08 de julho de 2026
Bairros

União de forças

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Desde o começo do ano, Bauru já registrou quatro casos de leishmaniose visceral americana em adultos, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde. E de acordo com o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Bauru, foram 35 casos de sarna no ano passado, o que dá, em média, 3 por mês (ou 3 a cada dez dias). Somados a estes números, são centenas de animais abandonados e em situação de vulnerabilidade.

Para o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupda), o controle e a prevenção das principais zoonoses devem ser efetivados por meio da vermifugação, controle de sarna, controle químico de vetores e conscientização para a guarda responsável de animais domésticos, ações previstas nas diretrizes traçadas pelo Comupda, entidade que acredita estar na administração conjunta entre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e a Secretaria Municipal de Saúde, os caminhos para efetivar o serviço de manejo de animais e, consequentemente, a prevenção e controle de zoonoses, também em humanos.

“Entendemos que o poder público tem algumas dificuldades para conseguir efetivar as medidas, então traçamos algumas diretrizes que falam muito a respeito da administração conjunta do abrigo municipal de animais do Centro de Controle do Zoonoses (CCZ). Hoje, somente o CCZ tem uma estrutura pública para abrigar os animais em Bauru”, aponta o presidente do Comupda, Leandro Tessari.


Saúde

Ainda segundo as deliberações do Comupda, a Secretaria da Saúde, por meio do Centro de Controle de Zoonoses, ficaria responsável por apreender, capturar, reabilitar, esterilizar e identificar animais domésticos do município, em situação de vulnerabilidade quando acometido ou suspeito de alguma zoonose, que apresente risco quanto à transmissão de agente etiológico para humanos. Destinar adequadamente os animais domésticos recolhidos e desenvolver e executar ações, atividades, estratégias e programas para a prevenção e o controle de zoonoses nas áreas de vulnerabilidade social do município também seriam responsabilidades desta secretaria.

“Estamos cumprindo nosso papel discutindo políticas públicas e apontando diretrizes e possíveis soluções. Há uma grande diferença entre o conselho deliberar e a prefeitura executar e estamos cientes disso. Mas estamos conversando com o poder público. E cobraremos”, finaliza Tessari.


‘Tripé’

Para o conselho, a Semma e a Saúde devem trabalhar juntas em um sistema formado basicamente por três bases de atuação: um centro de proteção e reabilitação de animais domésticos, uma espécie de curral municipal (chamado pelos ativistas de santuário) na zona rural para abrigar animais considerados de fazenda, ambos seriam de responsabilidade da Semma; e o Centro de Prevenção e Controle de Zoonoses, de responsabilidade da Saúde. 

“Hoje, tudo fica concentrado no CCZ, que não consegue atender toda a demanda da cidade. Em um primeiro momento, o ideal seria a administração conjunta do que já existe. Como o abrigo do CCZ é a única estrutura funcionando no município, a administração deveria ser conjunta - a administração do abrigo (gatil, canil e curral), e não do CCZ em si. Isso é para otimizar e efetivar o serviço prestado”, defende Tessari.  

Em um segundo momento, o Comupda aponta que a prefeitura deve implantar, por meio da Semma e da Saúde, um sistema mais eficiente que permita o correto manejo dos animais domésticos no município, considerando medidas protetivas e preventivas.


Semma

“Caberia à Semma a criação de um centro de proteção e reabilitação de animais domésticos com o objetivo de apreender, capturar, reabilitar, esterilizar e identificar animais domésticos do município em situação de vulnerabilidade, além de promover a adoção responsável dos animais apreendidos. O mesmo vale para animais de grande porte, mas com o abrigo feito na zona rural”, grifa Tessari.