09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ainda sobre o aniversário de Agudos

Manuel Lupassa
| Tempo de leitura: 3 min

Nas primeiras horas do dia 27 passado, fomos surpreendidos pelos tiros dos fogos de artifícios. Não sei de que lado da cidade vinha o barulho. Afinal, era um alerta para o povo agudense sinalizando que a cidade estava em festa nesse dia. Confesso que me custou a entender o que os tiros dos fogos de artifícios sinalizavam, pensei que fosse mais um daqueles barulhos feito por esses torcedores de um dos clubes do Brasileirão.


É feriado na cidade! Um homem com o seu carro passa de rua em rua convidando o pessoal para estar presente na famosa Praça Tiradentes, onde houve o corte do bolo para comemorar o aniversário da cidade. Afinal, são 117 anos de existência. As pessoas passavam apressadas, sem dar atenção ao convite do homem do carro, outros paravam para olhar e ouvir o que ele estava a anunciar, outros vibram pelo barulho do carro e levantam os braços para dar um oi ao homem que simpaticamente fazia o convite aberto para todos agudenses e não só.


Presos nos braços dos pais, nos supermercados, as crianças adoram o barulho do homem do carro, os mais velhos também. No entanto, para alguns é dia de fazer compras e, talvez, de dar continuidade ao churrasco do final de semana, pois nesse dia não se trabalha. E quem não gosta de ficar em casa segunda-feira? Pelo menos eu gosto. Para quem gosta de carne de boa qualidade, não importa esperar longos minutos na fila de um açougue para adquirir um pedaço e levar para casa.


Embora seja um final de semana prolongado como qualquer um, para os agudenses esse teve um toque especial. Um toque misturado com bolo de uns tantos metros que marcou, de resto, o ponto mais alto das comemorações. Entre várias coisas, Agudos é também conhecida como a cidade da cerveja e do bom pastel. É precisamente aqui onde está instalada uma das maiores fábricas de cerveja do Estado, entretanto, também não é por acaso que vem gente de outras cidades vizinhas para provar o pastel que é confeccionado aqui.   

Lá estão, outra vez, sentados nos bares, sentados em casa. Bebem cerveja, bebem refrigerantes, mas também bebem vinho e cachaça. Conversam em voz alta. Dão risadas, longas risadas, mas também olham de um lado para o outro sempre que passar um carro com música alta ou um jovem com aquelas motos que o rumor irrita todo mundo. Foi assim em algumas ruas, o feriado dos 117 anos dessa cidade que outrora lhe chamávamos São Paulo dos Agudos. Ainda na manhã do dia 27, no programa encontro com Fátima Bernardes, da Globo, uma cantora disse que nasceu aqui e fez questão de dedicar uma música à cidade.


O cenário estava montado, desta vez o lugar escolhido foi bem ao lado de uma agência bancária, na rua Treze de Maio. A seguir é feito o cortejo do então esperado bolo de tantos metros, trabalhadores da prefeitura e outras personalidades fazem a distribuição dele. Nesse momento todos são felizes. Essa felicidade está marcada no rosto de quem dá e daqueles que recebem com muita alegria o referido bolo. Tem gente de vários estratos sociais. Vieram de longe, vieram dos bairros periféricos.


Cada um recebe as fatias de bolo que quiser. Porém, tem gente que não se preocupa em levar o bolo na mão para degustar em casa ou mesmo ao longo do caminho. “Ó loco, tiozão! Vai levar isso tudo em casa?”, questiona um grupo de adolescentes dando risadas ao ver um idoso. “Ta pensando que é pipoca?”, diz o outro adolescente. “Por favor, com licença, com licença”, pede o mais velho idoso que carrega a tigela cheia de bolo e prossegue sem trocar nenhuma palavra com os rapazes.


Nos 117 anos de Agudos também teve tecnologia. Um drone sobrevoava para pegar as imagens a partir de cima. Em poucas horas, os tantos metros de bolo é distribuído. Em poucos instantes os agudenses começam a abandonar a Praça Tiradentes. Já se faz tarde! Agora, é a vez de os garis efetuarem limpeza no local da festa, sobretudo ali ao lado daquela agência bancária.