08 de julho de 2026
Articulistas

Chefia e liderança

Sidney Aguiar e Cristiano Borin
| Tempo de leitura: 2 min

Diz um ditado empresarial: “Quem tem chefe é índio e quem tem líder, tem uma tropa de guerra”. Muito embora as palavras pareçam equivalentes, há na interpretação do contexto uma larga diferença entre ambas, ao ponto de estarem bem distantes uma da outra. Essas diferenciações de interpretação dos sentidos das palavras são expressadas pelas maneiras e formas diferentes não só do uso, mas também da relação posicional dentro da gestão empresarial.


As empresas mais modernas do mundo perceberam essas diferenças e trataram logo de implementar políticas em relação a essas duas palavras que de certa forma causam certos embaraços nos meios corporativos. A chefia significa a grosso modo estar atrelada a um sistema de gestão ultrapassado, que remete muitas mentes conhecedoras de políticas corporativas modernas lembrar daqueles agentes autoritários, ranzinzas e que só as opiniões deles prevaleciam.


Já a liderança é o conceito moderno de gestão participativa com os sistemas operacionais dos empreendimentos, geralmente são agentes abertos, de fácil relacionamento, no qual o líder exerce um fator de companheirismo e se submete ao diálogo com as bases funcionais. Os grandes gargalos na gestão de processos e qualidade estão intimamente ligados à falta de liderança na gestão intermediária das empresas, causando ambientes desequilibrados, hostis e pouco produtivos.


É evidente que a falta de liderança na gestão intermediária dos empreendimentos é a responsável pela baixa produtividade, falta de interesse e comprometimento dos colaboradores. Alguns comportamentos separam um chefe de um líder: o chefe “manda” fazer, porém não faz, o líder convida a fazer e participa; o chefe apenas observa o trabalho, o líder além de observar, contribui; o chefe não aceita opiniões, o líder pede opiniões. Um líder não precisa necessariamente ocupar um cargo ou estar nas camadas intermediárias ou superiores, com muita frequência encontramos líderes nas bases operacionais, exercendo influência nos processos.


Uma boa liderança é aquela que leva seus superiores e subalternos a um ambiente agradável, que tenha o respeito dos seus pares e sobretudo condiciona o processo produtivo a um nível satisfatório. Outro conceito ultrapassado está no que diz respeito em que os líderes nascem com este dom, o que podemos comparar com bailarinos que já nascem dançando – não existem.


Bons líderes são formados, recebem conceitos através de sala de aula, da observação de outros bons professores durante toda sua carreira, onde passam por um processo de educação teórico-prática, e assim vão se aperfeiçoando.

      

Só se concebem equipes de alta performance com liderança motivadora, de bons exemplos, em que os colaboradores podem se espelhar e confiar. Além do espelho, um comandado bem liderado, muitas vezes almeja chegar lá, seja ocupando um cargo de liderança ou mesmo agindo como tal em sua vida profissional e pessoal, através dos bons valores praticados que se conquistam na sua rotina.

        

Os autores, Cristiano Borin é especialista em gestão de pessoas e Sidney Aguiar é especialista em sustentabilidade e colaborador do JC