10 de julho de 2026
Articulistas

Aos homens em suas máquinas

S. Cristóvão
| Tempo de leitura: 2 min

Meus queridos: decidi usar este nobre espaço dominical para dizer que não estou mais dando conta. Até 1960, 70, vá lá, eu intercedia sem tanta dificuldade. Mas, ultimamente, a tarefa ficou complexa. Meus filhos, vocês abusam demais! Primeiro, fabricam novíssimos modelos de veículos cuja velocidade é incompatível com estradas, muitas delas, abertas numa época sem tantos velozes e furiosos (sim, acompanho filmes sobre velocidade). Aí, você facilitam a compra e todo mundo sai guiando. Aliás, o “guiar” é a chave da questão.

Gente que dirige de qualquer jeito entrega pra Deus. Que entrega pra mim. E eu tendo que olhar a todos ao mesmo tempo (não estou reclamando do chefe, é só a realidade).

Prezados, especialmente os mais jovens: pensem nos seus entes queridos. Aqueles que ficam em casa à noite, preocupados e impotentes, sempre temendo uma notícia ruim. Como diz o padre Ricci, as pessoas devem dirigir pensando no seu semelhante. Isso é mais do que direção segura: é respeito à humanidade. Olha, eu fico muito feliz em ter sido lembrado ontem e festejado hoje. Já sei até que tem matéria na página 8 e desejo a todos um domingo de paz e harmonia. Mas ficaria ainda mais satisfeito se vocês passassem a adotar travessias seguras.

Sei do que falo, pesquisem aí: já fui e voltei muitas vezes  com pessoas nas costas e nos braços de um lado a outro do rio. Até o Jesus menino já tive a honra de amparar e carregar. Quer mais responsabilidade do que isso? Vocês também, ao dirigir ou pilotar, devem ter plena consciência do que fazem, pois estão levando a preciosidade que é a própria vida junto. Uma dádiva que merece cuidado.

A gente combina assim: vocês fazem a sua parte, reduzem minha carga de trabalho e eu atinjo minhas metas de salvação. Nada de bebida ao volante ou ao guidão. E chega de imprudência constante.

E, aos viajantes de ocasião, um recado especial (nem sei se deveria falar, mas vá lá). É que, aqui onde fico, tenho informações privilegiadas, como podem imaginar. Então, garanto aos apressados: reduzam. Não precisa correr. O mundo não acaba amanhã.  

O autor, Cristóvão, é santo protetor dos motoristas e dos viajantes. O colunista João Pedro Feza retorna domingo