| Éder Azevedo |
| Em reunião ontem em Bauru, negociação com inadimplentes foi apontada como uma das soluções |
O índice de inadimplências nas escolas particulares de Bauru e região passou dos 10% pela primeira vez neste ano, segundo dados do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), que representa os colégios privados em território paulista.
A média estadual vem crescendo desde o começo de 2015 e, nos últimos dois meses, já passou de 8% - respectivamente 8,08% em junho e 8,84% em julho, maior índice do ano. Já na região de Bauru, o percentual de devedores é maior e praticamente dobrou entre janeiro e julho (veja no quadro ao lado).
No primeiro mês do ano, 5,45% estavam inadimplentes, número que foi subindo até a casa dos 8% nos meses de abril, maio e junho. E, em julho (mês da última atualização), está em 10,41%. É o terceiro maior índice entre as 13 regiões paulistas analisadas, atrás apenas da Capital, com 17,70%, e São José dos Campos, que soma 11,58%.
O presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva, esteve ontem em Bauru para um encontro com 60 mantenedores de colégios privados da região e, ao longo dos próximos dias, fará reuniões nas demais regiões paulistas.
Para ele, o diálogo entre os dirigentes e os pais será fundamental para reverter o quadro. “Legalmente, a escola não tem poder de sanção contra os alunos e pais na vigência do contrato. O único momento em que a escola pode fazer algo é no final do ano, não aceitando uma nova matrícula”, afirma. “Diante desta situação, a orientação para os colégios é que busquem o diálogo com os pais inadimplentes, renegociando a dívida, procurando uma forma de receber os pagamentos atrasados, inclusive conscientizando-os da importância do pagamento em dia para a saúde financeira da escola e, consequentemente, uma boa qualidade do ensino”, pontua Silva.
Mesmo com um crescimento da inadimplência, o presidente do Sieeesp acredita que o cenário vai melhorar. “A gente entende que estamos no ápice da crise e que há uma tendência de melhora, desde que o governo tenha juízo nas atitudes e no controle de gastos”, salienta.
Constante
O diretor regional do Sieeesp em Bauru, Gerson Trevizani, o Duda, reitera que as escolas já mantêm um diálogo permanente com os pais. “Há uma preocupação com a crise política e econômica que o País atravessa e, como vamos fazer para manter bem as atividades em 2016. Afinal, a crise atinge também o pai de família, que é o pai do nosso aluno. A orientação de conversar com as famílias já vem sendo feita aqui na região e as escolas daqui têm uma boa abertura com os pais. Procuram fazer o máximo para não perder o aluno, parcelam as dívidas, renegociam, a não ser em situações em que realmente não tem jeito”, destaca Duda.
Reajuste
Anualmente, também há reajuste das mensalidades. O Sieeesp lembra que o cálculo é feito pela escola, com o índice variando, portanto, de uma instituição para a outra, mas que, em média, nunca fica abaixo da inflação, comenta o presidente Benjamin Ribeiro da Silva. “Além da reposição salarial de professores e funcionários, houve aumento da tarifa de energia elétrica. Em várias cidades, subiu a água também. No caso de Bauru, as escolas acabam tendo de usar o ar condicionado quase o tempo todo, pois é uma região quente”, justifica.
Sobre um índice médio de reajuste para 2016, o dirigente diz que pode ficar acima dos dois dígitos, uma vez que a inflação acumulada neste ano tende a ser de até 9%. “Abaixo da inflação não fica (o reajuste). Pode ser que a própria inflação bata perto de 10% em 2015, então o reajuste vai ser daí para mais. Cada colégio tem autonomia para calcular seu reajuste e definir o valor das mensalidades, mas sempre reiteramos a todos que cobrem um valor que comporte o bom andamento, sem prejudicar a saúde financeira. Não dá para trabalhar com prejuízo”, argumenta.
Crescimento
Apesar do momento econômico adverso, os números do Ministério da Educação (MEC) apontam que as escolas privadas cresceram 5,1% de 2013 para 2014 no País. “Não temos ainda os dados deste ano, mas deve estar nessa faixa também. Hoje, os pais entenderam a importância de valorizar o ensino e a formação dos filhos, e a escola particular tornou-se uma alternativa natural. Isso fica nítido nas provas e avaliações do governo, em que as escolas particulares se destacam, enquanto as escolas públicas vêm sofrendo com greves, faltas de aula. Quem coloca o filho na escola particular, dificilmente faz o caminho inverso, de voltar para a pública, a não ser que ele realmente não tenha condição”, avalia o presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva.
Para o diretor regional, Duda Trevizani, mesmo com um reajuste na casa de 10%, as escolas terão de “cortar” despesas. “Não é só a reposição salarial de professores e funcionários. Tem ainda a energia que subiu muito, a água que teve alta em Bauru. A inflação já está acima dos 9%, ou seja, dificilmente alguma escola conseguirá reajustar menos do que 10%, e ainda assim procurando economizar, como na energia, pois, em uma região quente como a nossa, gasta-se bastante com ar condicionado”, lembra.