08 de julho de 2026
Geral

Smartphone e seus "viciados online"

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
Danieli Passerini, Fátima Carvalho, Júnior Balestero, Carla Marques e Emanuelle Copedê: 4 a 1 para o smarthphone

Você abre apps (aplicativos) no seu smartphone mais de 60 vezes por dia? Se a resposta é “sim”, você se encaixa na categoria dos “viciados” em celular.

Ou, então, é pelo menos um usuário compulsivo. Mas não está sozinho.

Há mais de 280 milhões desses compulsivos no mundo, de acordo com levantamento divulgado pela Flurry. Trata-se de empresa de análise de aplicativos que o Yahoo comprou no ano passado. Esse índice cresceu quase 60% em relação ao ano passado.

Os aplicativos mais acessados pelos “viciados” são, na maior parte, de redes sociais e de mensagens. E os usuários considerados dependentes, ainda segundo a pesquisa,  usam esses dispositivos com frequência pelo menos cinco vezes maior que o usuário médio.

Se há pelo menos duas décadas, o aparecimento da internet trouxe profundas modificações no comportamento e nas relações humanas, acarretando preocupações quanto ao uso intensivo e abusivo desta tecnologia, hoje, com os smartphones, estas modificações comportamentais são ainda mais intensas e preocupantes.

“O smartphone  se converteu num objeto imprescindível na vida diária, para grande parcela da população, especialmente entre adolescentes e jovens, chegando a caracterizar, em muitos casos,  um uso abusivo, problemático  ou aditivo. Em muitos casos, há,  no mínimo, uma situação de elevado risco de conduta excessiva e de dependência”, admite a psicóloga Carmen Maria Bueno Neme, docente e orientadora do programa de pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem da Unesp/Bauru.

Escape

Os variados aplicativos, funções e possibilidades diversas oferecidas pelos smartphones têm produzido verdadeiras revoluções nas formas de comunicação, no entretenimento e no acesso a  informações, que, por um lado, são ferramentas valiosas, especialmente quando utilizadas em certos  contextos de trabalho.

No entanto, ao se tornar imprescindível e ser utilizada na maior parte do tempo para fazer imagens, postar textos e fotos nas redes sociais, fazer e receber ligações e mensagens de voz ou de texto, muitas vezes desnecessariamente e em situações de grande risco como  quando se está ao volante, o uso desta tecnologia deve ser objeto de atenção e reflexão.

Refúgio

“Ao lado de grandes vantagens e um número sem fim de possibilidades de informação e comunicação, também oportuniza ao usuário um mecanismo de escape psicológico e social que permite o isolamento e a fuga de situações ou problemas reais percebidos pela pessoa”, emenda a psicóloga bauruense.

“O que se nota é que as pessoas cada vez mais se refugiam nas novas tecnologias, diminuindo consideravelmente a comunicação e a participação na família e nos relacionamentos afetivos e sociais. Chega-se ao cúmulo das pessoas  estarem lado a lado, por exemplo, num restaurante e estarem se comunicando pelo celular,  por meio dos grupos de WhatsApp, Facebook ou outras redes”, lembra.


In loco

Não é preciso ir longe para encontrar os chamados “loucos” em smartphones. Exatamente como diz a pesquisa, e como relata a psicóloga Carmen Neme, numa mesa de um bar próximo ao Jornal da Cidade, encontramos cinco amigos presentes em um happy hour. E não dá outra: a proporção de de 4 a 1 para o smart. Ou seja, dos cinco presentes na mesa, só uma é o que se chama “desencanada”. Trata-se da secretária Fátima Carvalho, que havia até esquecido o aparelho “em casa, no carro ou no escritório, sabe que não sei onde”, disse. Ela comprova a regra. Danieli Passerini, fisioterapeuta, Júnior Balesteros, educador físico, Carla Margues fisioterapeuta e a advogada Emanuelle Copedê, estavam com seus aparelhos em mãos. E logo de cara vão todos entregando a “viciada” do grupo. Trata-se de Danieli Passerini.

Danieli admite que é mesmo ligadíssima no seu smartphone. O amigo Júnior conta que uma vez fizeram uma “sacanagem com ela e escondemos seu aparelho, ela simplesmente ficou desesperada, dava dó”.

De fato, a fisioterapeuta que sofre de smartphonite aguda diz tentar “mas não consigo, de jeito nenhum, eu durmo com o aparelho ao lado, acordo com a luz, faço tudo com o meu telefone nas mãos”.

Em tempo: todas as mesas, cerca de 20, absolutamente todas mesmo, estavam ocupadas, e sem exceção seus frequentadores tinham aparelhos em mãos ou sobre a mesa.


As novas doenças

Da temida LER...
Lesão por esforço repetitivo (digitar é um desses esforços) que levam à tendinite (inflamação nos tendões dos dedos) todo mundo já deve ter ouvido falar. Mas confira algumas novas doenças decorrentes da modernidade:

... para “Whatsappinite”
Pode parecer estranho, mas uma mulher de 34 anos foi diagnosticada com essa doença na revista espanhola de medicina “The Lancet”. A doença, que é caracterizada por fortes dores nas mãos e polegares (basicamente uma tendinite nas mãos), foi causada quando a paciente passou cerca de seis horas trocando mensagens no WhatsApp. O tratamento prescrito, foi abstinência total do celular, além de anti-inflamatórios.

Nomophobia
A ansiedade que surge por não ter acesso a um dispositivo móvel. O termo “Nomophobia” é uma abreviatura de “no-mobile phobia” (medo de ficar sem telefone móvel). É a sensação desconfortável que gera um ataque de ansiedade quando acaba a bateria do celular e não há tomada elétrica disponível.

STF
Síndrome do Toque Fantasma. Ocorre quando o cérebro faz com que você pense que seu celular está vibrando no seu bolso (ou bolsa). Alguma vez você já tirou o telefone do bolso porque o sentiu tocar e percebeu depois que ele estava no silencioso o tempo todo? E, ainda mais estranho, ele nem estava no seu bolso para começo de conversa?
Você pode estar delirando, mas não está solitário nessa também aqui: várias pessoas pelo mundo afora estão desenvolvendo a STF.