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| Domingos Malandrino, Sebastião Gonçalves de Lima Leleco e Gino Paulucci Júnior discutem a situação da indústria na região |
A estratificação industrial no Brasil, salvo raras exceções e especificidades setoriais, mantém um ‘mix’ que atrela micro e pequenas instalações à diversificação de atividades, características que fazem a diferença na hora de fazer a conta da representação de participação diante do Produto Interno Bruto (PIB). Esta é a principal referência do setor industrial em Bauru, com 25 mil empregos. Perfil e diversificação em 22 setores da planta industrial, das pequenas às médias, de transformação ou maior valor agregado, garantem à região participação acima da média nacional, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Por isso, e não por outra razão, a indústria representa 20% do PIB bauruense, muito acima dos 12% do País. Para a diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), é exatamente o perfil e a diversificação que, em boa parte, garantem o menor impacto da estagnação das atividades e dos níveis de emprego na região, em detrimento aos dados nacionais neste momento.
Por sinal, há 20 anos, a indústria em todo o País respondia por 27% do PIB. Os 20% da fatia da “riqueza regional” representam 25 mil empregos em 625 instalações industriais, a maior parte composta por pequenos e médios empresários.
De acordo com recente pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de todos os municípios paulistas, Bauru ocupa a 24.ª posição em quantidade de indústrias. Isto quer dizer que 15% de todos os trabalhadores da cidade estão empregados nas indústrias, com salários geralmente acima de setores como o comércio, além de posicionados entre os melhores do Estado de São Paulo, conforme o Ciesp.
Relevância do setor
A indústria, atualmente, é o segundo setor mais relevante para a economia do município. De acordo com a Fundação Seade (2012), o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria bauruense é o maior da chamada microrregião, com R$ 1.959.000,00.
E, ao contrário do que o quadro possa ser suscitado, é exatamente a composição na base da pirâmide industrial e a diversificação dos negócios que dão sustentabilidade na participação da indústria em Bauru em termos de participação na geração de riqueza.
Para o diretor regional do Ciesp, Domingos Malandrino, a desinformação é a principal causa do não reconhecimento pontual do papel da indústria local. Para a diretoria do Ciesp Bauru, qualquer avaliação de participação da indústria na economia local e regional deve levar em conta três fatores: perfil, diversificação e característica de atuação familiar no segmento de grande porte.
“A crise econômica afeta em maior ou menor grau todos os setores da economia. Mas, no caso da indústria, os impactos em nível de emprego e perda de vagas têm sido menores que outras regiões do País exatamente pela característica de nosso parque industrial. E, ao contrário do que alguns falam, a indústria aqui mantém sua significativa participação no PIB exatamente por ter em sua formatação os três fatores que a compõem”, aborda o diretor.
Quanto ao perfil, o empresário salienta que 98% das instalações são de micro e pequenas indústrias, distribuição que se repete em âmbito nacional. “O perfil garante uma frente de atuação que alimenta e fortalece o segundo fator, a diversificação. É uma massa gigantesca de pequenos e médios empresários atuando. Temos 22 setores importantes atuando na economia regional. Com isso, alguns segmentos se comportam bem melhor que outros em tempos de crise e qualquer impacto na economia, como o atual, é sentido de maneira diferente e não afeta maciçamente uma cadeia do parque industrial”, argumenta.
Para Domingos, esta característica explica, por exemplo, porque mesmo com a perda de 400 empregos em Pederneiras, recentemente e os problemas enfrentados por trabalhadores em planta fabril de bateria em Bauru, o setor continua alimentando negócios. “Porque temos outras frentes de atuação. Se houvesse concentração de atividades, os efeitos da crise seriam piores. Do levantamento do Nível de Emprego do Estado de São Paulo divulgado na última quinta-feira (leia mais abaixo), cinco setores da indústria em Bauru apresentaram resultado estável, dois cresceram e o restante decresceu, como a maior parte do País. Mas aqui a diversificação ainda segura a alavanca, ao contrário de outras regiões”.
Quem tem concentração de atividade industrial, como Jaú nos calçados e Matão na laranja, sofre muito mais neste período de estagnação, salienta Domingos. “No contexto geral, Bauru tem menor impacto, mesmo em uma maré ruim. E isso também nos diferencia no comportamento frente ao nível de emprego”, complementa.
