21 de abril de 2026
Esportes

Bauruense defende novas técnicas de treinamento no esporte

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Alex Mita
Carlos Rogério Thiengo é autor de livro sobre preparação de goleiros

O bauruense Carlos Rogério Thiengo pode ser considerado um precursor no Brasil quando se fala em estudo da preparação de goleiros. Formado em Educação Física pela Unesp-Bauru e com mestrado pela Unesp-Rio Claro, ele agora cursa o doutorado na Unicamp.

Sempre abordando o futebol em suas pesquisas, ainda na graduação Thiengo analisou as técnicas de preparação de goleiros no Brasil, o que resultou em um livro (Com a Nação nas Mãos, Paco Editorial, 2014), publicado no ano passado, em coautoria com Dagmar Hunger.

Na obra, ele entrevistou diversos personagens que fazem parte da história da preparação de goleiros no País, como Valdir Joaquim de Moraes (pioneiro no Brasil na área), Wendell Ramalho (preparador de goleiros da Seleção nas Copas de 1994, 1998 e 2006), Carlos Pracidelli (preparador da Seleção no penta, em 2002), Pedro Santilli (também ex-preparador de goleiros da Seleção), além dos ex-goleiros Carlos Gallo (Ponte Preta, Corinthians, Seleção, e que foi preparador de goleiros do Noroeste), Taffarel (titular na campanha do tetra mundial, em 1994, e atual preparador da Seleção) e Félix, já falecido, que foi o titular na Copa de 1970. O goleiro-artilheiro são-paulino Rogério Ceni também foi ouvido.

“Até então, não havia nenhuma obra no Brasil tratando da preparação de goleiros. Procurei abordar diversos aspectos, pegando mesmo essa evolução ao longo do tempo. Antes, a preparação era muito isolada e focada apenas em fundamentos. Da década de 1990 para cá, o treinamento de goleiros mudou, integrando mais com o restante do elenco e trazendo o goleiro como parte do jogo efetivamente”, destaca Thiengo. “Neste aspecto, goleiros como o Rogério Ceni se destacaram. Não apenas porque ele faz gols em cobranças de falta e pênalti, mas pela reposição eficiente na saída de bola. No tricampeonato do São Paulo no Brasileirão (2006/07/08), o time usava efetivamente 11 jogadores com a bola nos pés, o Rogério era acionado sem problemas quando o ataque adversário ‘apertava’ a zaga”, comenta.

Outros aspectos

Outro aspecto lembrado pelo pesquisador bauruense é que, até os anos 90, os treinos eram feitos à exaustão. “Havia aquela ideia de que o goleiro tinha que treinar muito mais do que o restante do elenco, era um trabalho que ia ao limite. Atualmente, além de se procurar integrar o goleiro com os demais jogadores, a fisiologia permite que a carga de treinos seja compatível com o biótipo de cada goleiro”, avalia.

Thiengo dedica ainda um trecho da obra ao fato do Brasil ter tido, durante muito tempo, resistência a goleiros negros, sobretudo após o vice-campeonato da Seleção na Copa de 1950. “Depois do Barbosa, na Copa de 1950, o Brasil teve um goleiro negro em Copas em 1966, que era o Manga, e depois foram 40 anos até ter o Dida, em 2006. Foi um hiato muito grande, e havia uma resistência em se aceitar que o negro pode se destacar no gol.”

Problemas de base

Sobre a atual situação do futebol brasileiro, Carlos Thiengo faz coro à ideia de que precisa haver alteração na estrutura. “O problema é realmente de base, estrutural. As federações precisam mudar, mas os clubes também precisam se reinventar, não depender só da federação mudar para eles mudarem também”, menciona.

Sobre a formação de atletas, o bauruense diz que a iniciação é tranquila, mas o segundo passo, que seria o desenvolvimento nas categorias de base, ainda é um desafio. Thiengo lembra, ainda, que para se extrair qualidade, não é necessário quantidade. “O Brasil nunca se preocupou muito com a preparação porque há abundância, se um jogador não dava certo, você tinha um contingente bom para repor. Mas isso é algo que está ficando ultrapassado, países com população muito menor investiram em preparação e extraem bons valores da mesma forma”, finaliza.

Currículo

Carlos Thiengo trabalhou nas categorias de base do São Paulo Futebol Clube entre 2010 e 2013, no setor de análise de desempenho. O bauruense teve ainda uma experiência no Exterior, no W. Connection, de Trinidad e Tobago.