11 de julho de 2026
Regional

Agrifam estima giro de R$ 20 milhões em Lençóis Paulista

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) participou nessa sexta (31) de manhã da inauguração da Agrifam no recinto da Facilpa de Lençóis

A 12ª Feira da Agricultura Familiar (Agrifam) teve início nessa sexta-feira (31) e segue até domingo (2), com previsão de movimentar R$ 20 milhões, no Recinto de Exposições “José Oliveira Prado”, o mesmo da Facilpa, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru).

Considerada a maior exposição do gênero no Brasil, a Agrifam reúne em 2015 mais de 200 expositores, com expectativa de público total de 30 mil pessoas nos três dias – o horário de funcionamento é das 8h às 17h.

A abertura oficial, ontem pela manhã, contou com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo (PC do B), além de outras autoridades, como a prefeita de Lençóis Paulista, Izabel Cristina Lorenzetti (PSDB), o prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim (PPS), os deputados estaduais Pedro Tobias (PSDB) e Celso Nascimento (PSC) e do deputado federal Milton Monti (PR), entre outros.

Em seu discurso, Alckmin valorizou a agricultura familiar, e em seguida promoveu a entrega de tratores e equipamentos, por meio do Programa Pró-Trator. O governador anunciou ainda mais investimentos na segunda fase do Programa de Microbacias, agora voltada à geração de renda.

O presidente da Agrifam, Braz Albertini, destacou a importância da Agrifam para o setor. “Estamos em um ano difícil economicamente, mas que pode ser bom para os produtores rurais, inclusive os familiares. A alta do dólar, neste aspecto, favorece as exportações, e mesmo os pequenos agricultores podem se beneficiar, pois atualmente não apenas a produção em larga escala pode ser exportada, mas a pequena produção também. E na Agrifam temos estandes de universidades, do Sebrae e de órgãos que ajudam a orientar o produtor familiar neste aspecto”, reitera Albertini.

O secretário estadual de Agricultura, Arnaldo Jardim, lembrou os investimentos realizados na agricultura familiar, com os programas de Microbacias, o Pró-Trator e incentivos ao crédito agrícola. O governador Geraldo Alckmin anunciou ainda que o programa “CDHU Rural” terá investimentos na região – mas sem especificar valores e locais onde haverá as novas moradias, cujo objetivo é melhorar a qualidade da habitação dos moradores de áreas rurais, evitando que eles tenham de ir para a cidade.

O deputado Pedro Tobias (PSDB) ressaltou a importância do pequeno e médio produtor rural para a economia brasileira e também do ponto de vista social, pois gera emprego e distribui renda. “Eles são essenciais também para a produção de alimentos. A maior parte do alimento que vai para a mesa do brasileiro é produzida pelo pequeno e médio agricultor. Isso precisa ser valorizado e incentivado com políticas públicas e financiamento a juros baixos.”

Tecnologia

O ministro Aldo Rebelo, da Ciência, Tecnologia e Inovação, representou o governo federal na abertura da Agrifam. Ele afirmou que mesmo com o contingenciamento de verbas da União em todos os setores, sua pasta não deixará de investir na inovação, inclusive voltada ao agronegócio. “Temos de buscar outras fontes de receita, inclusive linhas de financiamento internacional. Não vamos deixar de investir em ciência e tecnologia, e em órgãos como o CNPQ, que fomentam o setor. Minha família veio do campo, estudei em escolas agrícolas, então sei da importância deste segmento para o País”, apontou.

Para produzir tecnologia de ponta, o incentivo às escolas técnicas e universidades precisa ser constante, e o estado de São Paulo responde por até 70% da produção científica brasileira, sobretudo por meio das três universidades estaduais – USP, Unesp e Unicamp.

Como o orçamento dessas instituições é atrelado ao ICMS, que vem sofrendo queda, o valor investido também caiu nos últimos dois anos. “Nenhum Estado investe mais do que São Paulo em educação, são 30% do orçamento, sendo 20% para o ensino básico e 10% para as três universidades, que juntas tem 150 mil alunos. Isso fora o orçamento da Fapesp, que não sofreu um centavo de corte. O que acontece é que o País está em um momento econômico em que há redução de consumo, e por consequência, do ICMS”, justifica. “2015 está sendo dificílimo, o objetivo maior hoje é manter o nível de emprego no estado”, concluiu.

Nessa sexta (31) à tarde, Alckmin ainda cumpriu agenda em outras duas cidades da região: entregou uma delegacia de polícia em Boracéia, e foi até Guarantã para inaugurar uma creche.

Hidrovia

Com o leito do rio Tietê abaixo do mínimo necessário para navegação, a Hidrovia Tietê-Paraná segue paralisada. Além de depender da ajuda do “El Niño” para intensificar as chuvas neste ano, Alckmin salientou que a Usina de Pereira Barreto vai ter um ritmo de liberação mais lento da água represada, justamente para criar condições de recuperação mais acelerada da hidrovia, que é importante canal de escoamento da produção agrícola paulista e do Centro-Oeste em direção ao Porto de Santos.

Protestos

A passagem de Alckmin pela região teve protestos dos servidores do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), que pedem a reposição salarial pelo menos com a inflação e o cumprimento do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da categoria. Outro protesto que ocorreu ontem na Agrifam, inclusive durante o discurso do governador, foi de um grupo de professores da rede estadual, que pedem reajuste salarial. A manifestação chegou a irritar Alckmin, ao final de seu discurso. “O que acontece é que eles (professores que protestavam) querem receber sem trabalhar, sem ter dado aula”, afirmou.

Depois, em conversa com os jornalistas, Alckmin disse que não há o que negociar. “Nos últimos anos, demos aumento acima da inflação para os professores, foi um aumento acumulado de 45% em quatro anos, mais do que a inflação. E nós já pagamos essas aulas, pois foram dadas por substitutos, até porque foi uma greve com participação mínima, com baixíssima adesão, e de caráter político, deflagrada no dia 13 de março, data em que houve manifestação a favor do PT e da presidente Dilma”, mencionou.