| Éder Azevedo |
| Aproximadamente 100 eletricitários realizaram manifestação em frente à sede da CPFL Paulista |
Eletricitários, servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e funcionários da Justiça Federal estão mobilizados por reajustes salariais em Bauru.
Nessa terça-feira (21), cerca de 100 trabalhadores realizaram manifestação em frente à sede da CPFL Paulista. No mesmo dia, aproximadamente 30 servidores do INSS em greve protestaram em passeata para reivindicar reajuste, melhores condições de trabalho e contratação de mais profissionais. Parados desde segunda-feira (20) à espera de uma decisão do governo federal, funcionários do Judiciário participam de assembleia em Campinas, nesta quarta-feira (22), para definir os rumos do movimento.
A presidente Dilma Rousseff (PT) tinha até a meia-noite dessa terça para decidir se sancionava ou vetava o reajuste dos servidores da Justiça Federal. Aprovado pelo Congresso Nacional no final do mês passado, o aumento, que varia de 53% a 78,5%, de acordo com o cargo, chegou a ser considerado “insustentável” pela chefe da República, na ocasião. Por volta das 21h30, o Supremo Tribunal Federal informou que o reajuste foi vetado por Dilma.
Segundo a funcionária do Judiciário em Bauru Maria Izabel Marques, os percentuais correspondem ao reajuste acumulado desde 2006, último ano em que os servidores receberam reajuste salarial. Em Bauru, a mobilização conta com cerca de 90% de adesão entre os cerca de 50 funcionários do Judiciário federal, conforme aponta Izabel.
“Estamos paralisando em datas pontuais. Na cidade, paramos por mais de dez dias antes da aprovação do projeto pelo Senado. Mantivemos o estado de greve e, agora, paramos de novo”, pontua.
O veto ao projeto seria publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União. Com isso, a categoria se reúne em assembleia nesta quarta, em Campinas, para decidir se entra ou não em greve. Durante os dias em que permaneceram parados, audiências foram interrompidas e atendimentos ao público e a advogados ocorreram de maneira parcial.
INSS
| Divulgação |
| Nessa terça-feira (21), cerca de 30 trabalhadores do INSS realizaram passeata |
Já os serviços do INSS permanecem paralisados devido à greve dos servidores, iniciada em âmbito nacional no último dia 7 de julho. Nessa terça, em Bauru, cerca de 30 trabalhadores realizaram uma passeata, que partiu da Agência da Previdência Social, na rua Azarias Leite, até a gerência do instituto, localizada na rua Rio Branco.
“Tivemos a participação de funcionários de Bauru e da região toda. Na cidade, a adesão chega a 50% e, aos poucos, as cidades menores também estão aderindo à paralisação”, considera Felipe Antonio Neto, diretor estadual e da delegacia regional do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo (Sinsprev).
A categoria reivindica reajuste de 27,6% e incorporação das gratificações vinculadas à produtividade, bem como melhores condições de trabalho e contratação de mais funcionários. Devido à paralisação, apenas os serviços já agendados e perícias médicas estão sendo realizados.
A orientação do INSS aos segurados é que as datas de atendimento serão remarcadas pela própria agência. A população pode, contudo, procurar atendimento nas unidades de Lençóis Paulista, Marilia, Ourinhos e São Manuel, que, até o momento, não participam da greve.
Eletricitários protestam
Trabalhadores do Sindicato dos Eletricitários de Campinas (Sinergia CUT) protestaram nessa terça em frente à sede da CPFL, localizada na rua Wenceslau Braz, na Vila Santa Terezinha, em Bauru.
Pacífica, a mobilização ocorreu das 7h30 às 9h30 e reuniu cerca de 100 pessoas. Esta é a segunda manifestação realizada pelos trabalhadores, que negociam com a cúpula da CPFL um reajuste salarial que cubra os índices de inflação dos últimos 12 meses.
“Estamos pedindo reajuste de 8,88%, mais 3% de aumento real. A empresa propôs dar 7,62%, sendo 6% agora e 1,62% só no ano que vem, o que não aceitamos”, comenta Carlos Alberto Martins, coordenador do sindicato, acrescentando que a pauta de reivindicações inclui outros itens, como os relacionados à saúde e segurança do trabalho.
Ao menos por enquanto, a categoria decidiu não entrar em greve. Pela estratégia de mobilização, paralisações pontuais serão realizadas a cada semana. A primeira, também com duração de duas horas, ocorreu no último dia 13.
Para hoje, está agendada uma nova rodada de negociações, em Campinas, junto a representantes da diretoria da empresa. Caso nenhum acordo seja alcançado, uma nova manifestação, dessa vez com quatro horas de duração, será realizada novamente pelos trabalhadores no dia 27 de julho.
“É importante destacar que, ao menos por enquanto, os serviços à população não serão interrompidos”, destaca Martins. A possibilidade de início de greve só é cogitada a partir de 3 de agosto, se as negociações salariais restarem infrutíferas.