Uma discussão motivada pelo fim do casamento quase terminou em tragédia, ontem de manhã, em Bauru. Um homem de 36 anos é acusado de despejar gasolina na ex-esposa e atear fogo na residência em que ela vive e no carro da vítima. Ninguém se feriu.
“Se eu não tivesse corrido, ele teria me matado”, contou Ana Nery Munuera, 29 anos, que preferiu não ser fotografada.
Acusado por ela, Ronaldo Nogueira, conhecido como Chumbinho, desapareceu.
As chamas consumiram praticamente todo o interior da casa de alvenaria na quadra 20 da avenida Engenheiro Paulo Frontin, Parque Santa Edwirges.
“Conseguimos salvar a geladeira e o fogão”, contou Jeferson Gouvea de Paula, 24 anos, que descarregava um caminhão de telhas a alguns metros do imóvel.
O jovem contou com a ajuda do companheiro de trabalho, Bruno Vinicius Dores, 16 anos. “Eu e vizinhos subimos no telhado e usamos água da caixa para conter o fogo”, disse Bruno.
‘Transtornado’
Ana Nery contou que o ex-marido, com quem foi casada por 15 anos e se separou há duas semanas, chegou com carro dela e o estacionou em terreno ao lado.
Segundo a vítima, o homem levou os quatro filhos do casal (de 5, 6, e 9 anos, além do bebê de 1 ano e meio) até a casa da sogra e, na sequência, retornou à residência transtornado, conforme ela relatou.
“Pediu para reatar. Discutimos e, de repente, ele jogou gasolina em mim e em toda casa. Foi quando consegui correr”, disse. Ela já teria sofrido agressões e ameaças, mas registrou na polícia porque “não imaginava que chegaria a este ponto”.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e conteve o que ainda restava do incêndio. A área foi isolada e só seria liberada com autorização da Polícia Civil, com base no resultado da perícia técnica.
De acordo com o delegado plantonista na CPJ, Roberto Cabral Medeiros, a ocorrência foi registrada como incêndio criminoso e o autor responderá pelo crime em liberdade, uma vez que não foi detido em flagrante.
E os filhos?
Segundo os bombeiros, utensílios da cozinha, copa e sala foram destruídos, mas as chamas não teriam atingido a estrutura física do imóvel. A vítima diz que perdeu roupas e que o ex-marido ateou fogo também no carro dela. “Meus filhos não têm mais o que vestir”, lamenta Ana, que precisou receber atendimento médico na UPA do Bela Vista.
“Vi uma das crianças chorando porque não tinha mais material para ir à escola”, completou a vizinha Benedita Cândida, 44 anos.
A doméstica presenciou o incêndio. “Meu filho e outros vizinhos usaram até baldes para combater o fogo até os bombeiros chegarem”, contou.