09 de julho de 2026
Regional

Torta de banana resgata o sabor da infância

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A empresária Lilian Barbosa, 31 anos, aproveitou uma receita de bolo de banana que a mãe fazia para criar uma torta inglesa de especiarias apresentada no Festival de Gastronomia e Música Brotas Gourmet. O tema do evento receitas recheadas de lembranças foi levado a sério e ela conta com destreza as recordações que povoam sua mente cada vez que sente o cheiro do bolo de banana da mãe.

Segundo ela, durante as viagens que fez conheceu uma receita de torta de banana. “É uma receita inglesa e quando surgiu a oportunidade de participar do evento, pensei: o bolo de banana é o meu predileto então acho justo usar a inspiração da torta que ‘linka’ com o meu bolo predileto. Coloquei uma dose de gourmet e apresentei.”

Para efetivar o conceito de lembranças não faltou repertório. “Fui buscar em minha memória afetiva. O bolo de banana faz parte de minha infância. Minha mãe fazia sempre. Morávamos em uma casa que tinha um pé de banana no quintal. Minha mãe apresentava a bananeira de maneira lúdica. Era muito bacana.”

A mãe, segundo a empresária, ia criando uma expectativa para o momento de colher a fruta. “Ela fazia a gente  ficar numa enorme expectativa  durante o amadurecimento dos frutos para depois preparar o bolo. Ela colocava um saco de lixo preto no cacho  para  acelerar o amadurecimento. Nós ficávamos esperando o momento de colher a banana. Não que ela não pudesse comprar  uma penca de bananas maduras em uma quitanda. Mas ela tornava a situação, uma brincadeira.”

A empresária lembra que foi um tempo de sua vida com muitas recordações boas. “Foi quando eu aprendi a gostar de banana e canela. Todas às vezes que encontro esse sabor remete à infância, ao quintal, à bananeira. Colhíamos a fruta no pé.”

Debutando no festival, Lilian Barbosa faz questão de explicar que, sabe fazer poucas receitas, e uma delas é essa. “É o primeiro ano que participo. O meu desafio este ano é ainda maior porque sou da comissão. É a primeira vez como expositora. O conceito definido pela comissão bate com o conceito da minha loja, receitinhas de família.”      

Ela frisa que a torta recebeu ingredientes para participar do Brotas Gourmet. “Eu acrescentei quatro novos ingredientes: mel na base dos biscoitos, chocolates meio amargo, baunilha e amêndoas. Todos dão a torta um toque gourmet. Ela ficou aromática e com outra textura. É uma sobremesa crua que para servir recebe uma calda quente que derrete o chocolate meio amargo e dá um sabor surpreendente. Não é enjoativa, é na medida certa.”

A torta inglesa com especiarias foi servida em potes com várias camadas. “A base é de biscoito com amêndoas e canela que garante a crocância. O toque de especiarias está na base. Faço uma farofa com biscoito e tudo mais. Na sequência vem um doce de leite feito com leite condensado cozido, banana caramelizada, creme de leite fresco com toque de baunilha. Na finalização vai um disco de chocolate na borda do pote. Na hora de servir é colocada a calda quente de chocolate. Esse disco vai quebrar e incorporar na torta.”

Na loja da empresária, em Brotas, são desenvolvidas receitinhas de família. “Aquelas que têm história acoplada ao sabor do doce. Temos queijadinha que era preparada pela dona Zinha há 40 anos. Polentinha, bolo de casamento que o pessoal de antigamente comprava para as bodas no Interior Paulista.”


‘Churrasco no Tacho’ é prato para celebrações 

Casamentos, aniversários e celebrações em família é sinônimo de churrasco no tacho enfatiza Milene Baltieri da Silva, 35 anos, do restaurante Cassorova. Segundo ela, a receita é dos avós italianos que faziam o prato na fazenda. “Faziam em quantidade para servir a todos os parentes. Um dos motivos de usarem o tacho para churrasco é que ele permite colocar até 10 quilos de carne de uma única vez.”

A receita indica miolo de paleta temperada com sal grosso, limão cravo, salsinha, cheiro verde e cebola. “A carne é cortada em pequenos cubos e fica no tempero de um dia para outro. É curtida no limão. Para dar mais sabor passamos a carne na grelha para dar cor e cheiro de churrasco. A brasa é que sapeca a carne. A finalização é no tacho.”

A preparação do churrasco no tacho é recheada de recordações boas, longas conversas entre os parentes. “É um ritual mantido há anos e que faz parte do patrimônio da família. Eu não conheci meu avô paterno, José Baltieri que começou a fazer churrasco assim.”


‘Picadinho de carne da vó’ virou receita de restaurante de hotel 

O picadinho de carne acompanhado de polenta mole da vó Aracy Camargo Ramos do Rego é uma receita da família que foi passado na prática para as cozinheiras do restaurante do hotel fazenda Jacaúna de Brotas.

“Minha vó fazia na casa dela em um sítio em Rio Claro. Fazia para a família e todos gostavam. O picadinho é feito com carne de primeira temperada com caldo de carne, osso e legumes feito em casa. Eu morei com ela nos últimos três anos antes dela morrer. Aprendi muito com minha avó”, diz Fernanda de Oliveira Rego, 42 anos.

A carne mais adequada para o prato é o miolo de alcatra, conhecida como coração da alcatra que temperada com alho, cebola, shoyo, mostarda e ervas ganha sabor especial. Depois de dourada é apurada em delicioso molho. Servida com polenta, alimento típico da culinária italiana, o prato é finalizado com alecrim. 

A receita é recheada de lembranças para a neta. “A imagem que, mais me vem a mente quando lembro dela, é da infância, com toda a família reunida, comendo. Minha avó era muito caprichosa, descendente de alemão com  português. A convivência com ela foi muito produtiva, me ensinou muitas coisas.”