10 de julho de 2026
Geral

Morreu de causas naturais idosa que teve corpo ocultado

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan/Arquivo
Fabio Mariotto ouviu a suspeita, vizinhos e uma irmã da idosa

Laudo elaborado pelo Instituto Médico Legal (IML) aponta como natural a morte da idosa Natalina Costa da Cruz, 84 anos. Conforme o JC noticiou, há uma semana, o corpo dela foi encontrado em adiantado estado de decomposição em sua própria residência, situada no bairro Pousada da Esperança, em Bauru. A filha dela de 56 anos, Alzira Costa Cruz, é suspeita de ter escondido o corpo da própria mãe por meses para, possivelmente, continuar recebendo a aposentadoria da mãe.

Nessa quinta-feira (23), Alzira foi ouvida pelo delegado Fabio Mariotto, que preside o inquérito. Ele recebeu, também nesta quinta-feira, o laudo do IML. O documento não especifica a causa exata do óbito nem quando ocorreu, porém descarta a possibilidade de homicídio.

“Vizinhos disseram que desde janeiro não encontravam com a idosa, mas a Alzira voltou a negar a ocultação do cadáver. Diz que não tinha a chave da casa da mãe”, explica o delegado. A mulher de 56 anos, que é solteira e mora sozinha, alega nunca ter dependido da aposentadoria da idosa.

Ela informou à autoridade policial que há anos produz e vende salgados para sobreviver. Declarou novamente que a Natalina havia viajado para São Paulo e desconhecia seu retorno para Bauru.

Investigação

Além dela e de vizinhos, que reiteraram o fato de mãe e filha serem reservadas, o delegado também ouviu a irmã da idosa. Por meio das oitivas, ele soube que Alzira passava uma vez ao dia pela casa da mãe. Para Fábio Mariotto, os fatos vão contra o conteúdo do depoimento da suspeita, tomado na casa dela, ontem pela manhã.

Ainda assim, por se tratar de crime de menor potencial ofensivo, ela seguirá respondendo a inquérito por ocultação de cadáver em liberdade. O corpo da idosa, Natalina Costa da Cruz, foi encontrado pela polícia em seu próprio quarto, em um colchão no chão coberto por uma colcha e cercado por talco, cremes perfumados e incenso.

A porta do imóvel, localizado na quadra 4 da rua Vasco Pompermaier, era protegida por grades e estava trancada com cadeado pelo lado de fora. Logo na entrada, assim como nas demais portas da casa, foram dispostos pedaços de plástico e pano, possivelmente na tentativa de impedir a dissipação do odor para fora do imóvel. Mariotto aguarda para breve o laudo da perícia técnica.

Relembre o caso

O caso foi descoberto na última sexta-feira (17), após uma equipe do Programa Saúde da Família (PSF) tentar uma nova visita à idosa, que era diabética. Segundo os profissionais relataram à polícia, o último contato estabelecido com a paciente foi há cerca de cinco meses.

Acionada, a Polícia Militar foi até a casa de Alzira, vizinha de Natalina. A mulher informou que a mãe estaria morando com outro filho em São Paulo desde abril e que não seria possível estabelecer contato com os parentes. Em diligências, os policiais conseguiram localizar uma irmã da idosa, moradora do Núcleo Gasparini, que revelou não conseguir encontrar a aposentada em várias ocasiões.

Ainda diante dos PMs, esta familiar telefonou para os parentes em São Paulo, que garantiram que Natalina não os visitava há muitos anos. Na ligação, o filho da idosa acrescentou que vinha depositando, periodicamente, dinheiro em uma conta bancária para que Alzira cuidasse da mãe, como forma de complementar o benefício da aposentadoria que Natalina recebia.

Alzira foi conduzida à Central de Polícia Judiciária (CPJ) para registro de boletim de ocorrência de desaparecimento. Diante de informações desencontradas, a autoridade da Polícia Civil foi até o imóvel de Natalina, onde o corpo foi encontrado.