GESTÃO FAMILIAR
O terceiro fator que contribui para o bom resultado da indústria regional a partir de Bauru é a existência de alguns grupos de grande porte ancorados em gestão familiar. “Bem geridas, essas empresas dão resultados e garantem comprometimento com a comunidade local. Pode parecer contraditório, mas o fato de não termos dependência de grandes multinacionais é um elemento importante nesse processo. O empresário dos locais de porte com raízes na cidade tem relação mais próxima e estreita com sua comunidade. Os números e as avaliações passam pelo lugar onde se está instalado, ao contrário de uma multinacional, onde a decisão vem de cima para ser cumprida nas localidades”, cita.
Na avaliação global, a diretoria do Ciesp Bauru salienta a posição industrial. “Os dados demonstram que Bauru sempre foi forte como cidade industrial, mostrando sua força e capacidade de inovação de produtos, processos e serviços, com destaque para os setores: alimentício, baterias automotivas, plástico, gráfico, confecção e construção civil. As indústrias que compõem esses setores estão entre as mais importantes do Brasil”, destaca a diretoria.
Pesquisa aponta queda no nível de emprego no Estado
De acordo com o levantamento do Nível de Emprego do Estado de São Paulo, elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e divulgado na última quinta-feira, de janeiro a junho de 2015, a indústria paulista fechou 62,5 mil vagas, sendo o pior resultado em 10 anos, desde o início do trabalho.
“Há anos, a indústria vem perdendo postos de trabalho, porém, a violência da perda deste ano de 2015 surpreende”, afirma o diretor do Depecon, Paulo Francini. “E a indústria não é o único setor surpreso, todos os setores também estão”.
Segundo Francini, a indústria de transformação paulista deve encerrar este ano com, pelo menos, 150 mil empregos a menos na comparação com 2014, quando já houve perda de cerca de 130 mil postos de trabalho. “Estamos surpresos, perplexos e tristes com a redução que estamos sofrendo e não vemos o seu término. Não sentimos que o pé bateu no fundo do poço para, agora, tomarmos impulso para voltar a subir”, diz o diretor.
Se comparada com a situação em junho de 2014, a indústria paulista chegou a junho deste ano com um saldo negativo de 191 mil empregos. E, de acordo com Francini, a pesquisa registrou recorde de perdas em praticamente todas as leituras e deve encerrar 2015 “superando todo e qualquer outro ano anterior” em termos de baixas.
Da perda de 27,5 mil postos em junho, 1.987 demissões são da parte do setor de açúcar e álcool, as usinas, enquanto os demais 25.513 foram demitidos pela restante da indústria de transformação.
O Depecon apura a situação de emprego em 22 setores. Em junho, 18 informaram demissões, três anotaram estabilidade em seu quadro de funcionários e apenas um contratou. Este também é o pior cenário para o mês de junho desde o início da pesquisa, em 2005.
A indústria de veículos automotores continua sendo um dos setores que mais demitem ao longo dos meses. Em junho, o setor desligou 4.691 funcionários. Na esteira, o segmento de máquinas e equipamentos também exibiu significativas baixas, com a demissão de 4.081 trabalhadores.
Perda por região
Das 36 regiões avaliadas, 30 computaram baixa no mercado de trabalho de sua indústria, cinco ficaram positivas e uma ficou estável. Entre as altas, destaque para Matão, com ganho de 0,48%, impulsionado pelo setor de produtos alimentícios (3,95%).
A região de Presidente Prudente também anotou alta, de 0,45% em junho, influenciada por contratações nos segmentos de minerais não-metálicos (7,14%) e de coque, petróleo e biocombustível (1,77%). Santos registrou ligeiro crescimento de 0,31%, puxado pelas indústrias de confecção de artigos do vestuário e acessórios (3,29%) e de produtos alimentícios (1,02%).
No campo das baixas, São Carlos se destacou, com queda de 4,56% no emprego industrial, em meio a perdas nos setores de máquinas e materiais elétricos (-1,06%) e de produtos alimentícios (-6,15%).
O mercado de trabalho da indústria de Bauru registrou perdas significativas, de 3,30% no mês passado contra o mês anterior, abatido pelo desempenho negativo nos segmentos de máquinas e equipamentos. Leia-se aqui a situação da Pedertractor, que, conforme o JC noticiou, demitiu 400 funcionários (-13,70%) e de confecção de artigos do vestuário (-4,25%).
A região de Piracicaba computou baixa de 2,16%, influenciada pela queda em veículos automotores e autopeças (-6,94%) e produtos alimentícios (-4,31%).