08 de julho de 2026
Saúde

Tingir o cabelo na gravidez: o que é permitido?

Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 4 min

Prezado leitor,

gravidez é um período mágico e muito especial na vida de toda mulher. Gerar um bebê requer muito cuidado e atenção, afinal, é uma vida que está se formando dentro da gente. Por isso, tantos cuidados são necessários e o acompanhamento médico é vital. Mesmo assim, ser mãe não significa abrir mão da vaidade e da autoestima... E o cabelo da mulherada concentra boa parte desse amor próprio, mas aí vem a dúvida: na gravidez não pode tingir. Com fazer com os brancos? E a cor da raiz que vai aparecer? Calma, esta coluna foi escrita pensando em todas essa dúvidas. Vamos lá!

Tintura é sinal de preocupação. Por quE?

O fato é que nosso couro cabeludo é uma área muito vascularizada, que pode absorver, ainda que em pequena quantidade, os elementos químicos presentes nas tintas e, consequentemente, podem chegar à corrente sanguínea da mulher e serem transmitidos à criança. Das substâncias mais críticas está a amônia, que é uma substância que pode ter efeito tóxico ao bebê. O acetato de chumbo é outro, assim como formulações para o cabelo com uréia.

Apesar de não haver estudos comprovando que os componentes das fórmulas químicas das tinturas afetem o bebê, os profissionais de saúde preferem não recomendar a aplicação desse tipo de produto, tal qual faz a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Por isso, sempre antes de utilizar qualquer produto, seu médico obstetra deve ser consultado.

Pausa nos três primeiros meses
O ideal é não usar química nos três primeiros meses da gestação, já que esta é a fase em que as estruturas básicas do feto estão sendo formadas e o risco de aborto é sempre maior. Por isso que os médicos preferem adotar uma postura megacautelosa e, mesmo os que permitam o uso desses produtos, desaconselham produtos químicos no cabelo antes de 90 dias de gestação. Lembre-se: todo cuidado é pouco!

Mas nem tudo é proibido...
Como já foi dito acima, a grande questão da tintura são os elementos químicos tóxicos e a aplicação deles no couro cabeludo, que possui um grande poder de absorção. Sendo assim, depois do primeiro trimestre, tudo bem fazer luzes que não encostem na raiz (desde que o produto utilizado não cause problemas ao seu inalado). Ou seja, antes de fazer, pergunte ao cabeleireiro quais produtos são usados e se certifique com seu obstetra. Também há outras opções:

Tintura com henna: ela está permitida por que é feita á base de uma planta e não leva em sua composição nenhum elemento tóxico, que é o que mais preocupa os médicos. Porém, a hena não garante a mesma durabilidade que as tinturas industrializadas nem é muito eficiente na cobertura de fios brancos. Mesmo assim, atenção aí: quem optar por ela deve ficar atenta aos rótulos, pois algumas empresas acrescentam ingredientes para potencializar o poder de colorir, principalmente, se a cor prometida for escura. Na dúvida, leve o produto para seu médico ler o rótulo.

Produtos de efeito temporário: algumas marcas possuem um tipo de bastão, que funciona como um rímel para as madeixas, que serve para tingir a raiz, mas por pouco tempo. Funciona bem pra quem está no primeiro trimestre e quer disfarçar a raiz pra alguma ocasião importante ou específica.

Luzes: elas só estão liberadas se forem feitas com a técnica da touca e com água oxigenada. Se for adicionado outro composto para melhorar a cor, o perigo será semelhante ao das tinturas. Há alguns tipos de luzes, como as californianas e ombré hair, que são feitas a partir do comprimento dos fios. Estas também podem ser feitas, desde que se use apenas água oxigenada

E o tonalizante?
Esse tipo de produto também pode ter amônia e ureia na sua composição, mas em uma concentração que não oferece risco nem para a mulher nem para o bebê. Ainda assim, muitos médicos só liberam o produto após o primeiro trimestre de gestação. E, também nesse caso, não deixe de perguntar ao seu médico qual é a opinião dele antes de usar.

E após o parto?
Na prática, não há problema em pintar o cabelo durante o período de amamentação. Porém, os pediatras costumam pedir muita cautela, tal como os obstetras, e não recomendam o uso de fórmulas com amônia e acetato de chumbo.

Além da tintura...
Muita mulher faz uso de alisamentos, escovas progressivas e relaxamentos, que também levam componentes tóxicos em sua formulação. Nesse caso, também não devem ser feitos na gravidez e amamentação.

Importante!
Lembre-se: formol, glutaraldeído, amônia, iodo e chumbo são substâncias proibidas. Vale a pena fazer uma forcinha e optar por técnicas que não prejudiquem a formação e desenvolvimento do seu bebê. A causa é mais do que justa: tem uma vida aí, nascendo dentro de você!

Um grande abraço e até o próximo domingo,

Daniela Hueb
Médica, CRM-SP 96.027

Envie suas dúvidas para e-mail: danielahueb@jcnet.com.br