| Malavolta Jr. |
| Na correria diária, carros e pedestres ainda disputam os espaços, potencializando os riscos |
Na contramão do aumento da frota, que já chega aos 270 mil veículos em Bauru, os atropelamentos fatais registraram queda de 63% neste ano. É o que aponta levantamento realizado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), no qual o primeiro semestre de 2015 aparece, inclusive, como o de menor número de mortes de pedestres dos últimos cinco anos (veja mais no quadro abaixo). Um dado a se ressaltar ainda mais neste sábado, quando é comemorado o Dia Mundial do Pedestre.
Os atropelamentos de 2015 deixaram um total de 99 pessoas feridas e mataram quatro neste ano. Nos seis primeiros meses de 2014, 11 pessoas morreram atropeladas em Bauru.
E não foram só os dados de vítimas fatais que caíram. Com 67 atropelamentos registrados de janeiro até 31 de julho, 2015 tem 33% de casos a menos do que no mesmo período do ano passado.
Apesar da redução, os índices ainda preocupam a empresa municipal, que estuda novas alternativas para tentar reduzir ainda mais os casos. Uma das apostas da Emdurb é a implantação de faixa de pedestre elevada em algumas vias da cidade que registram grande fluxo (leia mais abaixo).
Queda
| Malavolta Jr. |
| Os atropelamentos costumam ocorrer das 9h às 14h30, e quase sempre vitimam idosos, aponta Nelson Augusto Neto |
Dados processadas que norteiam e ajudam a ampliar a presença da fiscalização nas ruas mais problemáticas da cidade contribuíram diretamente com a redução dos registros, segundo opina Nelson Augusto Neto, responsável pelo setor de estatísticas e geoprocessamento da empresa, que começou a funcionar em 2012.
“Depois que começamos a contabilizar e a rastrear os acidentes, as ações tomaram mais foco. Todo início de mês, discutimos os números com PM (Polícia Militar) e realizamos ações preventivas nos locais problemáticos. Com a fiscalização maior, os abusos caem”, afirma Nelson.
Há 18 anos, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) proíbe o pedestre, sob pena de multa e autuação, de andar fora da faixa própria ou cruzar pistas de rolamento em viadutos, pontes e túneis, e de desobedecer à sinalização de trânsito específica. Embora a penalidade esteja prevista em lei, na prática ela ainda não se aplica, porque a legislação ainda não foi regulamentada.
Ponto crítico
A Rodrigues Alves, altura da quadra 2 (em frente à Câmara Municipal) até o cruzamento com a rua Gustavo Maciel, é o local que mais registra atropelamentos em Bauru. “A avenida é bem sinalizada, mas o desrespeito acontece, tanto por parte dos condutores quanto por parte dos próprios pedestres”, comenta Nelson.
O Calçadão da Batista e alguns pontos da zona sul, por outro lado, são áreas, onde, segundo ele, há mais respeito à sinalização. “Nos bairros, as pessoas também costumam ignorar a faixa e atravessam a rua em diagonal”, acrescenta.
Segundo Nelson, maioria dos atropelamentos costuma ocorrer das 9h às 14h30 e, quase sempre, vitimam idosos.
Tristeza
Se os casos caíram, é importante não perder de vista que quatro pessoas morreram atropeladas. Apesar da redução, são quatro famílias que choram a perda de seus entes queridos.
Em janeiro, uma criança de 6 anos, que brincava na rua, foi atropelada por um caminhão na quadra 3 da rua Alfredo Gonçalves D’abril, nas proximidades da rodovia Bauru- Iacanga. Na mesma região, no dia 6 de fevereiro, outra criança de 7 anos foi atropelada na quadra 4 da rua Luiz Pereira da Silva, no acesso da rodovia, por uma van escolar.
O terceiro atropelamento vitimou um idoso de 74 anos que atravessava a quadra 13 da rua São Vicente, na Vila Pacífico, no dia 7 de maio, quando foi atingido por uma moto.
O último atropelamento fatal ocorreu na quadra 17 da avenida Comendador José da Silva Martha, no dia 17 de maio, quando um pedestre de 41 anos foi atingido por um GM/Vectra.
Emdurb estuda instalar faixa de pedestre elevada
Elencada pela Emdurb como uma das medidas para continuar coibindo o avanço dos registros de atropelamentos na cidade, a faixa de pedestre elevada deve custar, no mínimo, R$ 15 mil aos cofres da empresa municipal. O valor parte de uma conta rápida feita pelo Setor de Planejamento e Sinalização da Emdurb, que planeja a instalação de um dispositivo piloto no Terminal Rodoviário até o final deste ano.
“Ela amplia a visibilidade em relação ao pedestre e pode evitar o impacto, além de coibir velocidades acima dos 40 quilômetros por hora”, explica Aníbal Ramalho, gerente de Planejamento e Sinalização da empresa.
O dispositivo, no entanto, só pode ser instalado em vias planas. A Nações Unidas, Getúlio Vargas e a Castelo Branco são três avenidas cogitadas. “A Rodrigues Alves, apesar de problemática, não tem o perfil de receber um dispositivo desses”, completa.
Na prática, a faixa terá uma camada de asfalto elevada conforme a altura da guia, com rampas e uma superfície que vai de quatro a sete metros de extensão, com um sistema de drenagem dos lados.
A ideia só não saiu do papel ainda porque a Emdurb estuda de que forma resolverá a questão da mão de obra para implantação.