‘Descanse na paz, amigo José Carlos Gonçalves (neto de Jésus Gonçalves), suas lembranças ficarão guardadas em meu coração para sempre. A dois ou três dias de seu desencarne, Jésus viu-se repentinamente invadido por uma alegria inenarrável e, apesar das grandes dores que previa iriam abater-se sobre si, ao locomover-se pediu a J.H. que o levasse para o terraço.
Desejava contemplar a beleza da vida e admirar suas amigas queridas - as rosas – no jardim de sua casa. Espraiando o olhar cansado sobre o jardim, sussurra à natureza: oh! par de rosas formosas que eu vejo perto de mim. Quem vos fez assim cheirosas, fez muitas flores assim. A natureza enfeitando, Sois úteis trabalhadoras, Pois conservais meditando As almas mais sonhadoras. A vossa vida ligeira De ostentação resumida, É uma lição verdadeira, Do que há no mundo e na vida. Na sua forma exterior, Tudo no mundo é fugaz, Tudo tem vida de flor Que o tempo vem e desfaz.
Da vossa curta experiência, Do curto brilho em que estais, Floresce a mais pura essência, Que não se extingue jamais. É Vosso aroma e perfume, Qual delicado troféu, Que vossas vidas resumem Eu outras flores do céu. Assim as coisas do mundo, Não são o luxo, a vaidade;
Sim, o que vive profundo, Na vida da eternidade. Também na grande passagem, Da vida humana agitada, Não há apenas miragem Temendo a sombra e o nada. Dentro do homem palpita, Um outro homem mais puro. Ser que bate e se agita, Para escapar do monturo. Oh! Rosas, rosas de amores, Senhoras dos versos meus, No fundo tudo são flores, A caminhar para Deus.’ Fonte: A Extraordinária Vida de Jésus Gonçalves - Autor: Eduardo Carvalho Monteiro.