| Divulgação/Arquivo Pessoal |
| Professor titular e dentista especializado em implantes e reabilitação estética, ele ainda fala sobre paixões, como a música |
Com quase 45 anos dedicados à prática e ao ensino da odontologia, o entrevistado de hoje segue ativo na produção intelectual: “Eu acredito que ainda tenho muita lenha para queimar, desde que Deus me dê saúde”, afirma Carlos Eduardo Francischone.
Nascido em Dois Córregos, ele mudou-se para Bauru no final da década de 1960 para cursar a faculdade de odontologia na FOB/USP. Em 1972, já era professor da instituição. Seguiu estudando e conquistando títulos e hoje é professor titular, o último degrau da carreira. “Tenho mais de 15 livros publicados e preparo os dois próximos para setembro”, comenta o especialista em implantes e reabilitação estética.
Casado há 40 anos com Ana Luiza, namorada de adolescência com quem tem três filhos e um neto, Francischone tem histórias que não acabam mais. Uma delas é a paixão pela música e a atuação na banda “Os Gatos”, montada na segunda metade da década de 1960, extinta por causa da carreira profissional e de volta aos palcos mais de três décadas depois. Confira, a seguir.
Jornal da Cidade - Por que a odontologia?
Carlos Eduardo Francischone - Quando jovem, tive a oportunidade de frequentar a farmácia dos meus tios e do meu pai, em Dois Córregos, e eu sempre estava perto vendo o bem que eles faziam para as pessoas. Isso me estimulou a ficar na área da saúde e escolhi a odontologia. Fui o primeiro dentista da família. Dois dos meus filhos seguiram a minha profissão, um escolheu a medicina. E pelo menos uns sete primos também são dentistas.
JC - Todos esses anos também foram dedicados à prática da odontologia, imagino.
Carlos Eduardo - Sim. Sempre trabalhei em clínicas, ou seja, sento no mocho há 44 anos. Mocho é o banquinho onde sentamos para cuidar dos pacientes (risos). Além dos atendimentos que faço em minha clínica, eu dou assessoria em uma clínica de São Paulo. Cuido dos dentes de muitas pessoas conhecidas no cenário nacional. Faço toda a parte de reabilitação estética e de implante.
JC - O senhor também publica livros na área, certo?
Carlos Eduardo - Tenho mais de 15 livros publicados. Todas as minhas publicações atingiam a odontologia de forma geral: obturações, restaurações e estética. Há uns 25 anos eu comecei a escrever sobre implantes, porque me especializei na área e percebi que havia carência de professores. Em setembro, farei o lançamento de dois novos livros sobre implantes e reabilitação estética.
JC - O senhor é integrante de uma banda, “Os Gatos”.
Carlos Eduardo - Isso. A música é um grande hobby. Essa banda foi montada em 1967, em Dois Córregos. Eu comecei a tocar aos 6 anos de idade. Comecei com harmônica e fui estudar piano no Conservatório de Jaú, onde me formei em música. Foi nesse tempo que nasceu a nossa banda. Tocávamos as músicas dos anos 60/70. A banca durou uns três anos e acabou quando optamos pelos estudos. Gatos, na época, era uma gíria para definir quem tocava bem. Chegamos a receber convite da gravadora Polidor para gravar um LP.
JC - E como ocorreu o reencontro de vocês?
Carlos Eduardo - 36 anos depois, voltamos a tocar, os mesmos músicos. Todos vivem em Dois Córregos, então eu vou ensaiar lá. Nossa banda teve a oportunidade de tocar em bailes da região. Já tocamos no Jack, na Assenag, na festa da Apae e na FOB. Inclusive fizemos um CD com as músicas que foram sucesso quando montamos a banda, décadas de 60/70. Voltamos com dois integrantes novos. Um dos integrantes originais faleceu há pouco tempo, infelizmente.
JC - Ser músico profissional chegou a ser um sonho?
Carlos Eduardo - Claro! Estávamos tocando muito bem e éramos solicitados. Fizemos show até na televisão, com apresentações no programa “Sábado com Você”, na TV Record, com a Sônia Ribeiro. Participamos de festivais de música em Jaú, em Bauru...Tive de escolher entre os estudos e a música. Mas agradeço minha mãe por ter insistido para eu estudar música, quando eu queria só saber dos esportes. Hoje chego em casa e já toco piano. É um exercício relaxante e uma atividade importante para exercitar as mãos e o cérebro. Também sou compositor. Com o jornalista Carlos Nascimento, fiz o hino de Dois Córregos. Fiz a composição e ele, a letra. Ganhamos um concurso.
JC - Além da música, os esportes também fizeram parte da sua juventude?
Carlos Eduardo - Sim. Eu joguei futebol. Era atacante e joguei na faculdade, no futebol amador de Bauru... Em Dois Córregos joguei basquete também. Hoje eu acompanho os jogos, apenas, principalmente os do Bauru Basquete. Outro hobby é a pescaria, principalmente ao lado do meu neto de 6 anos, o Lucca.
JC - Quais são os seus próximos planos profissionais?
Carlos Eduardo - Apesar de estar há quase 45 anos lecionando (eu dou aulas e coordeno dois cursos de pós-graduação, de mestrado e doutorado) e clinicando, eu acredito que ainda tenho muita lenha para queimar, desde que Deus me dê saúde. Também me orgulho de ter feito uma visita à rainha da Suécia. Um professor sueco veio para o Brasil trabalhar no Centrinho e eu tratava dos dentes dos tios da rainha. Ela ficou sabendo que eu tinha um trabalho no Centrinho, onde estava o professor sueco. Me convidou para ir até a Suécia falar com ela sobre o trabalho do Centrinho. Convidei o professor para ir comigo e ele me disse que nunca havia tido uma reunião com a rainha.
JC - De Dois Córregos para Bauru.
Carlos Eduardo - Eu estudei aqui, na Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP), de 1968 a 1971. Em 1972, já fui contratado para ser professor assistente da FOB. E por aqui criei raízes. Segui conquistando todos os títulos e sou professor titular, o último degrau da carreira. Já são 44 anos como professor. Há cerca de 10 anos eu recebi o título de Cidadão Bauruense, algo que me deixou extremamente feliz. A indicação foi do vereador Renato Purini. Bauru está no coração, assim como Dois Córregos.
JC - Viagens também fazem parte da sua carreira?
Carlos Eduardo - Sim. Já viajei por todo o Brasil e pelo mundo dando cursos e ainda faço isso. Mas é claro que sempre sobra um tempinho para o turismo (risos). Na próxima semana, por exemplo, darei um curso em Montevidéu. Vou aproveitar para ir até o Chile conhecer as vinícolas e o Valle Nevado.
Perfil
Nome: Carlos Eduardo Francischone
Idade: 65 anos
Local de Nascimento: Dois Córregos
Esposa: Ana Luiza
Filhos: Carlos Eduardo Júnior, Ana Carolina e Fabrício, além do neto Lucca
Libro de cabeceira: Gosto de biografias de compositores
Hobby: Tocar piano, pescar com o neto e ver os jogos do Bauru Basquete
Filme preferido: Doutor Jivago
Estilo musical predileto: MPB e música erudita
Time de futebol: Palmeiras
Para quem dá nota 10: Para a minha família
Para quem dá nota 0: Para a política brasileira
E-mail: drfrancischone@yahoo.com.br