, e com reserva de triturador, para o caso de algum quebrar, até que seja consertado”, explica Lázara Gazzetta, titular da Semma.

O material resultante da trituração forma uma compostagem que, em parceria com a Secretaria de Agricultura (Sagra), é levada aos assentamentos, para uso na agricultura. Segundo a secretária, o resultado já é percebido. “Cerca de 60% da demanda do Ecoverde vem de pessoas físicas, de particulares, e já notamos que houve uma diminuição da quantidade de galhos de árvores jogados em terrenos, áreas públicas e beiras de estrada”, salienta.

Outra possibilidade que a Semma pretende implantar, a médio prazo, é que os atuais Ecopontos também se tornem locais de coleta de galhos, que depois seriam levados pela pasta aos Ecoverdes para trituração.

Material recolhido

Janeiro a junho de 2015 – soma dos 7 Ecopontos

Material reciclável – 348.044 kg
Lâmpadas fluorescentes – 26.104 unidades
Madeira – 497.458 kg
Pneus – 2.667 unidades
Resíduos de construção civil (entulho) – 2.688 metros cúbicos
Volumosos – 3.150 unidades, sendo dois armários de aço, 59 armários de madeira, 27 camas, 128 colchões, dois fogões, 75 guarda-roupas, 232 sofás, 14 mesas, entre outros

Óleo de Cozinha – 32 litros
Rejeitos (não dá para reaproveitar, vai para o aterro) – 388.640 kg

Contraste

Alex Mita
Rotina: o funcionário Cláudio Alves, da Semma, recolhe entulho que foi deixado fora de hora em frente ao Ecoponto do Mary Dota/Bauru 2000

Em um dos Ecopontos, no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), o cenário de consciência de quem utiliza o local contrasta com o entulho que é jogado irregularmente a poucos metros, na região do bosque do bairro. O bom exemplo vem de pessoas como o calheiro Roberval Serrano, que mora no Pousada da Esperança, e estava ajudando a transportar pequena quantidade de entulho de uma obra na casa de seu pai, no Nova Esperança. “Ele fez uma pequena reforma e o que sobrou de entulho, que é pouca coisa, estamos trazendo no Ecoponto. É uma iniciativa boa, assim a gente tem como destinar isso em um local correto. No bairro onde eu moro, que é o Pousada da Esperança, não passa coleta seletiva, mas eu levo no Ecoponto que tem lá”, detalha.

O conferente Juliano César de Souza também foi ao Ecoponto do Bauru 16 para deixar material reciclável. “Eu moro no Jardim Prudência, então este é o mais perto para mim. Lá não passa o caminhão da coleta seletiva, então acabo deixando aqui no Ecoponto a cada 15 dias ou uma vez por mês, quando junta uma certa quantidade”, pontua.

João Rosan
André Simões aproveitou o Ecoponto mais próximo de sua casa para levar um vaso que não era mais usado

Boca a boca

No Ecoponto do Redentor/Geisel, o estudante André Simões deixou um pequeno vaso. “Sempre morei nesta região da cidade, perto da avenida Cruzeiro do Sul, mas mudamos de casa recentemente e vim trazer um vaso. Soube que tinha um Ecoponto aqui por meio de um pedreiro que fez um serviço para a gente e que já tinha trazido material aqui. Minha mãe costuma separar o lixo reciclável, que a gente traz para cá, e eu separo entulho, quando sobra de alguma coisa que mexe em casa. Das pessoas que eu conheço, a maioria ainda não está habituada a vir nos Ecopontos”, menciona.