07 de julho de 2026
Geral

PM quer se aproximar da população

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Douglas Reis
Francisco Alberto Aires Mesquita: “Objetivo da PM é ser cada vez mais amiga do cidadão do bem”
Jovens entram cada vez mais cedo na criminalidade e PM quer entender o motivo, disse tenente-coronel Flávio Kitazume

O 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) em Bauru comemora neste sábado (8) seus 114 anos. Entre as metas ainda a serem alcançadas pela corporação, está o desafio de entender e até mesmo compartilhar os medos que a sociedade enfrenta diante da criminalidade. Para isso, a instituição prepara uma pesquisa inédita que deverá apontar o nível de sensação de segurança e de confiança da população na PM.

O estudo, em âmbito estadual e com previsão de início ainda neste semestre, foi divulgado na manhã dessa sexta-feira (8) pelo subcomandante geral da PM no Estado de São Paulo, coronel Francisco Alberto Aires Mesquita, durante solenidade que reuniu autoridades civis e militares no auditório da Instituição Toledo de Ensino (ITE).

“O projeto começou após levantamento preliminar junto aos seguimentos da comunidade em todo Estado, para buscar quais seriam os quesitos a serem apresentados em uma pesquisa mais abrangente. Foi então que a equipe de comunicação da PM nos trouxe proposta na qual possamos executar um estudo junto à sociedade”, disse.

“Os questionamentos serão direcionados no intuito de tentar entender o olhar da sociedade para com a PM. Com isso, verificaremos o que o policiamento militar pode melhorar no seu processo diário, para que a sociedade se sinta mais segura. Bauru é uma região de referência no Estado e, certamente, não ficará de fora do levantamento”, acrescentou Mesquita.

Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública realizado pelo Datafolha, há 10 dias, apontou que 62% dos moradores de cidades com mais de 100 mil habitantes têm medo de sofrer agressão da Polícia Militar. Foram entrevistadas 1.307 pessoas em 84 municípios em todas as regiões do País. A margem de erro é de três pontos.

“Não podemos deixar de lado algumas situações negativas. O nosso policial militar não é um herói, mas sim um cidadão da comunidade que está sujeito a erros. Esses erros são avaliados para, justamente, não ocorrerem novamente. Essa pesquisa nos auxiliará nessa questão. O objetivo da corporação é ser cada vez mais amiga e próxima do cidadão do bem”, finaliza Mesquita.

PREOCUPAÇÕES

O comandante do 4.º BPM-I, tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, apontou, durante a solenidade em comemoração aos 114 anos do Batalhão, outro desafio da corporação: entender o mecanismo que compõe a segurança pública.

“A entrada, cada vez mais cedo e mais intensa do jovem nas drogas e na criminalidade em geral, nos preocupa. Outro fato é a questão da reincidência no crime. Nós reparamos que, em pouco tempo, esses jovens, entre 16 e 17 anos, somam diversas passagens, seja pela polícia ou no sistema prisional”, observa.

Para entender o porquê dessa realidade, Kitazume lança o desafio para toda sociedade. “Teremos que nos unir, polícia, população e serviços sociais, para buscarmos, juntos, respostas para esse empasse”, disse.

Caçadores

O Batalhão foi criado em 8 de agosto de 1901, na Capital, e no ano de 1.927 recebeu a tarefa de se tornar encarregado do policiamento e segurança pública de todo o Centro-Oeste Paulista. Naquele ano, os homens que o compunham, na época, denominado 4.º Batalhão de Caçadores (4.º BC), embarcaram em um trem na Estação da Luz, em São Paulo, e desembarcaram em Bauru.

“A importância do evento é trazer à memória a instituição do centenário e experiência daqueles que passaram por aqui, com os quais aprendemos e nos tornamos melhores como profissionais e pessoa”, resume o tenente-coronel e comandante do 4º BPM-I, Flávio Jun Kitazume.