Já faz dez dias que não cai uma gota sequer em Bauru. E esta estiagem, mesmo em um curto período, já foi suficiente para prejudicar a qualidade do ar na cidade.
Segundo a Cetesb, o aumento da concentração de partículas inaláveis levou o ar do município, quase sempre considerado bom, a piorar para um padrão de qualidade “moderada”. No final da tarde dessa quarta-feira (5), o índice estava em 46, numa escala em que, de 0 a 40, é considerado bom; 41 a 80, moderado; 81 a 120, ruim; 121 a 200, muito ruim; e mais de 200, péssimo. Na última terça-feira (4), a avaliação havia chegado a 48.
Gerente regional da Cetesb, Alcides Tadeu Braga explica que a queda na qualidade do ar está intimamente relacionada às condições meteorológicas desta época do ano, marcadas pela baixa umidade relativa do ar e pela pouca quantidade de ventos. Ontem, em Bauru, a umidade mínima chegou a 25%, já considerado nível de atenção, com ventos máximos de 23 quilômetros por hora.
“O inverno favorece a elevação dos índices de poluição. É, portanto, típico desta época do ano o aumento do número de estações da Cetesb com piora na qualidade do ar. Não é nada relacionado com a elevação das emissões de poluentes, que se tendem a se manter inalteradas ao longo do ano”, destaca, salientando que as partículas inaláveis possuem diversos geradores, como indústrias, a queima de palha de cana, incêndios e motores de veículos, entre outros.
Segundo o gerente, outro fenômeno característico do inverno, as inversões térmicas em baixa altitude também contribuem para o aumento da concentração de micropartículas suspensas no ar. Embora mais visíveis em regiões altamente industrializadas, elas também ocorrem em cidades do Interior do Estado, principalmente em condições meteorológicas como as de agora, quando as noites são frias e os dias, bastante quentes. “Esta mudança rápida de temperatura faz com que uma camada de ar quente se forma sobre a cidade e aprisiona o ar mais frio, próximo à superfície, impedindo a dispersão de poluentes”.
Previsão
E, no que depender da previsão do tempo, a elevada concentração de partículas poluentes deverá permanecer castigando a cidade por mais alguns dias. Segundo o IPMet, a falta de chuvas dos últimos dez dias está sendo provocada por uma massa de ar seco, que deve seguir bloqueando a formação de nuvens carregadas ao menos até sábado.
Por este motivo, a expectativa é de que o tempo continue estável, com predomínio de sol e baixa umidade relativa do ar no período da tarde, conforme explica o meteorologista Thiago Guerreiro Ferreira. “Esta massa de ar seco está instalada sobre a região Sudeste, inibindo a entrada de frentes frias, que provocam chuvas. E a baixa umidade também inibe a formação de nuvens”.
Baixa umidade requer mais cuidados
A baixa umidade do ar e a alta concentração de poluentes registradas com maior frequência durante o inverno demandam atenção redobrada com a saúde. Aumentam os riscos de problemas respiratórios principalmente entre crianças pequenas e idosos.
Pessoas que possuem doenças cardiovasculares também devem ficar em alerta, já que a dificuldade para respirar tende a acelerar os batimentos cardíacos, conforme explica o diretor do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag. “Quem tem problemas respiratórios crônicos, como rinite, bronquite e asma ficam mais suscetíveis a crises”, acrescenta.
No patamar de umidade relativa do ar registrado nos últimos dias em Bauru, entre 20% e 30%, a recomendação é evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11h e 15h, evitar a exposição ao sol e utilizar vaporizadores, toalhas molhadas ou recipientes com água para umidificar. “Também é importante tomar muito líquido”, completa.