“Conjuntura ou momento perigoso, difícil ou decisivo. Falta de alguma coisa considerada importante. Embaraço na marcha regular dos negócios. Desacordo ou perturbação que obriga instituição ou organismo a recompor-se ou a demitir-se”: essas são algumas definições da palavra “crise” no dicionário Aurélio. O termo virou moda e desde os últimos meses está presente de forma ressonante no linguajar nacional. Está nas conversas entre amigos; no balcão da padaria com pão menor e mais caro; nos encontros entre as gôndolas dos supermercados; nas portas comerciais fechadas com placas de aluga-se pendurada e principalmente nas justificativas demissionais.
A sentença não estava tão presente nos discursos populares e cotidianos desde a fatídica “década perdida” (recessão econômica eclodida na América Latina nos anos 80). Naquela época, o poder de consumo da população foi diminuído agressivamente, motivado pela hiperinflação. A dívida externa do Brasil aumentou e a indústria nacional reduziu drasticamente sua produção, fazendo o PIB despencar. O “milagre econômico”, experimentado nos anos 70, estava sepultado. Em 1986, ano do meu nascimento, a inflação anual era de 79%.
Diante da atual inflação anual, girando em torno de 9%, economistas contemporâneos se dividem entre previsões pessimistas e otimistas. A corrente que se ampara na confiança, assegura que o país não corre risco de um colapso pela solidez das instituições públicas e a consolidação do estado democrático de direito. Para eles, a economia deve começar a recuperação até o final deste ano. Já os derrotistas preveem que o exagero praticado nas contas públicas nos últimos anos, a expansão da concessão de crédito somada a recorrente desvalorização do real frente ao dólar pode afetar ainda mais a economia nos próximos meses. Para esse segundo grupo a crise deve persistir ao longo de 2016.
A única realidade é que todos lidam com previsões. A certeza só se faz no presente. O presente tem uma presidente da República com um governo que ostenta a maior impopularidade desde dias antes da destituição do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. (Pesquisa Datafolha divulgada no dia 6/8/2015 revelou que 8% aprovam e 71% reprovam o governo Dilma Rousseff; Collor tinha 10% de aprovação na época). A principal dúvida do momento deriva do significado da palavra crise: “Recompor-se” ou “Demitir-se”? Como diria o escritor britânico Oscar Wilde (1854-1900) “o descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação”. Enquanto isso vamos esperar pelos próximos dias imprevisíveis.
O autor é jornalista e especialista em Comunicação Empresarial