09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Relatos de uma filha


| Tempo de leitura: 4 min

Sou mulher, filha, esposa e mãe. Tenho quatro homens muito importantes em minha vida: meu pai, sr. Nicanor; meu esposo César e meus dois filhos. Agradeço a Deus pelo privilégio de poder contar com eles a qualquer tempo. Meu pai é um exemplo para mim. Como todo ser humano, passou por vários percalços em sua vida. Errou algumas vezes (quem sou eu para julgá-lo); noutras tantas acertou, e assim nos ensinou a enfrentar a vida, a sermos corretos financeira e profissionalmente, e responsáveis com a nossa família.

Em meio a tantas lembranças com meu pai (enquanto penso passa um filme em minha mente), destaco algumas delas. Da infância, me lembro de meu pai em meio aos amigos e parentes que o ajudaram na construção da nossa casa (onde ele e minha ainda residem). Eu devia ter uns quatro ou cinco anos, mas me lembro da movimentação. Eram comuns os “mutirões” para se levantar paredes e encher uma laje, afinal, não era todo o mundo que tinha dinheiro suficiente para contratar uma construtora ou algo parecido. E ele se orgulha da casa que construiu e é agradecido pela ajuda que recebeu!

Me lembro de, aos sete, oito anos, levar pão e café para ele todas as tardes, até seu local de trabalho. Ele era operador de máquinas numa usina de pedra, próxima a Lençóis Paulista (moramos ali por três anos). Me lembro de meu pai me levando pela mão para comprar meu primeiro par de óculos, assim que entrei na escola. Me lembro das vezes em que ia junto com ele à “cidade” (Lençóis Paulista) para fazer a compra do mês; e ele me deixava escolher alguma guloseima no “empório” onde comprava os mantimentos para a família.

Me lembro dele carregando a sacola de feira cheia, aos domingos, quando ainda era realizada na região da avenida Rodrigues Alves e Nações Unidas. Me lembro de meu pai, sentado à mesa, rodeado de “talões para pagamentos”, organizando o orçamento da casa, em seu “caderno de contas”, ou ainda fazendo sua metódica lista de compras do mês.

Aos quatorze anos, eu fazia as vezes de “office boy” para o meu pai, quando ele me entregava os tais talões para pagamento, requisição de talões de cheques e envelopes com dinheiro para depósito, e eu ia até o banco no centro da cidade (agora morando em Bauru, onde nasci), me sentindo toda importante por ter a confiança do meu pai numa tarefa de tamanha responsabilidade. Impossível esquecer do dia do meu casamento, entrando na igreja de braço dado com ele, rumo ao altar! São tantas emoções! Meu pai nunca foi de manifestações exageradas de carinho. Era carinhoso do jeito dele. Nos orientava e ensinava com seriedade. Era enérgico, principalmente com meu irmão (único homem entre quatro filhas). Não era muito de nos abraçar e beijar. Até hoje somos nós que o abraçamos e beijamos. E ele recebe nossos abraços e beijos, meio sem jeito!

Não questiono meu pai. Tenho respeito por ele. Admiro o homem trabalhador que ele foi. Hoje, aos 74 anos e aposentado, não tem mais o vigor da juventude, nem os braços fortes que fizeram o transporte de tantas mudanças para várias famílias da cidade; que recolheram tanto entulho pelas ruas de Bauru, quando ainda não existiam as atuais caçambas para recolhimento; braços que realizaram tantas podas de árvores pela cidade (até hoje seus cliente o procuram, mas ele não pode mais trabalhar!). Hoje vejo um homens entristecido por não poder mais rodar com seu caminhão pelas ruas da cidade; por não estar ainda ativo, trabalhando, e se ver como aposentado quando isso ainda não estava nos seus planos.

Mas é fácil ver seus olhos brilharem e arrancar um sorriso dos seus lábios: basta conversar com ele sobre os caminhões que teve, sobre as “firmas” onde trabalhou ou sobre as coisas que ele realizou!

Pai, não cobro o senhor por nada! Agradeço a Deus pelo pai que o senhor é, e tenho certeza de que é o pai perfeito para mim, pois Deus nos escolheu para sermos pai e filha!

O segredo para ser um (a) bom (a) filho (a) é honrar os pais. Pedir perdão quando errarmos e perdoá-los quando o erro partir deles. Ouvir seus ensinamentos e guardá-los no coração, praticando todas as boas lições que foram ensinadas! Neste dia em que a palavra PAI ainda é respeitada por uns, temida por outros e, infelizmente, desprezada por aqueles que tentam dilacerar a instituição familiar, quero parabenizar todos os pais, biológicos e “de coração”, que entenderam o papel que lhes coube exercer e o fazem com responsabilidade e amor!

Ao meu pai, Nicanor; ao meu esposo César, pai de meus filhos; e a todos os pais, desejo um feliz Dia dos Pais! Parabéns! Que Deus os abençoe grandemente!

Lidia Mara Santos Oliveira da Silva