| Alex Mita |
| Marcos Garcia aposta na minimização dos impactos de resultados negativos |
A Funprev divulgou nessa terça-feira (28) os resultados das aplicações financeiras de 2015. A entidade, que tem como objetivo gerenciar, administrar e capitalizar os recursos previdenciários dos servidores públicos municipais, não atingiu a meta estabelecida para o primeiro semestre do ano e traçou cenário pessimista para os próximos seis meses. O mau momento pode implicar no aumento do déficit do regime, de R$ 3,6 bilhões, que precisa ser coberto pela Prefeitura de Bauru ao longo dos próximos 30 anos.
A fundação iniciou o ano com R$ 379,5 milhões em sua carteira de investimentos. De janeiro a junho, o valor foi incrementado em 8,35%, chegando a R$ 411,2 milhões. A busca da entidade – imposta pela meta atuarial – era de majoração na ordem de 9,17%.
Percentualmente, a diferença parece insignificante. Contudo, mais de R$ 3 milhões deixaram de ser obtidos pela Funprev nos primeiros seis meses de 2015.
A meta atuarial do regime previdenciário é composta pela inflação do período (6,17%), acrescida de 0,5% ao mês. A disparada do IPCA, portanto, atrapalha a entidade a atingi-la. Para se ter uma ideia, o índice do semestre chegou próximo ao acumulado em todo o ano passado (6,79%), quando o rendimento total da carteira de investimentos foi de 10,83%.
A fundação pontua que, além da inflação elevada, as expectativas de ajustes ao longo do primeiro semestre, a atual situação política, o baixo crescimento econômico, a crise na Europa, além da desaceleração no PIB da China trouxeram reflexos para o mercado financeiro do País.
PESSIMISMO
De acordo com a Funprev, especialistas apontam que o cenário econômico seguirá desfavorável durante o segundo semestre de 2015. Além de toda a volatilidade já percebida no começo do ano, acrescenta-se a sinalização de alta de juros pelo governo dos Estados Unidos, que poderá gerar uma migração de recursos para aquele país.
Outro ponto negativo é a possibilidade de rebaixamento na classificação do Brasil por agências internacionais pode trazer maior instabilidade ao mercado. Com isso, poderão ocorrer rentabilidades pouco expressivas e, em alguns momentos, até retornos negativos.
Além disso, a previsão de alta do dólar contribui para o aumento da inflação fazendo com que haja aumento da taxa básica de juros (SELIC), provocando impacto negativo em determinados ativos, como alguns tipos de títulos públicos que compõem parte a carteira de investimentos da Funprev.
Impactos
Cada vez que a Funprev não atinge os resultados esperados, o cálculo atuarial amplia a necessidade de repasses extras da prefeitura, reduzindo os recursos públicos que poderiam ser investidos em outras áreas. Em 2013, por exemplo, foi apurado déficit de R$ 45 milhões, cujas motivações estão sendo apuradas pelo Ministério Público. O secretário de Finanças, Marcos Garcia, acredita, porém, que os impactos de 2015 podem não ser tão grandes, mesmo que o resultado das aplicações financeiras não alcance a meta.
“Busca-se os 6% ao ano e mais a inflação porque supõe-se que haverá a majoração da inflação nas despesas de folha de pagamento, que refletem lá na Funprev. Como não houve a correção integral da inflação ao funcionalismo na data-base de 2015, isso pode contribuir”, avalia.
Fundação previdenciária elenca ações mitigatórias
A Funprev alega que a celeridade e a integração das ações dos gestores na avaliação das opções de investimentos possibilitou minimizar os impactos negativos do mercado e um resultado positivo, diante do cenário econômico atual. Do total de recursos investidos, 85% estão alocados no segmento de renda fixa e 15%, no de renda variável.
Foram realizados resgates, migrações e transferência na carteira de investimentos. “Atualmente, os recursos da fundação estão em bancos de primeira linha e balanceados entre ativos de curto prazo com baixa variação, que sofrem menos impactos em cenário adverso e outra parte em títulos públicos com maior variação”, explica nota da entidade.
O comando da Funprev pontua que, com as informações de que 20156 seria um ano difícil, a atual gestão optou por intensificar o trabalho de acompanhamento de seus investimentos, promovendo, inclusive cursos para capacitação de seus conselheiros titulares e suplentes.
Além disso, o comitê de investimentos da fundação passou a se reunir semanalmente para discutir e avaliar as alternativas para suas aplicações e ampliou a comunicação com os gestores dos fundos de investimentos das instituições financeiras de seu relacionamento.