Após o encerramento das eleições
de 2014, os partidos políticos juntaram
os cacos e começaram a pensar nos
próximos passos. O PT saiu vitorioso,
mas enfraquecido. A unanimidade de
outrora não mais se constatou na opinião
do cidadão. O outro ente da chave
presidencial, o PMDB, decidiu que não
queria se queimar no incêndio dos
‘companheiros’. Desse modo, logo no
primeiro ano de mandato a dobradinha
começa a rachar.
A situação entre as duas legendas
mostrou-se tensa ao longo do primeiro
semestre de 2015. E tende a piorar.
Na última quarta-feira, o presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
anunciou a ruptura gradual de seu
relacionamento com o PT. A decisão é
política e pessoal e não representa a
posição institucional do partido – ainda.
A luta do deputado, a partir de agora,
será convencer as instâncias decisórias
da sigla para que o divórcio seja geral.
No início deste ano, em propaganda
televisiva, o PMDB já havia insinuado o
rompimento. A pretensão é lançar candidato
próprio em 2018. Nomes? Apenas
dois pretensos: o próprio Cunha e Renan
Calheiros (PMDB-AL). Finalmente, a
principal oposição ao atual governo se
assume - ofi cialmente. No momento,
entretanto, somente o presidente da
Câmara mostrou coragem para seguir
seu coração. Resta saber como será o
relacionamento entre Dilma Rousseff e o
Congresso daqui para frente. Ainda mais
tempestuoso, no mínimo.
Cunha criticou uma suposta “devassa
fi scal” advinda do Planalto e que
existe “um bando de aloprados” na
presidência trabalhando fragilizá-lo na
posição que ocupa. Segundo o deputado,
a denúncia do delator Julio Camargo, na
Lava-Jato, é uma tentativa de incriminá-
-lo. Julio, à época consultor de uma das
empresas investigadas, delatou que
entregou pessoalmente US$ 5 milhões
a Cunha para que os parlamentares
abafassem uma averiguação sobre
contratos assinados no bojo do esquema
de corrupção.
Destarte, essa discussão entre PT
e PMDB prejudica as pessoas comuns.
Muitos vetos têm interesse partidário e
não social. Há discordâncias verdadeiras
também, algo genuíno da democracia.
Enquanto isso, o país está à deriva. Não
há voz confi ável que dê esperanças de um
futuro melhor à nação. Faltam-nos líderes,
embora sobrem políticos. Os encargos
são muitos, os direitos se esfacelam,
os serviços não funcionam. Para mudar
alguma coisa, vai levar muito tempo.
Aguardemos os próximos episódios.