09 de julho de 2026
Regional

Região está longe de alertar desastres


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Fortes tempestades, enchentes, secas e queimadas. Estes são os desastres mais comuns na região de Bauru, que não está preparada para alertá-los, conforme observa o Corpo de Bombeiros. Para trazer noções de prevenção às instituições públicas e privadas, a Organização das Nações Unidas (ONU) apoiou o Simpósio sobre a Redução do Risco de Desastres e a Resiliência no Meio Rural e Urbano, que reuniu cerca de 100 pessoas, ontem, na Escola Técnica Estadual (Etec) de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru).

De acordo com o coordenador da Defesa Civil da região de Bauru e comandante do Corpo de Bombeiros do município, o tenente-coronel Rogério Gago, algumas administrações municipais ainda não tratam com seriedade a implantação de uma Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec). Conforme o JC noticiou há quatro anos, dos 39 municípios que integram a 7.ª Região de Defesa Civil do Estado, apenas 12 têm uma Comdec atuante, o que representa 30% do total. Atualmente, Gago constata que nada mudou.

“Muitas prefeituras encaram a Defesa Civil como um gasto para as cidades, mas o órgão é, na verdade, uma organização que levanta e analisa os riscos, além de trabalhar na prevenção contra catástrofes naturais. A Defesa Civil só é lembrada quando ocorre algum desastre. Nós participamos desta iniciativa para mostrar a importância da resiliência nas cidades, ou seja, que elas estejam organizadas para suportarem um desastre”, justifica o tenente-coronel.

Resposta

 

Diante disso, a região está mais preparada para responder às catástrofes mais comuns, como enchentes, queimadas e secas, do que para alertá-las. Inclusive, Gago informa que o Corpo de Bombeiros de Bauru foi o primeiro do Estado a adquirir aviões agrícolas para combater os incêndios florestais, que são bastante comuns em Jaú, que abriga diversas plantações de cana-de-açúcar.

O remédio, segundo o tenente-coronel, é a conscientização. “Por parte do Corpo de Bombeiros, são feitas palestras prevencionistas em escolas e empresas”, revela. O comandante da corporação acrescenta ainda que as pessoas têm de prevenir situações de vulnerabilidade. “Na área urbana, você vai ao cinema e deve verificar onde está a saída de emergência. Já na rural, evitar incêndios florestais é a melhor saída”, frisa.

Em Cabrália Paulista, que sediou o simpósio, há centenas de palets depositados em uma área de reflorestamento. Se eles pegarem fogo, já que a madeira está seca, é quase certo que haverá um incêndio florestal. Por outro lado, o município, que abriga cerca de 5 mil habitantes, possui uma Defesa Civil tão atuante que conseguiu levar o Corpo de Bombeiros para lá. “É a única cidade deste porte do Estado de São Paulo que tem Corpo de Bombeiros, inclusive, com funcionários contratados pela própria prefeitura”, destaca Gago.

Simpósio

 

Há um ano, durante a plenária regional da ONU, que ocorreu no Equador, foram estabelecidas as diretrizes para o continente americano e um dos membros da delegação brasileira que participou da iniciativa, Lourenço Magnoni Júnior, saiu da Etec de Cabrália Paulista. Já em março deste ano, no Japão, a ONU promoveu a 3.ª Conferência Mundial sobre a Redução do Risco de Desastres, que estabeleceu metas de 2015 a 2030.

Estes objetivos foram divulgados pelo diretor do Centro de Excelência para a Redução do Risco de Desastres da ONU no Brasil, David Stevens, durante o Simpósio sobre a Redução do Risco de Desastres e a Resiliência no Meio Rural e Urbano, sediado pela Etec de Cabrália Paulista. Inclusive, Stevens explica que a escolha da cidade resulta da participação dela nos eventos nacionais e internacionais sobre o tema.

Para o membro da ONU, o órgão pretende cumprir sete metas, entre elas, a redução de mortes e a diminuição de pessoas que perdem as moradias em catástrofes naturais. “Nosso objetivo é cumprir as metas até 2030. Por outro lado, a resiliência é um processo contínuo. Para uma cidade estar preparada, ela nunca poderá se descuidar, independente de o prazo para o cumprimento das metas ter chegado ao fim”, explica. 

Tecnologia

De acordo com Magnoni Júnior, a melhor forma de lidar com os eventos naturais extremos é seguir a máxima popular que defende que é melhor prevenir do que remediar. “Não dá para evitar um desastre, mas é possível amenizar os efeitos desencadeados por ele”, argumenta. Para tanto, o professor orienta que os meios tecnológicos eficientes de emissão de alertas são as melhores saídas. O Centro Integrado de Alerta de Desastres Naturais (Ciaden), que fica em Cabrália Paulista e é coordenado por Júnior, pode ser usado como exemplo.

O sistema utiliza um software que rastreia os radares meteorológicos e as bases fixas meteorológicas. Ele cruza as informações e consegue ter uma previsão com mais de 90% de confiabilidade. Portanto, identifica tempestades, chuvas de granizo, secas extremas, entre outros e emite alertas até 72 horas antes de o desastre ocorrer. Diante disso, o poder público tem condições de diminuir o impacto da catástrofe.

Recuperação

O titular da Secretaria Nacional de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, Eron Bezerra, que falou sobre os programas desenvolvidos pelo órgão durante o simpósio, define a resiliência como a capacidade de recuperação rápida. “Se uma pessoa lesionar a perna, pode demorar até três semanas para se recuperar. Um atleta profissional, por outro lado, se recupera em dois ou três dias. Isto é resiliência, ou seja, a capacidade de se recuperar de uma eventual agressão”, argumenta.

Bezerra defende ainda que é necessário um grande aporte tecnológico para enfrentar o impacto de uma determinada lesão e o órgão administrado por ele possui um programa específico sobre o tema, que fomenta diversas pesquisas em prol do desenvolvimento tecnológico brasileiro. Estas produções vão desde a produção de energia eólica e solar até o tratamento de resíduos sólidos.