A rádio FM 94, nestes últimos dias,
em seu programa diário “Informasom”,
promoveu uma pesquisa muito interessante
com a seguinte pergunta: “Você
acha que a transformação da Estação
Ferroviária em mercado municipal
poderá interferir no nível cultural de
Bauru?” E a apuração, através do WhatsApp
e outros meios, salvo engano, foi
a seguinte: 83% “não” e 17% “sim”.
Eu me pontuo entre os 17% que
entendem que essa destinação será
prejudicial às artes e cultura geral que
vêm se acentuando ultimamente. Além
do espaço negativo que deixaria, pois já
perdemos uma Delegacia Cultural para
outra cidade, se tal fato acontecer, constituirá
uma incoerência governamental,
pois já tivemos um mercado municipal
que foi transformado no atual Teatro
Municipal e um viável e futuro centro
cultural a transformar-se em mercado.
Em meu entendimento, um mercado
pode ser construído em qualquer local
dependendo exclusivamente de vontade
política e recursos, pois que ao mesmo
os consumidores certamente ocorrerão.
Como exemplos, nós temos os 147
shoppings construídos na cidade de São
Paulo (fonte Folha S. Paulo). No entanto,
história e tradição são intransferíveis, pois
são marcadas pelo tempo e espaço onde
ocorreram os fatos. E a Estação Ferroviária
de Bauru tem sua maravilhosa história
ligada aos trilhos de três ferrovias, a um
majestoso prédio e a milhares de pessoas
que lá trabalharam e de milhões, deste e
de outros países, que pela mesma passaram.
Que não dependa desta mudança
a reurbanização e o movimento naquela
região, pois a cultura também poderá
promovê-los, dependendo de criatividade
e da vontade política.
Devemos seguir outras cidades que
souberam aproveitar as estações que,
infelizmente, as ferrovias deixaram, além
das saudades, como o Teatro São Paulo e
o Museu da Imagem e do Som na capital.
Temos que pensar grande e não pequeno.
E que nesta reforma que está sendo
executada objetivando a consolidação de
um futuro e de fato Centro Cultural, seja
destinado um espaço para a Academia
Bauruense de Letras, que completou 22
anos de existência no dia 3 de julho e até
agora está vivendo de recintos emprestados
para suas reuniões. E sem espaço
para o seu precioso acervo. Academia
que, assim como a história daquele majestoso
prédio cujo destino corre perigo,
mesmo após nossa passagem por este
mundo, continuará viva para sempre.