| Fotos: Lucas Pereira/Repórter na Rua/Divulgação |
| Erasmo Rogério Tieni imobilizado por policiais após a prisão |
| Erasmo Rogério Tieni foi preso em flagrante pela Polícia Civil após manter filho de 5 anos refém em quarto de hotel por cerca de quatro horas |
Erasmo Rogério Tieni, 47 anos, preso desde a última segunda-feira (10) na cadeia transitória de São Pedro do Turvo (113 quilômetros de Bauru) após sequestrar e manter refém em um hotel de Santa Cruz do Rio Pardo o próprio filho, de 5 anos, foi encontrado morto nessa quarta-feira (12) de manhã na cela que dividia com um preso. Segundo a polícia, ele usou cordão que ficava na janela para se enforcar. A Polícia Civil irá instaurar inquérito para apurar o caso.
As negociações para que Erasmo se entregasse e libertasse a criança mobilizaram equipes da Polícia Civil da região e do Ministério Público (MP) e duraram cerca de quatro horas (leia mais abaixo). Após prestar depoimento na delegacia de Santa Cruz do Rio Pardo, ele foi autuado em flagrante pelos crimes de sequestro e cárcere privado, coação no curso do processo (em relação à ex-mulher) e subtração de incapazes e encaminhado à cadeia transitória.
O delegado assistente da Delegacia Seccional de Ourinhos e responsável pelo expediente da delegacia de São Pedro do Turvo, Paulo Henrique da Silva Carvalho, conta que Erasmo estava em cela separada dos demais presos, com apenas um detento que não oferecia riscos à sua integridade. “A gente ficou receoso de colocá-lo junto com os demais presos e colocamos em uma cela com um senhor de certa idade”, explica.
Nessa quarta, por volta das 7h, seria dado início ao processo de transferência dele para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cerqueira César. “Quando o carcereiro entrou na cela para retirá-lo, ele já estava morto”, diz. Segundo o delegado, o detento foi encontrado dependurado na grade da janela. “Ele usou pedaço de cordão que os presos geralmente colocam em cima da janela para evitar que entre claridade do sol”, revela.
O suicídio não teria sido presenciado pelo colega de cela dele. “Ele diz ter percebido muita tosse, mas não fez nenhum tipo de associação ao fato de ele estar tentando se matar naquele momento”, afirma Carvalho. A morte foi constatada por equipe médica e o corpo de Erasmo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Ourinhos para realização de exames necroscópico e toxicológico, que poderão precisar a hora do óbito.
Perdão
No bolso dianteiro da calça de Erasmo, peritos encontraram carta escrita em folha de papel higiênico. “Basicamente, ele pedia desculpas para a esposa, pedia perdão e dizia que amava ela e que a única forma de ele dar sossego para ela era fazendo o que ele fez”, conta o delegado. Segundo ele, em nenhum momento o homem mencionou o filho. O material foi encaminhado para análise da perícia.
Inquérito policial
De acordo com o delegado assistente da Seccional, inquérito será instaurado para apurar a morte de Erasmo, registrada inicialmente como suicídio. Além dos presos que estavam na unidade, funcionários de plantão também serão ouvidos. “Tudo leva a crer que foi suicídio por conta de todas as circunstâncias”, alega.
“Durante a negociação, na segunda-feira, ele disse que iria se matar. Ele mesmo disse que já tinha tentado por três vezes. Fizemos contato com a ex-esposa, que confirmou essas tentativas. Ele também estava desequilibrado. É uma somatória de situações que nos levam a quase absoluta certeza de que foi suicídio”, contou o delegado.
Polícia Civil descarta eventuais falhas na segurança do preso
O delegado assistente da Delegacia Seccional de Ourinhos e responsável pelo expediente da delegacia de São Pedro do Turvo, Paulo Henrique da Silva Carvalho, descarta eventuais falhas em relação à segurança do detento. “Pelo contrário, a ação da polícia foi tão perfeita na segunda-feira que buscou preservar, inclusive, a vida dele”, analisa. “Fica difícil você prever que o sujeito vai se matar. Era a ideia fixa dele, anterior até a sua prisão”.
Na avaliação de Carvalho, uma série de fatores contribuiu para que Erasmo cometesse o ato extremo de tirar a própria vida. “Há uma somatória de situações. A criança deixou de estar ao lado dele, ele acabou sendo preso”, revela. Segundo o delegado, em depoimento à polícia, o colega de cela dele contou que ele estava tranquilo até ver uma entrevista da ex-mulher em reportagem na TV. “Aquilo também alterou o emocional dele”, declara.
Ainda de acordo com Carvalho, Erasmo fazia tratamento psiquiátrico e chegou a ser medicado anteontem à noite. “Eu não consigo visualizar nenhum tipo de omissão ou negligência por parte de carcereiros”, diz. “É difícil você conseguir evitar algo que a pessoa está pretendendo fazer”.
Quatro horas de tensão
Erasmo Rogério Tieni, 47 anos, sequestrou o filho de cinco anos quando ele chegava de ônibus na escola, em Campos Novos Paulista, na segunda-feira (10), por volta das 7h. Ele e a ex-mulher estavam separados há cerca de quatro meses e, desde então, ele morava em Maringá, no Paraná. Após diligências, por volta das 12h30, a Polícia Civil localizou pai e filho em um hotel em Santa Cruz do Rio Pardo.
A negociação para a libertação da criança mobilizou policiais civis de toda região e Ministério Público (MP) e durou cerca de quatro horas. O homem não se conformava com a separação e ameaçava matar o filho se a ex-mulher não retirasse queixas de agressão contra ele. Somente com a chegada da promotora de Justiça de Santa Cruz do Rio Pardo Renata Gonçalves Catalano, ele começou a se acalmar.
De acordo com a promotora, dois delegados se passaram por advogado e juiz para ajudar na negociação e convenceram o acusado a entregar a faca que ele usava para ameaçar o filho, além de um canivete. Na sequência, ela pediu para pegar a criança no colo. Quando Erasmo autorizou a entrada dela no quarto e abriu a porta, um dos policiais conseguiu segurar o menino no colo e sair correndo, enquanto o outro imobilizava o acusado, com a ajuda de outros policiais. Ele tentou resistir à prisão, mas acabou autuado em flagrante.
A Polícia Civil vistoriou o carro de Erasmo e encontrou objetos como luvas cirúrgicas, pá, facas, uma lona, um pedaço de corda e um porrete de madeira. Segundo o delegado Antônio José Fernandes Vieira, responsável pelo expediente em Campos Novos Paulista, o material indicava que o pai tinha a intenção de assassinar o filho.