11 de julho de 2026
Política

Audiência do lixo na Câmara Municipal de Bauru vira "mercado livre"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Alex Mita
Rodrigo Agostinho diz que é o momento para se discutir propostas para a destinação do lixo

Com a presença do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a audiência pública convocada pelo vereador Artemio Caetano (PMDB) e realizada nessa quinta-feira (30) na Câmara Municipal para discutir a destinação dos resíduos sólidos de Bauru se transformou em um “mercado do lixo”. O encontro atraiu empresas e pesquisadores que “venderam” suas propostas e vantagens para um grave problema enfrentado pela cidade.

A maranhense Usitrar e a gaúcha Lixo Limpo apresentaram projetos de usinas de lixo. A primeira carboniza resíduos orgânicos ou não, extraindo energia do processo, dispensando o aterro de materiais. Seu representante, Marcelo Queiroz, pontuou que a tecnologia automatizada elimina a triagem manual do lixo.

Questionado sobre custo, ele afirmou que a instalação da usina exigiria investimento de aproximadamente de R$ 20 milhões, custeados pela empresa. Em contrapartida, a Usitrar cobraria cerca de R$ 71,00 para receber os resíduos da cidade. No formato de uma Parceria Público-Privada (PPP), esse valor cairia pela metade.

Hoje, a prefeitura paga à Emdurb cerca de R$ 67,00 para mandar o lixo ao aterro sanitário, mas arcando com passivos ambientais, que deixarão de ser tolerados a partir de 2018, em função do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. A tecnologia apresentada pela empresa do Maranhão, no entanto, ainda não é licenciada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), como observou a secretária do Meio Ambiente, Lázara Gazzetta (PV).

Já a Lixo Limpo apresentou a alternativa de usina que utiliza mão-de-obra humana para triar o lixo reciclável e manda o orgânico para a compostagem, conjunto de técnicas que estimula a decomposição dos materiais com finalidade de transformá-lo em substâncias ricas em nutrientes e minerais.

A empresa já está viabilizando a proposta em Itanhaém (SP), porém, não apresentou aos vereadores os custos de instalação nem de operação.  

O prefeito enalteceu a importância do debate. Segundo ele, ainda não há usinas que operem em grande escala no Brasil, mas este é o momento para se discutir alternativas.

CHORUME

Também apareceram soluções para o chorume. Hoje, a Emdurb paga R$ 148,00 por cada mil litros retirados da lagoa do aterro sanitário e destinados à estação de tratamento de esgoto da Sabesp, em Botucatu, pela empresa Monte Azul.

A empresa paranaense ER1 apresentou proposta, por meio da qual o custo da Emdurb cairia para R$ 30,00 a R$ 50,00 por cada mil litros. Trata-se de um equipamento que transforma o chorume em fertilizantes para a agricultura e eventuais metais pesados presentes no material em sais que podem ser comercializados. A técnica já é utilizada no aterro sanitário público de Londrina (PR).

Presidente da Emdurb, Nico Mondelli disse que a empresa fará uma demonstração gratuita em Bauru. “São muitas alternativas que se mostram viáveis. Temos que estudar uma forma de contratar a mais barata, sem direcionar o edital a um ou outra tecnologia”.

Também participou da audiência o doutor em biotecnologia e professor da USP Manoel Azevedo Santos. Bauruense, ele apresentou a técnica que, por meio de processo biotecnológico, transforma o chorume em água de reuso, ao custo referente a 85% do que o arcado pelo município atualmente.

E o nosso aterro?

Enquanto o município não define o futuro em médio e longo prazo de sua política de resíduos, espera que a Cetesb libere, até o final de setembro, a utilização de área de 4 mil metros quadrados, anexa ao aterro sanitário, para a destinação do lixo doméstico de Bauru.

A expectativa é de que a operação no local comece em outubro, quando vence o prazo extra concedido à administração para a sobrevida do aterro já esgotado.

A área de 4 mil metros tem capacidade para receber as 300 toneladas de lixo produzidas diariamente até janeiro de 2016. Até lá, a Emdurb precisa do aval para usa outra área anexa, de 50 mil metros quadrados. Contudo, as tratativas para o licenciamento desta, que duraria até outubro do mesmo ano, ainda não começaram.

O desafio maior, no entanto, é a viabilização de um novo aterro que seja liberado e construído para ser operado a partir de novembro do ano que vem.

O prefeito Rodrigo Agostinho confirmou que vai providenciar licitação para destinar o lixo de Bauru a aterros privados. “Temos que ter uma carta na manga. Só que ainda não definimos um formato que garanta um preço justo e não o desejado pelo mercado”.