| Douglas Reis |
| Seria preciso R$ 1 mi para transpor córrego e acabar com erosão |
Mais uma grande erosão preocupa bauruenses. O buraco em um córrego que divide a Vila Aviação do Jardim Yolanda e passa atrás de um condomínio residencial deixa em alerta os moradores da área, que convivem com o problema há um ano. Uma residência já está sendo atingida pela cratera, de cerca de oito metros de largura e cinco de profundidade.
A prefeitura reconhece que o local oferece riscos à população, mas alega não ter verbas para execução da transposição do córrego, orçada em R$ 1 milhão. O trabalho de construção de uma ponte e contenção do buraco, que fica na quadra 1 da rua Lázaro Rodrigues, deve ser iniciado somente em 2016, provavelmente no primeiro semestre, conforme estima o titular da Secretaria de Obras, Sidnei Rodrigues.
“Vai depender da disponibilidade de recursos do município”, ponderou. Rodrigues explica que a erosão se formou após rompimento do tubo de metal instalado no local, que não suportou a força das águas da chuva. A estrutura permanece no córrego, parcialmente danificada.
Já os moradores dão outra versão sobre as causas da cratera. O aposentado Antônio Correa, 65 anos, atuava como pedreiro na Divisão de Drenagens da autarquia e fala com propriedade do impasse.
“A erosão foi provocada após canalização das águas pluviais na avenida Getúlio Vargas, obra que eu mesmo ajudei a fazer na época. Com a ligação das galerias na Vila Aviação, a água foi ‘jogada’ toda pra cá. Antes, era só córrego e tinha até peixe”, criticou.
A residência dele, inclusive, está na “mira” do buraco gigante, que já avança pelo muro do imóvel. Filho do aposentado, o montador Antoninho Correa, 36 anos, contou que, há cerca de um ano, uma forte chuva quase “levou a casa embora”. “A água subiu um metro e meio. Perdemos todos os móveis”, lamentou.
Lixo acumulado
A erosão traz consigo outro problema: o do lixo acumulado. Mesmo com os riscos de contaminação, crianças que moram do lado de cima do buraco (próximo a um condomínio residencial se aventuram ao atravessar o córrego, para chegar até o ponto de transporte escolar mais próximo. “ É o jeito mais fácil e rápido desses alunos pegarem a condução”, conta o comerciante Antônio Carlos Egidyo, 55 anos. O problema é que o “rápido e fácil” é muito perigoso.
Problema antigo?
Em 2009, o JC trouxe matéria sobre a erosão no córrego que divide a Vila Aviação do Jardim Yolanda. Na época, o problema foi apresentado pelo então vereador José Roberto Segalla (DEM) e o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) garantiu que seriam tomadas as providências.
Entretanto, questionado sobre o impasse perdurar por seis anos, Sidnei Rodrigues afirmou que se tratam de dois buracos distintos. “Aquele (2009) ficava a 150 metros do atual e já foi consertado”, garantiu.
| Douglas Reis |
| Antoninho mostra marca de 1,5 metro na parede de sua casa |
Situação de risco
A área onde se formou a erosão é de risco para algumas residências, conforme aponta o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues. “Os moradores terão de sair do local o quanto antes, pois existe perigo de desmoronamento. Já pedimos para Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) fazer levantamento no local”.
Segundo a titular da Sebes, Darlene Tendolo, na região citada foram identificadas 28 casas, além de duas construções iniciadas. Apenas cinco imóveis, porém, estão mais próximos à erosão. Destas cinco, duas em situação mais vulnerável por conta do buraco. “Não vamos esperar o período das águas para tomar providências. Elas estão sendo adotadas já. Técnicos da Sebes estiveram lá hoje (ontem) fazendo levantamento da região e dos moradores. Vamos também pedir avaliação mais detalhada da Defesa Civil. A ideia é fazer um trabalho em conjunto (também com a Secretaria de Obras). Vamos ainda oferecer aluguel social para a família destas duas residências que estão mais próximas”, finaliza Darlene.