| João Rosan |
| Posto de visita rebaixado é sinônimo de risco entre as ruas Araújo Leite e Manoel Bento Cruz |
Valetas tão profundas que levam os motoristas a reduzir a velocidade a quase zero para evitar danos aos veículos. Todo bauruense já deve ter se deparado com pelo menos um “obstáculo” como esse ao trafegar pelas ruas de Bauru.
O problema é tão frequente que motivou a Associação de Defesa da Cidadania de Bauru (Adeciba) a protocolar uma ação civil pública contra o município, exigindo que reparos sejam feitos para reduzir o desnível em relação ao asfalto. A entidade pede, ainda, para que as mesmas medidas sejam adotadas quanto a bocas de lobo desprotegidas e postos de visita (usado para inspeções na tubulação) com altura irregular.
Advogado da associação, Ivan Goffi explica que a ação tramita há cerca de um mês e meio na 1ª Vara da Fazenda Pública. Por meio de nota, a prefeitura informou que já foi notificada e que deverá apresentar sua defesa dentro do prazo legal.
O pedido da Adeciba é para que a Justiça nomeie um perito em engenharia que possa elaborar um laudo para demonstrar se estes equipamentos oferecem riscos de acidentes e danos a veículos e pedestres. Caso o perigo for comprovado, o município seria obrigado a corrigir os problemas.
“Como não existe um código de como fazer valetas, bocas de lobo e postos de visita, somente o laudo poderá apontar o que a prefeitura não deve fazer, inclusive em relação ao que já foi executado”, comenta.
Goffi afirma que registrou, em fotos, cerca de 150 casos em que estes dispositivos ameaçam a integridade de veículos e pedestres. Quase sempre, o aprofundamento das valetas é gerado pelo recapeamento de ruas, que aumentam a espessura do pavimento.
Tampa rebaixada
Foi este tipo de obra que gerou transtornos em diversos cruzamentos da avenida Orlando Ranieri, no Jardim Marambá, em especial na interseção com a rua Geraldo Vitório da Silva. “A cada nova camada de asfalto, as valetas foram sendo cada vez mais aprofundadas. O resultado é um sulco que faz com que os veículos sempre batam o assoalho ou o carter no asfalto, perdendo peças, agredindo a suspensão. O trânsito como um todo é prejudicado, porque fica lento nestes trechos”, comenta o advogado.
Ele também critica o desnivelamento entre ruas e postos de visita, cujas tampas circulares, feitas em ferro, quase sempre estão posicionadas no meio dos cruzamentos. Um deles, entre as ruas Araújo Leite e Manoel Bento Cruz, no Centro, atrapalha não apenas o trânsito, mas também quem anda a pé, já que está localizado sobre a faixa de pedestres.
“O desnível é de inacreditáveis 12 centímetros. E, assim como esta, outras ruas movimentadíssimas padecem do mesmo mal. É inadmissível que a prefeitura feche os olhos para este total desleixo”, reclama.
Outro problema crônico, segundo Goffi, são as inúmeras bocas de lobo desprotegidas, sem grades de ferro ou tampas de concreto que ofereça segurança contra acidentes. “Em algumas, cabe um pneu inteiro de um carro, uma bicicleta, uma criança. Mais uma vez, é resultado de uma prestação de serviços precária da prefeitura”, argumenta.
Segundo o advogado, a expectativa é de que o caso seja julgado pela 1ª Vara da Fazenda Pública até meados de setembro.