Ao povo, mais vale uma jovem democracia que um império consolidado! Veja Eduardo Cunha (político): acusado de receber US$ 5 milhões da corrupção... O cidadão comum pode protestar exigindo a sua saída do cargo, a sua expulsão do partido e, enfim, se for eleitor de Cunha, o cidadão pode diretamente não elegê-lo mais. Porém, de outro canto, veja o caso Odebrecht (empresários): com seu presidente na cadeia, um processo judicial gigantesco e dívidas na casa de R$ 88 bi para a empresa... Que pode fazer você, cidadão comum? Pode deixar de eleger esses empresários para as suas próprias empresas? Não. Pode boicotar de modo contundente o império da construção? Não. Pode exigir o impeachment dos seus grandes executivos?
Não. Ou seja, enfim, em épocas críticas é quando melhor compreendemos que a democracia gera liberdade, possibilidade de participação popular e de mudanças. Já os impérios e ditaduras, quer militares ou econômicos, em crises é que se mostram mais fechados e autoritários. – Obs.: Um adendo perigoso: os impérios empresariais tendem a querer dominar as democracias! E esse é exatamente o caso do sequestro econômico que há nas eleições brasileiras por causa do patrocínio de grandes banqueiros e empreiteiros para campanhas políticas. Como exemplo típico, veja as doações (doações?) milionárias do grupo Odebrecht em pleitos desses últimos anos que antecederam as investigações da Operação Lava Jato.
O autor é graduado em Filosofia, mestrando em Comunicação.