| Aceituno Jr. |
| Entre as atividades no Calçadão, B-Boy Graxa deu show com o break |
A frase da música “A minha alma”, um clássico da banda O Rappa, no título desta reportagem resume o espírito da mobilização de ontem no Centro de Bauru motivada pelo Dia Municipal da Cultura e da Paz, celebrado em 25 de julho. Os participantes mostraram que a busca pela paz depende menos de “bandeira branca” e passividade e mais de reflexões e gestos concretos.
“Somos ativistas. A paz tem que ser plantada dentro de cada um em seu dia a dia, pelo pensamento e pelas ações. A gente acredita que a paz tem que ser alcançada através da cultura, onde as pessoas se cultivam e cultivam o dia a dia”, explica Flávia Toqueti, presidente do Instituto Noosfera e articuladora da Cultura e da Paz na cidade.
Aos 25 anos, Thiago Santana, mais conhecido B-Boy Graxa , diz que é um exemplo das revoluções que a arte pode provocar: “O hip hop salvou minha vida. Se não fosse a dança, meu futuro provavelmente seria outro. Cresci em uma realidade que não oferecia muitas oportunidades”.
Morador da Vila Independência, ele atesta que, na periferia, o acesso às drogas e à violência é muito maior do que à informação e à arte. “Dançar exige de mim ter um corpo saudável, o que me obriga a, além de me alimentar bem, ficar longe de qualquer substância que me faça mal”.
Com apresentações de break, B-Boy Graxa e outros meninos da ONG Wide Madness empolgaram a todos que passavam pelo Calçadão. Ele, que dança há 10 anos e hoje atua profissionalmente, conta que, aos poucos e com muito trabalhado, a sociedade tem aprendido a respeitar o movimento hip hop. “Sempre estivermos à margem, mas estamos mudando essa realidade”.
A caminhada da paz contou ainda com a participação do Ouro Verde 100% Arte, grupos de maracatu e outras intervenções artísticas.
Há sete anos, os jovens do Grupo Sorrir praticam o amor, levando alegria a asilos, hospitais e creches. As visitas acontecem todos os sábados, mas, na manhã de ontem, a trupe também foi ao Calçadão. “Decidimos distribuir afeto, cativando através de abraços grátis. Está sendo uma experiência incrível”, diz Cristiano Grilo, 27 anos.
Origem
O Dia Municipal da Cultura e da Paz foi instituído em Bauru em 2013. A data tem origem num pacto internacional assinado em 1935, envolvendo 22 países do continente americano, embasado em conceito criado por Nicholas K. Roerich.
A bandeira com três esferas, utilizada como símbolo do dia, representa a síntese de todas as artes, todas as ciências e todas as espiritualidades.
Ecumênico
Celebração ecumênica, realizada na praça Machado de Mello, deu início às atividades do Dia da Cultura e da Paz em Bauru. Participaram lideranças religiosas de igrejas evangélicas, espíritas, umbandistas, messiânicas e da Seich-no-Ie.
“Muitas guerras têm origem na religião. Temos que entender que a fonte é única e precisamos colaborar uns com os outros para que o planeta se perpetue”, ressalta Flávia Toqueti.
Maria Salomão foi convidada para representar o Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac). “A gente para buscar harmonia. Foi um momento de paz importante”.