Presentes em todos os automóveis, os chamados “pontos cegos” dos retrovisores exigem atenção redobrada dos motoristas, principalmente nas ultrapassagens. Em Bauru, cerca de 40% dos acidentes ocorrem porque o condutor não percebeu a aproximação de outros veículos durante manobras simples, como até mesmo mudar de faixa.
A estimativa foi apresentada pela Emdurb durante palestra de interação entre motoristas de coletivos, motociclistas e ciclistas, promovida pelo Grupo de Ações para Redução de Acidentes de Trânsito (Garat), formado pela autarquia, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Obras e Sindimoto.
O encontro, que ocorreu nessa quinta-feira (23) de manhã no Sambódromo e reuniu 25 motoristas de coletivo, faz parte das comemorações do Dia dos Motoristas, celebrado no próximo dia 25 de julho.
A constatação sobre o “ponto cego” preocupa o gerente de trânsito da pasta, Nelson Augusto Neto. Aliás, a ideia do curso surgiu após análise das maiores causas de acidentes na cidade. “Parte das colisões envolvendo pedestres, motocicletas e bicicletas ocorrem porque, em determinado momento, um desses elementos se encontra na trajetória de um veículo, mas fora do alcance de visão do motorista”, afirma.
No caso de um automóvel, os obstáculos visuais mais comuns estão nas colunas laterais das portas e teto, apoios de cabeça e para-choque. Além de manter boa regulagem do retrovisor, o condutor precisa ter alguns cuidados especiais para não ser surpreendido pelo “ponto cego”.
“Na palestra, a gente debateu essa questão e deu dicas aos motoristas, tais como manter sempre a distância de um metro e meio de motos e bicicletas, além de procurar se posicionar em locais melhores na via”, avaliou.
Segundo Nelson, as colisões laterais causadas por condutores que “cortam” a preferencial respondem por outros 40% dos acidentes - empatando com os causados por “pontos cegos”-, enquanto os outros 20% ocorrem em colisões com objetos parados, como postes, caçambas, muros, entre outros.
Motoristas ocupam bicicletas e ‘sentem na pele’ os riscos
“O objetivo do curso é promover uma convivência entre motoristas de circulares, motociclistas e ciclistas, estes dois últimos considerados os mais frágeis no trânsito”, observou o gerente de transporte coletivo da Emdurb, João Felipe Lança.
A aula prática consistiu na troca de posições entre os motoristas de coletivos, que ocuparam motos e bicicletas para “sentir na pele” como alguns procedimentos podem colocá-los em risco. “Foi tenso. Parece que o circular ia me atropelar”, relatou o motorista Gilberto Guedes, 51 anos, logo após experiência de ficar sobre uma bike e “sentir” o coletivo “tirar uma fina” dele.
O ciclista Fábio Eduardo da Silva, 38 anos, que integra o Pedala Bauru, elogiou a iniciativa. “O trânsito, para nós, é complicado e essa troca de ideias com os motoristas é fundamental na tentativa de diminuir o número de acidentes”, disse.
Motorista há 42 anos, Francisco Aparecido Redondo, 55 anos, nunca se envolveu em um acidente. “Cada dia que passa a gente aprende alguma coisa diferente”, disse, sobre a palestra de ontem.
“A ideia é que os motoristas multipliquem esses ensinamentos com outros colegas e até mesmo com a família”, completou o cabo da PM Wilson Felix.
SERVIÇO
A próxima ação do Garat está prevista para Semana Nacional de Trânsito. Os interessados em promover o curso de segurança em suas empresas, grupos ou associações, devem entrar em contato pelo e-mail emdurb@emdurb.com.br.