08 de julho de 2026
Bairros

Do tecido ao tijolo

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

A comunidade Senhor Bom Jesus, pertencente à Paróquia Santo Antônio, enfrenta um enorme desafio há três anos: reconstruir a própria capela, onde eram realizadas as missas e celebrações. Uma chuva forte na época comprometeu a estrutura da igreja, na Vila Bom Jesus (região do Jardim Bela Vista), e o que sobrou teve de ser demolido.

Sem uma capela, as missas passaram a ocorrer no salão de festas da comunidade, ao lado, que passou a receber de maneira improvisada a igreja, com o altar e os bancos. Quando algum evento é realizado, tudo é retirado para que seja montada a estrutura do almoço, jantar dançante ou quermesse.

Além destes eventos, que colaboram diretamente para a construção da nova capela, a comunidade tem como fonte de receita mensal um bazar. Uma das responsáveis é a aposentada Fátima Luciano Rodrigues, de 58 anos, que mora quase em frente à igreja. “Todo mês fazemos um brechó, com roupas e móveis que a própria comunidade doa. A arrecadação varia, tem mês que é R$ 500,00, às vezes vai para uns R$ 1 mil, já chegou a ter R$ 1,5 mil, aí depende da quantidade de objetos, do movimento. Quando tem móvel ajuda, pois tem um valor maior”, menciona.

Fátima explica que o bazar é sempre realizado no primeiro final de semana após o quinto dia útil, quando a maioria das pessoas já recebeu o salário. A data escolhida é uma sexta-feira à tarde ou um sábado. A divulgação, além do boca a boca, passa ainda pela internet, nas redes sociais como o Facebook, e em grupos de WhatsApp, onde as pessoas podem ver as peças de roupas, calçados e móveis que estarão à venda.

A vantagem da arrecadação em um bazar é que o lucro é de quase 100%. “A despesa é mínima. A gente recebe as doações das pessoas, e tudo o que é vendido fica para a construção da capela. Os eventos também ajudam, mas aí não é lucro total, porque conseguimos doações de parte do que é usado, como carne e massas, mas bebida por exemplo é comprado à parte. Mas são importantes na arrecadação também”, avalia.

Obras

Com os eventos e brechós, a estrutura da capela já foi construída. A próxima etapa é o reboco. “Desta vez fizeram uma fundação mais profunda, é para a obra aguentar bem! O dinheiro que está sendo arrecadado agora é para rebocar, e depois fazer o piso e a pintura. Quem sabe dentro de um ano a gente já consiga levar as missas e celebrações para a capela nova”, diz Fátima.


Brechós unem gerações e promovem solidariedade

No ‘Brechico’, bazar permanente mantido pela Associação Chico Xavier, três gerações da mesma família ajudam de maneiras diferentes. A microempresária Aline Bigueti Zanata, de 33 anos, estava acompanhada da filha Ana Clara Bigueti Zanata, de 6 anos. Elas sempre levam roupas e outros artigos ao local. “Temos o hábito de frequentar os brechós, vamos a outros também, e sempre levamos roupas, às vezes compramos algumas peças também. Acho que aos poucos as pessoas estão pegando o gosto de ir aos bazares”, relata Aline.

A matriarca da família também estava por lá, ajudando na organização do bazar. A aposentada Lucila Bigueti vai uma vez por semana como voluntária. “É muito bom mesmo, eu que estou aposentada dedico um dia por semana vindo aqui e em outros ajudo da minha casa, não dá espaço para ter estresse ou tédio”, disse.

Ela cadastrava notas fiscais que eram destinadas por consumidores de diversos estabelecimentos. As notas podem ter parte do ICMS revertido a uma entidade caso o consumidor não coloque o CPF, e deixe a nota em uma urna no estabelecimento. A Associação Chico Xavier começou a recolher e cadastrar notas recentemente, em parceria com a Sapab, com a renda sendo repartida entre ambas.


80% da receita de centro espírita vem de bazar

Para muitas entidades e associações, a renda obtida nos brechós tornou-se a principal. É o caso do Centro Espírita Verdade e Caridade, localizado na Rua Caetano Cariani, no Jardim Bela Vista. O diretor Luiz Carlos de Souza comenta que 80% da receita vem justamente dos bazares. O próximo será no dia 13 de agosto.

“Promovemos um bazar a cada dois meses. Sempre fazemos às quintas-feiras pela manhã, pois é o dia que tem feira livre aqui no bairro, na Rua Silva Jardim, a meia quadra do Centro. Então além do pessoal que já sabe do bazar, ainda tem as pessoas que vem para a feira e passam por aqui”, explica Souza.

Além das despesas cotidianos do centro espírita, existem atividades de cunho social. Peças que eventualmente sobram também são repassadas sem custo a outras instituições. “Passamos para os vicentinos, da igreja católica, que também possuem um trabalho social, ou para uma creche da Vila São Paulo. Nada é desperdiçado”, frisa.