| Quioshi Goto |
| Sósia do Rei do Futebol, Nicanor Ribeiro Pellè visitou cidade natal dos seus pais e disse que ainda pretende morar por aqui |
“O Pelé é eterno. Eu sou o de terno”. Com tamanha semelhança, é isso que difere, em suas próprias palavras, Nicanor Ribeiro Pellè, de 60 anos, do próprio Rei do Futebol. “E, claro, a renda que ele tem”, brinca o sósia, aos risos. Se já não bastasse ser “cara de um focinho do outro”, mais uma daquelas coincidências que só o destino pode criar: dias após a demolição da conhecida “casa do Pelé”, o Pellè esteve em Bauru exatamente para resolver a pendência em dois terrenos.
Outra semelhança é a ligação com a Cidade Sem Limites. Os pais de Pellè, já falecidos, nasceram em Bauru. Paulistano, ele, contudo, não vinha aqui desde 2006 (bem menos tempo que o Pelé, que não visita a cidade desde 1975). “Mas gosto muito daqui. Inclusive, pretendo vir morar aqui mais para frente”.
Os pais deixaram dois terrenos no Parque Jaraguá. Foi isso que motivou o sósia do melhor jogador de todos os tempos vir de São Paulo, onde reside atualmente, a Bauru na última semana. “Os terrenos estão abandonados. Vou cercar e pretendo construir algo aqui”.
Terreno abandonado do sósia e terreno abandonado do Rei. Conforme o JC noticiou, após longo imbróglio, a conhecida “casa do Pelé”, na quadra 4 da rua Sete de Setembro, no Centro, começou a ser demolida no fim do mês passado para dar lugar a um prédio residencial. “Pois eu nem estava sabendo disso”, surpreendeu-se Nicanor Pellè.
Com muita simpatia, a visita do sósia a Bauru lhe rendeu muitas fotos. Algo que não é novidade na vida dele desde o início da década de 90. “Tiro umas 100 fotos todo dia. Fui descoberto nos Estados Unidos. ‘Please. A picture, please’ (por favor, uma foto, por favor), diziam os americanos. E os japoneses também insistiam em tirar fotos comigo. Foi então que passei a me aprimorar”.
Mas a vida do “craque da semelhança” não foi apenas de flores. Em 1996, ele perdeu o emprego na antiga Telesp e entrou em uma profunda depressão. “Superei a doença quando entendi que podia trabalhar como sósia. Antes, achava que era errado ganhar dinheiro só por me parecer com alguém”. Doença superada no dia 8 de março de 2002, quando ele voltou a se apresentar como sósia do Pelé em um evento do Dia da Mulher e não parou mais até hoje.
Desde então, aprimorou-se muito. Com várias participações em programas humorísticos, foi com o comediante Tom Cavalcante que ele aprendeu a imitar o jeito de falar do craque. No lugar no “entende” tão peculiar usado por Pelé ao fim das frases, usa um “compreende”.
Atleta também
Se o Pelé foi o melhor de todos os tempos com a bola nos pés, Pellè também é um atleta. De qualidade mais modesta, logicamente. O sósia pratica atletismo. “Treino toda terça, quinta e sábado. Sou atleta das ruas”, conta, orgulhoso. Orgulho também de já ter se encontrado algumas vezes com o Rei do Futebol e fazer até trabalhos de dublê para ele. “Quando ele me viu pela primeira vez, olhou bem e disse: ‘você parece o Zoca (Jair Arantes do Nascimento, irmão de Pelé)’”. Pai de cinco filhos (“de sangue, porque, de criação, foram outros dez”) e três netos, Pellè esbanja disposição. Questionado se valeu a pena ter nascido parecido com uma pessoa tão conhecida, ele não tem dúvidas. “Tem gringo que me confunde de verdade. A pessoa me abraça e chora. Isso não tem preço”. Morando atualmente no bairro Vila Medeiros, na Capital, Nicanor Ribeiro Pellè trabalha em eventos com locução e recepções. O site dele é o www.sosiadorei.com.br e o telefone de contato é o (11) 98596-1901. “Pode ligar, compreende?”, brinca o jogador, reproduzindo a voz do Rei.
Peripécias
Entre as várias histórias do sósia, uma delas ele lembra com muito bom humor. Pellè conta que andava por Tatuapé, quando cruzou um ponto onde havia vários surdos-mudos. “Começou uma gritaria. Eles correndo; se emocionando. E como eu ia explicar que era sósia? Foi demais”, relata.