13 de agosto é o dia do aniversário de Gabriel Ruiz Pelegrina. Casado com dona Naide, como exemplar família eles têm os filhos Carlos Alberto, Sérgio Eduardo, Luiz Antônio e Maria Aparecida, bem como netos e bisnetos. Para comemorar esse dia festivo, consultei meus arquivos que revelaram um pouco da vida profissional dele, mostrando assim aos leitores uma trajetória de sucesso profissional que lhe proporcionou ser um servidor útil à empresa a que esteve vinculado pelo espaço de 38 anos.
Em 30 de outubro de 1940, com duas personalidades de sua vida, seu primo Gabriel Ruiz e seu concunhado Domervil Forastieri, ele ingressou no quadro de pessoal da antiga e extinta Estrada de Ferro Noroeste do Brasil como telegrafista-diarista, mesmo sem nunca ter visto um aparelho telegráfico, quando tinha apenas 19 anos, confessou-me.
Embora residindo em Bauru, ele apresentou-se em Três Lagoas, onde Domervil era inspetor de Tráfego do 2º Distrito, que o apresentou ao colega Henrique Guimarães de Ávila. Este lhe pediu para acompanhá-lo, levando-o para o local onde ele se alojaria. Andando uns cinquenta metros adiante, chegou à residência do engenheiro J.J. Cardoso Gomes, viúvo e já idoso, morador solitário daquela casa e, com seu consentimento, lhe foi destinado um quarto, no qual se acomodou.
Após conhecê-lo pessoalmente, ficou sabendo que aquele engenheiro, nos primeiros anos do século, havia morado em Bauru, tendo uma loja de tecidos na rua Araújo Leite, sendo o primeiro engenheiro da prefeitura, e ainda, em 1910, projetou e instalou a primeira usina geradora de energia elétrica em Bauru, festivamente inaugurada em 16 de março de 1911. Em 1916, o dr. Cardoso foi juiz de Paz na cidade, sendo ele quem presidiu no mesmo ano o casamento civil dos pais de Gabriel. Foi assim que ele deu os primeiros passos dedicando-se a estudar os capítulos mais importantes da história de Bauru.
Fato que lhe ajudou a desenvolver capítulos dessa história foi que antes de sua partida para Três Lagoas assinou o jornal “Correio da Noroeste”, editado na cidade pelo jornalista e historiador José Fernandes, jornal que, embora com envio no atraso de dois a três dias, lhe permitia ler coisas sobre a sua cidade natal, inclusive narradas pelo historiador Aimoré J. David Jorge. Como memorialista, Gabriel foi homenageado pela Universidade Sagrado Coração, emprestando seu nome ao Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica dessa instituição. Membro da Academia Bauruense de Letras, ocupa a sua cadeira nº 1, tendo como patrono o memorialista Carlos Fernandes de Paiva.
Em 1942, ao ler uma edição desse jornal, ficou sabendo de sua convocação para incorporar-se ao Exército Brasileiro, embora tivesse já feito o Tiro de Guerra e estar de posse do certificado de reservista. No entanto, não foi incorporado porque, segundo o major Américo Marinho Lutz e o coronel Aro Vidal, chefe da 6ª C.R., ele estava mobilizado em serviço, uma vez que era telegrafista e a E. F. Noroeste do Brasil era uma estrada estratégica.
Em março de 1944 foi transferido para Bauru e, na ferrovia, foi progredindo participando de cursos e concursos a que foi submetido, obtendo sua aposentadoria em 1 de janeiro de 1978. Parabéns, companheiro!
O autor é historiador e escritor