A Polícia Civil trabalha para elucidar a distribuição de LSD entre jovens de classe média alta em Bauru, sendo a maioria estudantes universitários. A propagação da droga foi constatada após a prisão de Jonathan Ramos dos Santos, 22 anos, conhecido como “God”.
Na quarta-feira, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do jovem, apontado como autor de roubo a pedestre (leia mais abaixo), foi descoberta vasta lista de consumidores que ele mantinha em rede social.
No imóvel, localizado no Geisel, foram apreendidos cinco micropontos de LSD, duas porções de maconha e R$ 118,00. “No celular dele, também havia mensagens que comprovam negociações com vários usuários. Jonathan confessou que vendia um eppendorf (pino) da droga por R$ 35,00”, relatou o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja.
Perfil
A procura de alunos de universidade pelas chamadas drogas sintéticas (LSD, Ecstasy, metanfetaminas) tem uma explicação. “Nesse caso, os consumidores e distribuidores têm um perfil diferenciado do traficante comum, porque envolve um poder aquisitivo maior”, observa Cledson Nascimento, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise).
“São entorpecentes usados mais em baladas universitárias e as chamadas raves, consumidos, basicamente, por pessoas da classe média alta. Isso porque trata-se de uma droga cara”, acrescenta.
Nascimento pontua que a venda do LSD entre os jovens é feita através de contatos mais restritos como redes sociais e aplicativos de celular, o que ocasiona, de certa forma, um aumento de traficantes. “A gente percebe que o próprio consumidor, percebendo a dificuldade de chegar até os distribuidores, passa para o outro lado e começa a vender dentro de seu círculo de amizades”.
Preocupante
O fato de haver intensa distribuição de LSD entre os estudantes universitários preocupa a polícia, pois, segundo Nascimento, a droga é comercializada com “discrição”. “Eles são cautelosos. Utilizam-se de redes sociais e até dos contatos pessoais entre eles para saber onde vai ser a festa e quem vai fornecer a droga. Isso dificulta a investigação”, revela o delegado.
Além disso, o LSD pode ser facilmente camuflado e o traficante ou usuário consegue “driblar”, sem dificuldade, a segurança de casas de shows ou festas universitárias. “Os micropontos de LSD são disfarçados, na grande maioria, com selos. Os jovens os colocam dentro da carteira e dificilmente é flagrado em vistorias. Teria de ser uma revista muito minuciosa ou feita por policiais, que têm conhecimento dos tipos de disfarces”, explica Cledson Nascimento.
“Nosso objetivo, agora, é tentar se aproximar do núcleo de venda das drogas sintéticas, que é bem fechado e cada vez mais restrito”, finaliza o delegado da Dise.
Roubo
Jonathan Ramos dos Santos, o “God”, foi preso após assaltar um casal de estudantes nas imediações da Universidade Sagrado Coração (USC) de Bauru, no último dia 29 de maio. Na ocasião, ele levou o celular da jovem e vendeu o aparelho por R$ 100,00 a B.L.S.L. (somente as iniciais foram fornecidas pela polícia).
“Rastreamos o celular e chegamos até o rapaz que havia comprado, que pagou fiança e responde em liberdade por receptação. No chip novo que ele usava, havia várias mensagens trocadas com Jonathan, a quem ele pedia LSD constantemente. Jonathan foi reconhecido pela vítima de assalto e responderá por roubo e tráfico”, resume Kleber Granja, da DIG.