10 de julho de 2026
Regional

Sorri limita atendimento na região de Bauru

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Éder Azevedo/Arquivo
Corte de verba do SUS levou Sorri-Bauru a suspender o tratamento de 55 moradores da região

A Sorri-Bauru suspendeu na última terça-feira (30) o atendimento a 55 pessoas da região que moram em municípios não contemplados por convênio com o Ministério da Saúde. Com a mudança, quem fazia o tratamento de reabilitação na unidade terá de buscar outras alternativas. Para Bauru e outras 17 cidades, não houve alteração no atendimento.

Paula Aline Guaracho dos Santos, que mora em Dois Córregos, lamentou a interrupção no tratamento da filha de 7 anos. Segundo ela, desde os quatro anos, a menina era acompanhada por profissionais da Sorri em razão de uma deficiência nos dois pés.

“Ela fazia Fisioterapia, TO (Terapia Ocupacional), passava por psicóloga e a Sorri dispensou. Eles falaram que estão em crise e que, por enquanto, ela não tem como ficar porque é de outra cidade”, conta. “O tratamento era excelente. A Sorri ajudou muito ela”.

Como a filha tem convênio, Paula conta que irá tentar garantir, pelo menos, as sessões de fisioterapia. “É difícil porque ela ainda precisava do tratamento. Eu fico muito triste com essa situação”, diz. “Vou procurar outro lugar para continuar o tratamento dela”.

Readequação

O presidente da Sorri-Bauru, João Carlos de Almeida, o João Bidu, explica que a entidade mantém convênios com as Secretarias Municipais da Educação e do Bem Estar Social (Sebes) para o atendimento exclusivo de pessoas de Bauru nos setores Social e de Educação. Quase 80% dos 1.480 atendimentos realizados pela Sorri hoje, de acordo com ele, são de moradores da cidade.

João Rosan/Arquivo
A Sorri-Bauru atende quase 80% dos 1.480 atendimentos de pacientes do próprio município

Desse total, 550 referem-se a serviços de reabilitação, que contemplam, além de Bauru, outros 17 municípios definidos pelo Ministério da Saúde (Agudos, Arealva, Avaí, Balbinos, Borebi, Cabrália Paulista, Duartina, Iacanga, Lençóis Paulista, Lucianópolis, Macatuba, Paulistânia, Pederneiras, Pirajuí, Piratininga, Presidente Alves e Reginópolis).

Até pouco tempo atrás, segundo ele, a Sorri abrangia mais de 60 cidades. “Quando a Sorri se tornou  Centro Especializado em Reabilitação (CER), a gente já recebia uma verba do  Sistema Único de Saúde (SUS). Em função disso, a Sorri podia atender mais pessoas. Só que essa verba antiga do SUS acabou no ano passado e passou a prevalecer só a verba do CER. A partir daí, a coisa começou a apertar”, declara.

“Em função da redução dos nossos recursos, nós fomos obrigados a cortar na carne, dispensamos quase 40 funcionários que faziam o atendimento e tivemos também que dispensar 55 usuários”.

‘Coração cortado’

João Bidu explica que o corte nos atendimentos visa equilibrar as contas da Sorri. “São alguns casos que deixam a gente com o coração cortado porque eles (usuários) não têm onde receber esse tipo de tratamento. A gente sente profundamente por tudo isso que está acontecendo”. Ele conta que a entidade chegou a rejeitar novos usuários, mas a situação está voltando a se normalizar. Em breve, novas vagas deverão ser abertas para Bauru e 17 cidades.